A presença do vice-presidente da República, na reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS), é um bom sinal… em termos.
O presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, estiveram no mesmo evento, mais de uma vez. Prometeram mundos e fundos.
Prevaleceu, no final, a vontade do ministro, que é contra o modelo. Ele ou mandava mais que o presidente ou Bolsonaro falava da boca pra fora.
Lembram da frase de Bolsonaro, diante de um CAS lotado de autoridades e próceres da sociedade amazonense? “A Zona Franca é intocável”. Rummmm.
Bolsonaro e Guedes nomearam dois militares superintendentes, um coronel e um general, com a missão de comer abiu. Nunca se ouviu deles um único pio em relação aos sucessivos ataques ao modelo, alguns dos quais vigentes até agora. Pareceu algo na linha do “missão dada, missão cumprida”, ou seja, role a bola, faça o trivial, mas não se envolva em nada.
Promessa não cumprida não é novidade na Zona Franca de Manaus (ZFM).
Lula prorrogou os incentivos fiscais, no segundo mandato. Dilma empurrou a data para 2053. Os dois, no entanto, durante seus períodos na presidência, motivaram solavancos no modelo. Basta lembrar dos “vigilantes da bancada federal” e das “caravanas de salvação”, rumo à capital federal.
Alckmin conhece bem a ZFM. Quando governador de São Paulo, por um ato estadual, deixou de garantir a restituição de ICMS no envio de mercadorias a Manaus. Isso foi parar no STF e até hoje continua pendente.
Quando candidato a presidente, o atual vice ganhou dos apoiadores locais, como o ex-prefeito Arthur Virgílio, a justificativa de que “foi eleito para defender SP e agora pleiteava a presidência para defender o Brasil”.
Na eleição, contra Dilma, levou uma surra dos amazonenses. Tomara que agora, vice-presidente eleito “para defender o Brasil”, tenha aprendido a lição.