22/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Bolsonaro, caminhoneiros, números do Sete de Setembro e Democracia brasileira

Publicado em 09 de setembro, 2021

Bolsonaro, caminhoneiros, números

Bolsonaro, caminhoneiros, números… o Brasil que emerge do Sete de Setembro

As manifestações do Sete de Setembro podem mesmo ter criado um marco na atual Democracia brasileira. Os atos em favor do presidente Bolsonaro, de um lado, e a reação deste ao bloqueio de estradas pelos caminhoneiros mostram que o País está chegando ao estuário. A aproximação da eleição do ano que vem e a falta de força para extremos cumprirem ameaças parecem balizar um suspiro de alívio na conflagração nacional – mesmo aquela ensandecida das redes sociais.

Bolsonaro emerge do Sete de Setembro forte, embora menor do que os discursos anteriores às manifestações preconizavam.

Os atos de Manaus são emblemáticos. Os organizadores afirmam que havia 18 mil na Ponta Negra (Romero Reis), 10 mil no Centro Cultural Povos da Amazônia (Silas Câmara) e 3 mil no Centro (assessoria do Coronel Menezes). Os 3 mil contabilizados pela PM, na Ponta Negra, parecem ter sido subestimados e o engarrafamento provocado por caminhões jogou a impressão de comparecimento para cima.

Certo é que os números totais das três manifestações estacionam no topo dos 33 mil comparecimentos. É expressivo, para um feriado calorento, quando a maioria prefere os balneários. É pouco, diante do eleitorado manauara, contabilizado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) em 1.331.613 eleitores. Não chega a 3%.

Os números das demais capitais, como São Paulo, tampouco, autorizam arroubos de autoritarismo. Brasília, então, diante da ameaça de “atropelar” o Supremo Tribunal Federal (STF) e seus ministros, com multidões, acabou se transformando num fiasco.

 

Rasgo de grandeza

Bolsonaro, porém, acaba de emitir um sinal de grandeza. Foi quando pediu aos caminhoneiros que encerrem o movimento de bloqueio das rodovias. Mesmo que tal movimento tenha sido em favor do fortalecimento do próprio presidente – um contrassenso embalado pelo preço dos combustíveis, que em tempos recentes levou esses motoristas a paralisar o País.

E olhe que o presidente, parecendo errático, promoveu atos que desarticularam a movimentação em seu favor. Como, por exemplo, quando anunciou que sairia de Brasília, epicentro das manifestações, tentando mostrar força no terreiro paulista do governador João Dória. Os apoiadores ficaram órfãos, sem o presidente, que participou apenas do primeiro momento do ato na capital federal. Ou quando manifestou a decisão de aparecer num telão da Praça do Congresso, em Manaus, desprezando os atos (maiores) da Ponta Negra e do Povos da Amazônia.

Ocorre que Bolsonaro, certamente assessorado por pesquisas, sente a aproximação do período eleitoral, da candidatura à reeleição e do risco de derrota. Terá que fazer concessões.

Um caminho, nessa esteira, parece inevitável: o diálogo com os governadores.

A Presidência da República tem, na concentração e liberalidade na distribuição de recursos nacionais, um trunfo precioso no diálogo com os Estados. Bolsonaro, entretanto, tem preferido o confronto.

A eleição trará o momento em que, a título de exemplificação, chamará todos para uma conversa de pé de ouvido e negociará os impostos dos combustíveis. Flexibilizará, também, na medida em que isso passa por decisão dele, a política do preço dos hidrocarbonetos, desonerando gás de cozinha e gasolina, os que mais doem no bolso. Também terá que fazer algo pelo dólar e a inflação galopantes.

Vitória no grito fica cada vez mais distante. É claro que o risco de autoritarismo continua presente, inclusive, e de forma preocupante, em figuras proeminentes.

Radicalismos à parte, o Brasil, conforme o presidente constata no áudio dirigido aos caminhoneiros, não suporta tiros n’água a torto e a direito. Ameaças, rompantes, tentativas de golpes e outras ações que esticam a corda acabam fazendo-a arrebentar no lombo do pobre, o lado mais frágil.

Estabilidade, prudência, diálogo, busca da harmonia, sensatez. É disso que o Brasil precisa. O País precisa respirar.

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