21/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Rompimento com grevistas fez cair proposta do Governo

Publicado em 01 de junho, 2023

Rompimento com grevistas

Rompimento com grevistas foi anunciado em entrevista coletiva pelo governador Wilson Lima (foto)

Uma reunião de seis horas, ontem (31/05), na sede do governo, fez com que o Estado rompesse com líderes da greve dos professores. A recusa à proposta governamental, apresentada pelo secretário de Governo, Sérgio Litaiff, foi considerada jocosa. O exato momento do rompimento, conforme a coluna apurou, se deu quanto ao reajuste escalonado, até 2024, de 15% (8% agora, 3% em outubro e 4,19% em maio/2024). Uma fonte informa que, naquele instante, ficou claro que o objetivo era prolongar o movimento, ao máximo, por motivações políticas. Os grevistas disseram que, a partir dali, só aceitaram 20% de uma única vez. E houve o rompimento. Foi esse o tom da entrevista coletiva do governador Wilson Lima, nesta quinta (01/07), quando ele anunciou o que seria a última proposta governamental. O Panavueiro é extenso.

 

Custo

O governador afirmou que o custo de todas as mexidas na folha, que você verá a seguir, seria de R$ 100 milhões/ano. Não era. A Secom corrigiu: esse é o valor/mês e o total/ano chegará a R$ 2,1 bilhões.

 

Rompimento com grevistas

O jogo duro do Governo do Estado resulta da conclusão de que as autoridades estaduais estavam “cedendo demais”.

Braga e Sidney

Fotos, publicadas em redes sociais, de líderes grevistas com o senador Eduardo Braga, serviram para carimbar de vez o movimento. Braga foi o adversário de Wilson no 2º Turno das eleições/2022. Outro que também apareceu com grevistas foi o deputado federal Sidney Leite.

 

Queixa

O governador se queixou da “maneira desrespeitosa” com que os líderes ofendem governo e autoridades, nas mídias sociais. “Quando usam palavras de baixo calão, nas redes sociais, estão chancelando os alunos de que podem fazer isso”, disse.

 

Sinteam chega atrasado

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam) tentou voltar ao jogo com um release. Enfatizou que a categoria ainda “ia analisar” se aceitava os 15% de reajuste escalonados. Que não existiam mais.

 

O que está valendo

Os professores receberão, na folha de pagamento de junho, o reajuste de 8%, retroativo a março deste ano. Isso vale para todos os funcionários da Educação, incluindo serviços gerais, merendeiras e professores. É o percentual referente à data-base 2022. Wilson Lima disse que 2020 e 2021 foram reajustadas e que a data base de 2024 ainda será objeto de negociação.

 

Regime Complementar

Outra parte da proposta, oferecida por Wilson Lima, diz respeito ao Regime Complementar dos secretários de escolas e dos coordenadores. Eles terão uma “dobra de carga” (quem tem 20 horas passa para 40 etc.) e passarão a dar expediente integral nas escolas. É uma reivindicação bem antiga.

 

Progressão vertical

Os professores que se qualificaram e têm direito à progressão vertical saíram ganhando. São cerca de 2,2 mil. Todos devem receber as diferenças salariais, já na folha de junho.

 

Piso, plano de saúde e vale

A Seduc garante, e o governador repetiu, na coletiva, que o salário mais baixo de professor do Estado do Amazonas será de R$ 5.129,16. O Piso Nacional dos Professores é de R$ 4,4 mil. Todos recebem Plano de Saúde integral, que chega a R$ 2,5 mil, mais R$ 500 de vale-alimentação e R$ 198 de auxílio-transporte.

 

Faltas, abono e multa

O jogo duro de Wilson Lima com os professores prossegue. Só terão as faltas abonadas os professores que voltarem à sala de aula segunda (05/06). Os demais continuarão levando falta, de acordo com decisão judicial que considerou a greve ilegal. O Sinteam já tem R$ 270 mil bloqueados em conta e está sujeito a multa diária de R$ 30 mil.

 

Reservas e Processo Seletivo

O governador anunciou que autorizou a contratação de professores do cadastro de reserva da Seduc. Da mesma forma, a realização de Processo Seletivo para complementar o quadro.

 

Seis meses de casa e em greve

Fontes da Seduc afirmam que há professores com seis meses de contratação, por Processo Seletivo, que aderiram à greve. Esses devem ser substituídos ainda na segunda-feira, caso não retornem à sala.

 

Força policial

Wilson negou uso de força policial e disse que a tropa na sede do governo e em outros locais foi “para proteger o patrimônio público”.

 

Adesão

O Sinteam afirma que 70% dos professores aderiram à greve. O governador disse, na coletiva, que 70% estão em sala de aula.

 

A síntese

O direito de Greve é um instrumento extremo. Não é feita por lideranças, mas por mobilização. Líderes que levantavam o braço e galvanizavam as categorias não existem mais. Até porque os últimos decepcionaram, mostrando objetivos eleitorais, por baixo dos sindicais. Isso não tem nada de errado quando, chegando lá, o eleito mantém a fidelidade ao objetivo e dá o sangue pela categoria. Nunca aconteceu. Os governos, por outro lado, expandem a rede escolar para atender líder comunitário, prefeito, deputado, senador e até à necessidade. Estados são obrigados a gastar 25% do orçamento anual, grosso modo, com Educação. No Amazonas, com R$ 30 bilhões de orçamento/ano, o valor seria, sempre em conta de padeiro, de R$ 7,5 bilhões. É muito dinheiro. Greves, como a atual, servem para reflexão. Quem acha que a síntese, entre reajustes, demissões e outras escaramuças, será a melhoria do processo educacional amazonense, que levante o braço.

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