
Pelé, o mito que sobrevive a Édson Arantes do Nascimento
Édson Arantes do Nascimento se foi. Cumpriu, como todos cumpriremos, o “morreu e foi sepultado”, do qual nem patriarcas bíblicos escaparam. Ficou Pelé, o mito, o maior de todos, a base da bilionária indústria do futebol atual.
Garrincha, Maradona, Messi, Cristiano Ronaldo, Zico, Euzébio, Di Stefano, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Romário… todos grandes. Pelé acima de todos.
Por quê?
Negro, pobre, interiorano da pequena Três Corações (MG) e depois da distante Bauru (SP), ele enfrentou a elite e impôs a própria grandeza. Foi, sem firulas, o elegante, mesmo diante do “kaiser” Franz Beckenbauer ou de um “Rei de Roma” Paulo Roberto Falcão.
Virou sinônimo de Brasil, mundo afora, atuando como uma espécie de embaixador informal do País.
Recebeu, na morte, a constatação dos números incontestáveis. É o caso dos 1.283 gols, oito deles numa única partida, em 1964, contra o Botafogo de Ribeirão Preto (SP).
Pepe, esse fidalgo companheiro de ataque daquele “Santos de Pelé”, se diz “o maior artilheiro do Brasil”, com seus mais de 400 gols. E o Rei? “Esse era extraterrestre”.
Pena que, dos campeões mundiais de 1970, 1994 e 2002, apenas Mauro Silva, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, compareceu ao velório. Nem Neymar, que comemora os gols socando o ar, em homenagem a Pelé, pode escapar de uma partida do PSG.
Faltou grandeza? Humildade? Reverência? Respeito? Compreensão do tamanho de Pelé?
Parafraseando Quintana, “eles passarão, Pelé passarinho”.
A originalidade de gols protagonizados por Pelé, aqueles fragmentos que chegaram até nós, seriam suficientes para eternizá-lo. Mas, há algum tempo, circula no Youtube um vídeo com lances, registros mais frágeis ainda, extraídos daquele tempo pré-tecnológico. É um festival de “canetas” (bolas entre as pernas), “chapéus” (bolas por cima de adversários) e enfileiramentos, aqueles momentos sublimes em que o gênio dribla um, dois, três, quatro, cinco… e até marca alguns gols, na sequência. Não uma, mas infindáveis vezes. Veja o vídeo, abaixo desta matéria.
Pelé, eterno, avassalador no esporte, enorme na vida, magnífico na morte: 16 horas de programação ininterrupta com ele como monotema. Onde? Na TV norte-americana. No Brasil, as homenagens se estenderam de quinta a domingo.
Imagine o diálogo, nas esferas, entre Euzébio, Jairzinho, Carlos Alberto, Félix, Didi, Garrincha, na recepção ao Rei: “Você chegou!” E aquela voz suprema: “Você voltou!”
Foi o homem, fica o mito.
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