23/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

As lições da pandemia, que os sobreviventes têm a obrigação de colocar em prática

Publicado em 12 de maio, 2021

As lições da pandemia

As lições da pandemia precisam ser apropriadas pelos sobreviventes, até em memória das quase 3,5 milhões de vítimas. Foto: Divulgação

A pandemia de coronavírus, que ainda não terminou, deixa um terrível passivo de mortos e sequelados, físicos e mentais. São mais de 156 milhões de infectados, no planeta, com 3.256.034 óbitos, em números desta quarta (12/05). É como se tivesse perecido toda a população de Manaus e metade do interior amazonense. Ainda assim, o Armagedom ensinou novas formas de convivência humana, revelou fragilidades e, sobretudo, mostrou alternativas para a gestão pública. Colocar esse aprendizado em prática é obrigação de todos, sobreviventes, até para honrar esses milhões que tombaram.

As contas ainda não estão fechadas. Mas, se tantos órgãos públicos transferiram o trabalho em seus prédios suntuosos para casa, qual foi a economia? Quanto todos deixaram de gastar em água, energia elétrica, telefone, limpeza, manutenção e equipamentos? Qual o tamanho da redução do gasto com horas extras?

Um conselho de especialistas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), outro dia, fez a primeira reunião online da história. Com a evolução dos aplicativos (APP) que permitem reuniões na Internet, isso se tornou possível e até corriqueiro. Os conselheiros deixaram de perder pelo menos duas horas, para ir e voltar no trânsito. Os carros deles deixaram de contribuir nos engarrafamentos. Até os “caríssimos” cafezinho e água já podem entrar na conta da economia.

Trânsito, aliás, cujas soluções sempre demandam desapropriações e obras caras, com o recolhimento social ficou uma maravilha.

Processos virtuais, que ainda tinham gargalos e cujas ações diziam mais respeito a advogados e jurisdicionados, agora também são julgados de casa.

Presos perigosos, que impõem terror a magistrados e demandam escoltas pesadas para comparecer às audiências, são ouvidos da cadeia. Isso, embora já fosse prerrogativa iniciada antes da Covid-19, foi executado na prática e mostrou total viabilidade.

Líderes do e-commerce, que acumulam bilhões em lucros, pela primeira vez foram incomodados pela lojinha da esquina. A venda de produtos em plataformas virtuais usou da mais simples mídia social até sofisticados – e novos – sites.

O que, disso tudo, veio para ficar?

Haverá sabedoria entre os humanos para reduzir os megas e luxuosos prédios públicos a espaços menores, mais racionais, onde atuem apenas funcionários realmente essenciais?

Outra pergunta que não quer calar: quanto foi a economia, dado o enorme avanço da inteligência artificial, do poder público com pessoal? Um computador responde a perguntas e soluciona inúmeros problemas pelo telefone. Basta ver Alexa (Amazon), Siri (Apple), Bia (Bradesco), Aura (Vivo) e muitas outras.

Tudo isso precisa ser apropriado pelos gestores. Afinal, em tempos de queda nos PIBs, é preciso reduzir custeio para aumentar o investimento.

A Feira da Manaus Moderna, herança dos tempos em que o gestor fazia as cacas e ninguém discutia, recebe maromba nos anos de cheia grande, como agora. Maromba é o último recurso de ribeirinhos despossuídos, em nome da sobrevivência. Não cabe no ambiente que é o principal fornecedor de alimentos da Capital da Zona Franca. Mas de onde virá o dinheiro para novo prédio, com piso levantado e capaz de enfrentar a subida das águas? A pandemia pode ter oferecido boa parte da resposta.

PS: O funcionalismo público não é, de forma alguma, vilão nessa história. Cada cargo obtido por concurso é mérito. Ponto final. O que se discute é o emprego do dinheiro economizado com os extras cortados. E, com o fim da pandemia e dos auxílios emergenciais, a possibilidade de manter práticas austeras, para sobrar mais dinheiro no combate à fome e à miséria.

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