
A questão das cotas na UEA precisam da mobilização de toda a sociedade e os vereadores estarão juntos, diz Caio André
Caio André*
A decisão de impedir a destinação de 80% das vagas da UEA aos amazonenses caiu como um raio. O sistema visa barrar o que ocorre na Ufam, por exemplo, onde vagas nos cursos mais concorridos, como Medicina e Direito, são preenchidas por estudantes de outros Estados. Estes, muitas vezes, sequer aparecem para concretizar a matrícula ou, matriculados, frequentam poucos meses de aula e vão embora. Fica lá a vaga, desocupada, com nossa população chupando o dedo.
Esse sistema de cotas veio preencher uma lacuna na Educação amazonense. Permitiu que alunos interioranos, egressos de um Ensino Médio deficiente, tivessem condições de competir com quem frequenta os caros cursinhos das capitais.
Há toda uma geração sendo formada, pela UEA, preenchendo lacunas das carências de profissões no interior. É como se fosse um atalho, um rasgo de realidade, num sistema que insiste em não ver o óbvio: de que adianta formar engenheiros, advogados, médicos e pedagogos que não ficarão aqui? Para aprofundar as desigualdades que assolam nosso povo?
A decisão foi do Supremo Tribunal Federal (STF). A legislação derrubada era estadual, relativa à Assembleia Legislativa do Amazonas. O dispositivo invocado pelos ministros para derrubar as cotas é uma Lei Federal.
O que tem um vereador a ver com isso? Qualquer coisa que diga respeito à população mais carente tem a ver com a Câmara Municipal de Manaus (CMM). Não vamos nos omitir em nenhum assunto que envolva o povo manauara, nem essa imensa parte formada pelo êxodo rural na capital.
Vamos à bancada federal. Há especialistas estudando alternativas. Quando houver o caminho, nós, vereadores, vamos ajudar a trilhá-lo, na companhia de quem de direito.
O povo de Manaus, pelos seus representantes, não mais se omite.
* Caio André é vereador e presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM).