
Tadeu é o nome para TCE, dizem os bastidores, mas depois que ele entrou na política de forma inesperada, indicado vice-governador por David Almeida, gostou tanto que está trabalhando pesado no cargo
O vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, é o nome que o governador Wilson Lima indicará para o Tribunal de Contas Estadual do Amazonas (TCE-AM). É o que dizem os bastidores da política. Seria indicado para a vaga do conselheiro Júlio Pinheiro, que pode antecipar a aposentadoria. Roberto Cidade, como presidente da Assembleia Legislativa, até 2027, se transformaria, na prática, no vice-governador. Seria ele quem assumiria o governo, caso Wilson decidisse enfrentar a eleição para senador, em 2026. Estaria com a faca e o queijo na mão para formar chapa e se candidatar à própria sucessão. Entenda todo esse movimento do tabuleiro de xadrez político do Amazonas.
Um problema é o próprio Tadeu de Souza. Ele está tão empenhado no cargo de vice que não pensa em outra coisa. Tem trabalhado para criar pontes para Wilson e ajudou em momentos fundamentais. É o caso da implantação de UTIs no interior. Além do mais, carreira por carreira, a da Procuradoria Geral do Estado (PGE), já que Tadeu é procurador, também tem seus atrativos.
O advogado Júlio Assis Corrêa Pinheiro nasceu em 18/01/1961. Tem 62 anos. Pode continuar conselheiro do TCE-AM pelos próximos 13 anos, até os 75 anos. Mas, desde 2020, quando contraiu Covid-19 e teve problemas cardíacos, como sequela, vem falando em se aposentar. Ele já tem tempo de serviço, porque antes atuava na banca advocatícia.
Vice-governador que assume o cargo, se candidata e ganha, esse é um filme que o Amazonas já viu. Quando Braga renunciou e Omar se candidatou. E na sucessão de Omar, que renunciou em favor de José Melo. Ambos os vices, de Braga e Omar, se tornaram governadores, com relativa facilidade, apesar de arrancarem abaixo dos 5% de intenção de voto.
Um dos pressupostos das mexidas atuais, segundo esse sujeito fofoqueiro chamado bastidores, é a sucessão municipal. David Almeida pode até ficar fora dos planos e apenas com a máquina da Prefeitura.
Nesse formigueiro de fofoca, o tal dos bastidores está com a língua afiada. Enfatiza que a chapa do governador estaria formada. O deputado federal Amom Mandel seria o candidato a prefeito. E o coordenador da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), leia-se Prosamim+, Marcellus Campelo, seria o vice.
Muitos advogados ligaram para o portal para comentar a coluna Panavueiro de ontem (13/04). A síntese: a decisão da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), mudando a Constituição Estadual, para o terceiro mandato de Roberto Cidade, pode sim ter respaldo do Supremo Tribunal Federal (STF).
O problema é que a corte decidiu modular uma decisão do ano passado, que proíbe esse tipo de manobra, a partir de 07/12/2022. Foi essa modulação que criou dúvidas e brechas. Talvez o Supremo precise julgar novamente o caso.
Há um julgamento pendente no STF, que pode afetar a decisão tomada no Amazonas. Trata-se de uma continuação do caso de Roraima, onde o presidente Jelser Renier Padilha tentou o mesmo trajeto de Roberto Cidade. A sessão virtual foi suspensa com 7 votos, dos 11 ministros, a favor de manter a eleição de Jelsen.
A questão é que o senador Omar Aziz (PSD-AM) tem dito a amigos que se considera atingido pela bi-reeleição de Roberto Cidade. É Omar que, próximo ao presidente, tem sido a ponte de Wilson para aparar arestas com Lula, após o governador ter apoiado Bolsonaro. O senador estará no meio do mandato, na hora da sucessão no governo do Amazonas, em 2026, e espera ser o candidato.
Daí que Omar pode se rebelar e mostrar ao STF os problemas que advirão da decisão em curso. Senador tem esse tipo de canal. Como ministro pode mudar o voto, até antes da proclamação do resultado, a vitória de Roberto Cidade pode ser ameaçada por aí.
A bi-reeleição de Roberto Cidade foi um strike que, no boliche, significa a derrubada de todos os pinos. Atingiu, além de David Almeida e Omar Aziz, os prefeitos do interior. Todos já sabem que não terão vida mansa.
Os prefeitos de três dos principais Municípios amazonenses estão na mira: Bi Garcia, de Parintins, Mário Abrahim, de Itacoatiara, e Beto D’Angelo, de Manacapuru. Todos apoiaram Eduardo Braga, no 2º Turno da eleição, e elegeram Mayra Dias, Thiago Abrahim e Cristiano D’Angelo, três dos dez novatos que, sintomaticamente, ficaram de fora da mesa-diretora da Aleam.
Veja mais notícias em Panavueiro