
A aventura da pesca trouxe Roland Montenegro (foto) até Barcelos. O registro é da pesca de um tucunaré típico da região, dos grandes, acima de 7kg. Ele é um dos que tombaram no sábado (16/09)
O que faziam aqueles 12 homens, mais o piloto e copiloto, que tombaram no sábado, à tarde, em Barcelos? Por que um cirurgião famoso, com agenda lotada, como Roland Montenegro, deixou o ganha pão, em Brasília, para se aventurar nesse rincão amazônico? E os demais, profissionais liberais, empresários, funcionários públicos… O que reuniu tantos desejos, sentimentos, históricos e atitudes, no mesmo objetivo? A resposta para todas as perguntas é simples: todos buscavam a pesca esportiva. Mas o que é isso?
O pescador é uma entidade humana. Feito de carne e osso. Trabalha regularmente, na maioria das vezes se faz reconhecido pela competência e dá duro por uma folga que lhe permita embarcar na canoa.
Abrem-se as cortinas da emoção, diante do ronco de um motor de popa, singrando caminhos nos rios, rumo a lagos longínquos. Na viagem, ele se indigna com as estradas esburacadas e as pontes caídas e sofre vendo o sofrimento do caboclo, mas vai em frente.
Muitos, ao dar de cara com a realidade amazônica, acusam o golpe. Depois, mais acostumados, começam a invejar o jeito malemolente e ao ar livre de o caboclo viver a vida. Há até os que vêm e não voltam. Ou os que decidem fazer dos rios a última morada, como o grande atleta Caju, que pediu o depósito das cinzas no Paraná do Mamori.
Tudo é coroado pelo tucunaré. Um bocudo, como o pescador chama os grandes, muda tudo: faz valer os meses de preparação, o custo alto, as dores no corpo e até… o risco da viagem. Os 12 pescadores que tombaram domingo partiram na busca do Eldorado Amazônico, o tucunaré.
Uma viagem Manaus-Barcelos, de barco, leva de dois a três dias. Tempo demais para a vida corrida de hoje. É por isso que aviões pequenos, fretados, se tornam a alternativa mais usada para chegar até lá.
Espera-se que as autoridades deslindem o acidente e deem às famílias a explicação realista do que aconteceu. Que fique claro o cenário e as empresas do setor demonstrem o que fazem pela segurança dos passageiros.
Centenas de voos estão programados para Barcelos. É a meca internacional da pesca esportiva. Todos irão lotados de pescadores, dispostos a qualquer sacrifício para ter um pouco de vida genuína. O verde denso do mato, a sensação de liberdade, o vento batendo no rosto até os olhos lacrimejarem têm um apelo muito forte.
No fundo, todos repetem o mote de quem nasceu ribeirinho: vai para a cidade, estuda, ganha dinheiro e se aposenta… para voltar correndo à casinha na beira do rio, com o peixinho pescado na hora e a roça para a farinha. E aí, só aí!, redescobre a felicidade.
A pesca esportiva rende homenagem aos que morreram na aventura de Barcelos. Cada isca atirada ao rio, nestes dias, que leve um traço de reconhecimento e solidariedade às famílias de todos eles. Estamos de luto por vocês. Os que pescam vos saúdam:
Euri Paulo dos Santos
Fábio Campos Assis
Fábio Ribeiro
Gilcresio Salvador Medeiros
Guilherme Boaventura Rabelo
Hamilton Alves Reis
Heudes Freitas
Luiz Carlos Cavalcante Garcia
Marcos de Castro Zica
Renato Souza de Assis
Roland Montenegro Costa
Witter Ferreira de Faria
Piloto Souza
Copiloto Galvão
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