
A guerra entre bolsominions e lulaminions atravessa os dias e as horas, com parentes de mortos e doentes envolvidos, sem dar trégua à dor e sem que Bolsonaro ou Lula precisem fazer mais nada para liderar essa massa
A reunião explosiva da pandemia de Covid-19 e as eleições “gerais”, neste 2022, encontram um Brasil perplexo. O salutar confronto de ideias, raiz do famoso teorema dialético (tese + antítese = síntese), esbarra nos radicais, que constituem o elemento novo no País. De um lado, os que seguem a ferro e a fogo o presidente Jair Bolsonaro, chamados de bolsominions. De outro, os acometidos da mesma cegueira por Lula, que galgaram o título de lulaminions. Tudo indica que daí, desse confronto, sairá a Nação Brasileira de 2023.
Minions são personagens de um desenho norte-americano de 2015. Vivem para seguir um vilão. Felipe Pena, em artigo no site Extra, de 2016, criou o termo “bolsominions”. “… Seguem o líder, a quem chamam de mito, e dão vazão aos recalques narcísicos atacando as diferenças de grupos que elegem como rivais”. As escaramuças recrudesceram, o nível desceu e a carapuça logo vestiu lulaminions, tão chatos quanto aqueles.
O espaço democrático também é ocupado por quem professa motivos racionais para escolher um ou outro lado. Não são bolsominions, embora estejam com o presidente. Nem lulaminions, embora caminhem batidos para votar em Lula.
A diferença parece estar no ódio, de onde vem uma torcida insana pela ação mais radical do camarão mal digerido por este. Ou por volta do câncer daquele, contra quem a maior torcida é pelo retorno à cadeia.
O espectro político brasileiro, antes dominado pelas confederações conhecidas como PMDB, de centro-esquerda, e Centrão, de centro-direita, agora constitui fina linha divisória, com dois abismos chamados de “esquerda” e “direita”.
O cenário é permeável a todo tipo de disputa. E aí entra a pandemia de Covid-19, alvo do negacionismo explícito do presidente da República. Confrontado, claro, pela militância antagonista.
A vacina e a própria pandemia tornaram-se adversários de Bolsonaro, até aquele fugaz momento do Brasil pontificando no ranking de vacinados: “O presidente, caladinho, investiu na vacina”. Até o próprio Jair, na declaração seguinte, desmentir esse “raciocínio”.
Ressentido com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de transferir a governadores e prefeitos as decisões específicas sobre Estados e Municípios, o presidente tornou o próprio Certificado de Vacinação pessoal um documento de Estado, top secret, para evitar a propaganda adversária.
A Democracia vai tendo seus espasmos. A distribuição da vacina é feita pelo Ministério da Saúde do mesmo Governo negacionista de Bolsonaro. Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, trouxe ao Amazonas toda a cúpula da pasta, instantes antes da crise de oxigênio, e até anunciou a solução do problema, que explodiria no dia seguinte.
A máxima de Rubens Ricúpero, então ministro de Itamar Franco, em áudio vazado durante entrevista ao jornalista Carlos Monfort, da TV Globo, virou um axioma: “Não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura e o que é ruim a gente esconde”. Até médicos, que deveriam auxiliar os colegas da linha de frente, trazendo a experiência de consultório ou estudando mais a fundo à pandemia, ajudam a espalhar fake news.
A carga “ideológica” ultrapassa limites: “A pandemia só voltou no Brasil porque é ano de eleição”. A explosão na Europa e EUA, sem eleição, seria então motivada por alguma colônia brasileira majoritária, embora invisível (sic)?
Um sujeito postou que não pega Covid-19, nem se vacina, porque faz um experimento em casa, com a família, que seria a cura para o mal. Inclui a ivermectina, que o presidente não alardeia mais, e a cloroquina, a essa altura esquecida pelo líder. Voltar lá, com a Ômicron batendo recordes locais e nacionais, seria crueldade.
Aviso aos navegantes: Donald Trump, o ex-presidente norte-americano, tomou as três doses de vacina e investiu R$ 10 bilhões em pesquisas para desenvolvê-las.
O vírus é neurastênico. Ou, como dizem os especialistas, tão louco que parece existir um para cada paciente, com reações diferentes. Fala-se até que há acometidos pela Covid-19 que curaram câncer. Outro, mais próximo, sofria de hipertensão arterial e parou de usar o remédio diário, ao se sentir curado.
As sequelas mais comuns são fadiga, falta de ar, dores musculares, dor no peito, tontura e cardiopatias em geral.
Tomar vacina ou não tomar? Albert Sabin, o inventor da gotinha contra poliomielite, não teve tempo para a testagem em massa. Foi atrás da Cortina de Ferro, na antiga União Soviética, onde o grande humanista encontrou o público para teste. Os norte-americanos, enquanto isso, perderam tempo e vidas preciosos, até que adotaram o invento do reconhecido cientista.
O mundo tem, enfim, perdido feio para o coronavírus. Líderes, especialistas, entidades internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), falam bobagem em cima de bobagem sobre a peste. Os laboratórios multinacionais faturam bilhões. E quando tudo parece perto do fim eis que surge uma Ômicron, mais transmissível, embora aparentemente menos letal, despejando as bases para a formação de novas cepas, que ninguém sabe que rumo tomarão.
“Só sei que nada sei”, disse René Descartes – ou Sócrates, segundo algumas fontes. Seria melhor partir daí, no lugar de retransmitir fake news, numa militância insana e que só destila veneno. Até por uma razão prática: isso só tira voto.
Lulaminions e bolsominions acordai. O vírus vai tirando nacos expressivos da população brasileira, amigos, parentes, personalidades, enquanto Lula e Bolsonaro se engalfinham pelo poder. O País virou um deserto de propostas. Não é um jogo. É uma luta de vida ou morte. E o coronavírus está ganhando de goleada.
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