09/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Conheça o padre vermelho de coração azul

Publicado em 24 de abril, 2023

Conheça o padre vermelho

Conheça o padre vermelho, na foto com o Papa João Paulo II, beatificado em 1º de maio de 2011, durante o período que estudou em Roma

O padre Manuel do Carmo, doutor em Teologia Moral pela PUC-SP, que fez parte dos estudos em Roma, era pároco da igreja de N.S. de Lourdes, em Parintins.

A certa altura, um paroquiano foi denunciar que a esposa tinha recebido alta do hospital Padre Colombo, da Diocese, mas continuava muito doente.

Padre Manuel, parintinense, ficou conhecido como “padre vermelho”, por causa do espírito contestador, e “de coração azul”, por torcer pelo Boi Bumbá Caprichoso.

O pároco não contou conversa: botou a boca no trombone, nos microfones da rádio Alvorada, denunciando o diretor do hospital e o médico que deu a alta precoce. “Vamos tomar providências jurídicas, se essa mulher vier a falecer”, avisou.

Ocorre que a rádio Alvorada também é da Diocese. Estava criado o inusitado caso de a Diocese denunciar a própria Diocese.

Padre Manuel fez a denúncia e embarcou para o interior, numa de suas “desobrigas”, que são viagens de dias, até meses, pelas comunidades rurais.

O diretor e o médico correram no bispo diocesano de Parintins, Dom Giovanni (João) Risatti, sucessor do lendário Dom Arcângelo Cerqua.

O bispo não pensou duas vezes: “Ele (o padre) está mais do que certo. A rádio e o hospital são da Diocese, mas esses médicos ficam fazendo essas coisas e têm mais que ser denunciados”.

Os dois, diretor e médico, passaram a tarde “caçando” a paciente pelos bairros de Palmares e adjacências. Quando o padre voltou do interior ela já estava em casa, curada e agradecida.

Padre Manuel do Carmo hoje está aposentado, mas continua engajado nas coisas da população mais carente.

Esta semana, diante de um corte de energia no Projeto de Assentamento (PA) Gleba Vila Amazônia, do interior de Parintins, pela Amazonas Energia, ele reuniu dezenas de entidades e denunciou o problema. Há um acordo, para que o Linhão de Tucuruí passe pelo local, em troca do fornecimento gratuito de energia. E a pessoa atingida é carente.

A Amazonas Energia contesta esse acordo e quer receber pelo serviço. Com a pressão do “padre vermelho” e as entidades sedentas de ação, a empresa tomou a decisão salomônica de fazer, ela própria, o pagamento dos atrasados. O problema foi resolvido e a energia restabelecida.

Coisas de Parintins.

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