
Rompimento com grevistas foi anunciado em entrevista coletiva pelo governador Wilson Lima (foto)
Uma reunião de seis horas, ontem (31/05), na sede do governo, fez com que o Estado rompesse com líderes da greve dos professores. A recusa à proposta governamental, apresentada pelo secretário de Governo, Sérgio Litaiff, foi considerada jocosa. O exato momento do rompimento, conforme a coluna apurou, se deu quanto ao reajuste escalonado, até 2024, de 15% (8% agora, 3% em outubro e 4,19% em maio/2024). Uma fonte informa que, naquele instante, ficou claro que o objetivo era prolongar o movimento, ao máximo, por motivações políticas. Os grevistas disseram que, a partir dali, só aceitaram 20% de uma única vez. E houve o rompimento. Foi esse o tom da entrevista coletiva do governador Wilson Lima, nesta quinta (01/07), quando ele anunciou o que seria a última proposta governamental. O Panavueiro é extenso.
O governador afirmou que o custo de todas as mexidas na folha, que você verá a seguir, seria de R$ 100 milhões/ano. Não era. A Secom corrigiu: esse é o valor/mês e o total/ano chegará a R$ 2,1 bilhões.
O jogo duro do Governo do Estado resulta da conclusão de que as autoridades estaduais estavam “cedendo demais”.
Fotos, publicadas em redes sociais, de líderes grevistas com o senador Eduardo Braga, serviram para carimbar de vez o movimento. Braga foi o adversário de Wilson no 2º Turno das eleições/2022. Outro que também apareceu com grevistas foi o deputado federal Sidney Leite.
O governador se queixou da “maneira desrespeitosa” com que os líderes ofendem governo e autoridades, nas mídias sociais. “Quando usam palavras de baixo calão, nas redes sociais, estão chancelando os alunos de que podem fazer isso”, disse.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam) tentou voltar ao jogo com um release. Enfatizou que a categoria ainda “ia analisar” se aceitava os 15% de reajuste escalonados. Que não existiam mais.
Os professores receberão, na folha de pagamento de junho, o reajuste de 8%, retroativo a março deste ano. Isso vale para todos os funcionários da Educação, incluindo serviços gerais, merendeiras e professores. É o percentual referente à data-base 2022. Wilson Lima disse que 2020 e 2021 foram reajustadas e que a data base de 2024 ainda será objeto de negociação.
Outra parte da proposta, oferecida por Wilson Lima, diz respeito ao Regime Complementar dos secretários de escolas e dos coordenadores. Eles terão uma “dobra de carga” (quem tem 20 horas passa para 40 etc.) e passarão a dar expediente integral nas escolas. É uma reivindicação bem antiga.
Os professores que se qualificaram e têm direito à progressão vertical saíram ganhando. São cerca de 2,2 mil. Todos devem receber as diferenças salariais, já na folha de junho.
A Seduc garante, e o governador repetiu, na coletiva, que o salário mais baixo de professor do Estado do Amazonas será de R$ 5.129,16. O Piso Nacional dos Professores é de R$ 4,4 mil. Todos recebem Plano de Saúde integral, que chega a R$ 2,5 mil, mais R$ 500 de vale-alimentação e R$ 198 de auxílio-transporte.
O jogo duro de Wilson Lima com os professores prossegue. Só terão as faltas abonadas os professores que voltarem à sala de aula segunda (05/06). Os demais continuarão levando falta, de acordo com decisão judicial que considerou a greve ilegal. O Sinteam já tem R$ 270 mil bloqueados em conta e está sujeito a multa diária de R$ 30 mil.
O governador anunciou que autorizou a contratação de professores do cadastro de reserva da Seduc. Da mesma forma, a realização de Processo Seletivo para complementar o quadro.
Fontes da Seduc afirmam que há professores com seis meses de contratação, por Processo Seletivo, que aderiram à greve. Esses devem ser substituídos ainda na segunda-feira, caso não retornem à sala.
Wilson negou uso de força policial e disse que a tropa na sede do governo e em outros locais foi “para proteger o patrimônio público”.
O Sinteam afirma que 70% dos professores aderiram à greve. O governador disse, na coletiva, que 70% estão em sala de aula.
O direito de Greve é um instrumento extremo. Não é feita por lideranças, mas por mobilização. Líderes que levantavam o braço e galvanizavam as categorias não existem mais. Até porque os últimos decepcionaram, mostrando objetivos eleitorais, por baixo dos sindicais. Isso não tem nada de errado quando, chegando lá, o eleito mantém a fidelidade ao objetivo e dá o sangue pela categoria. Nunca aconteceu. Os governos, por outro lado, expandem a rede escolar para atender líder comunitário, prefeito, deputado, senador e até à necessidade. Estados são obrigados a gastar 25% do orçamento anual, grosso modo, com Educação. No Amazonas, com R$ 30 bilhões de orçamento/ano, o valor seria, sempre em conta de padeiro, de R$ 7,5 bilhões. É muito dinheiro. Greves, como a atual, servem para reflexão. Quem acha que a síntese, entre reajustes, demissões e outras escaramuças, será a melhoria do processo educacional amazonense, que levante o braço.
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