
O Parque dos Sentidos da Amazônia teria a sumaumeira, sobre a qual os estudos estão bem avançados
Manaus não tem parques. Os que existem, Ponta Negra e Bilhares, partiram do pressuposto de muitas obras. O Gigantes da Floresta muda um pouco o foco. Mas a cidade precisa de mais lugares com árvores.
A arquiteta Cláudia Nerling, uma estudiosa do urbanismo, chama atenção para os sentimentos que a Amazônia desperta. Ela defende um parque que tenha os cinco sentidos.
Temos o olfato, no aroma agradável das árvores de essências. Quem passa, numa noite pós-chuva, na esquina da André Araújo com General Rodrigo Otávio tem amostra disso. Do terreno do Inpa, naquele ponto, vem um cheiro agradabilíssimo.
O canto dos pássaros, atraídos por determinadas espécimes (audição), além de um ecossistema que os protejam, garantirá a trilha sonora original.
As cores das folhas, flores e frutos (visão) estão espalhadas na floresta. Os ipês, de diversas cores, com suas copas frondosas, ponteiam a Hiléia. Vermelho, rosa, amarelo, violeta, eles esperam, como uma família, o momento em que alguém possa reuni-los.
As diferentes texturas dos caules (tato), a partir dos musgos, trazem o veludo da floresta.
Árvores frutíferas (paladar) completam o quadro. Cupuaçu, taperebá, maracujá, acerola etc. etc. etc., não precisam de maiores apresentações. Pés de ingá, caju, ata, miri-miri, mari-mari, manga, abiu, biribá, castanha e tucumã, para apanhar no pé, completam esse quadro.
Que turista não gostaria de viver a experiência de um Parque dos Sentidos da Amazônia? Tem muito caboclo que nunca viu de perto cedro, copaíba, andiroba, angelim rajado, itaúba, a nossa madeira de lei, cada vez mais rara.
Turista? Mostre para ele uma gigantesca sumaumeira, a árvore que teria inspirado a primeira edição de Avatar. Ou o pau-rosa, cuja essência fixou e tornou o Chanel Nº5 mundialmente famoso.
Qualquer engenheiro agrônomo sabe como transplantar esses espécimes. O Inpa e a Embrapa têm know-how para isso.
Um Parque dos Sentidos da Amazônia não chega a ser uma ousadia. É até óbvio. Basta fazer.