
Proposta indecente não vai parar as investigações dos contratos e serviços da Águas de Manaus, diz presidente da CPI na Câmara Municipal, Diego Afonso (foto, paletó marrom), cercado por membros da mesma
A Câmara Municipal de Manaus (CMM) instalou CPI para investigar contratos, metas e tarifas de água em Manaus. É a CPI da Águas de Manaus, referência direta à atual concessionária do abastecimento. Hoje (12/04), a empresa enviou aos vereadores uma proposta indecente. Oferece desconto de 80% na Taxa de Esgoto, para os usuários que têm esse serviço, por quatro anos, e 50% para os novos, por três anos. Em troca, singelamente, pedem a paralisação das investigações da CPI.
A desfaçatez começa pelo reconhecimento, explícito, de que havia sobrepreço na Taxa de Esgoto. Depois, no recibo do temor provocado pela fiscalização acurada, detalhada, que os vereadores prometem.
Ninguém abre mão de receita, tão rapidamente, se não tiver culpa no cartório. A CPI foi instalada dia 24/02. Os vereadores propuseram o “método autocompositivo de pacificação” da investigação, no dia 05 de abril. Cinco dias depois, hoje (10/04), a empresa responde com uma proposta de redução mínima. Algo que soa na linha do “vão-se os anéis ficam os dedos”.
O presidente da CPI, vereador Diego Afonso, já anunciou que os trabalhos prosseguirão. Os indícios são fortes de que a população vem sendo passada para trás e pagando mais do que deve.
A investigação não pode parar, até por se constituir num instrumento para que a Águas de Manaus, se estiver realizando um bom trabalho, demonstre isso aos representantes da população manauara. Quem não deve, não teme.
Os vereadores, cuja renovação de mandatos se dará na eleição do ano que vem, parecem ter entendido que a CPI, depois de instalada, torna-se instrumento da sociedade e não objeto de barganha de baixa extração política.
Os fundamentos da CPI são muito fortes. Saneamento básico, esgotamento sanitário, tratamento de resíduos têm relação direta com a saúde pública. Ainda mais no estágio da vida humana, adoecida, que acaba de passar pela pandemia de Covid-19.
A tarifa pode reduzir mais. Tanto a de água, propriamente dita, quanto essa que a Águas de Manaus propôs reduzir em caraminguás, a da Taxa de Esgoto. No final, as duas compõem essa parcela dolorosa do suado dinheirinho que sai mensalmente do bolso popular. Porque pobre fica liso, abre mão de qualquer coisa, menos de estar com as contas em dia. É essa gente valorosa, que representa o mais valioso bastião de honradez do povo brasileiro, a que grita por defesa dos senhores edis.
As investigações precisam ir até o fim. Que a verdade venha à luz, tanto para corrigir distorções e revelar pontos de excelência no serviço da Águas de Manaus, quanto para as devidas punições de quem mete a mão no bolso do povo.