
O panavueiro da pandemia foi explicado em coletiva pelo governador Wilson Lima (centro), subsecretário estadual de Assistência da Capital da SES, Jair Kenta (esquerda), e o presidente da FVS, Cristiano Fernandes (direita)
O Amazonas saiu do olho do furacão. Os números de óbitos, transmissão, internação e ocupação de hospitais caíram. As medidas de contenção serão flexibilizadas, a partir de segunda-feira (08/03). O Estado perde mais de 11 mil vidas, 51% delas entre janeiro a março deste ano. Foram mais de 5,7 mil óbitos. Uma tragédia. E surge outro problema, embora ocorra todos os anos: a enchente. O governador Wilson Lima chega a falar na “maior enchente de todos os tempos”. Medidas e números, anunciados nesta sexta (05/03), se acumulam. Todos os dados foram divulgados na coletiva online de governador, subsecretário de Saúde e presidente da FVS. Separamos tudo, em tópicos, para melhor compreensão do trágico panavueiro da pandemia. Veja a seguir.
O governador Wilson Lima anunciou reunião com o embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman. Pediu ajuda para comprar vacina de empresas norte-americanas. Mas a compra ocorrerá no consórcio dos Estados e a distribuição das doses será feita no Plano Nacional de Vacinação.
O Amazonas vacinou 254.134 pessoas, 6,04% da população, apenas 37,68% das doses recebidas pelo Estado. Só 1,39% receberam as duas doses. Isso significa que muitos, dos grupos prioritários, ainda não foram em busca da vacina.
Os que não se vacinaram, apesar de fazer parte dos grupos prioritários, são um caso grave. Há ainda, por exemplo, entre os profissionais de saúde – aqueles que enfrentam o dia-a-dia sofrido da pandemia – 12% que não se vacinaram. Idosos, prioritários como público-alvo, são apenas 80% já vacinados.
O Amazonas é o único Estado brasileiro com redução significativa no número de casos. Mesma coisa em relação ao número de óbitos, que reduziram 54%.
Os outros Estados brasileiros experimentam agora o furacão que o Amazonas enfrentou. Há risco de colapso do sistema hospitalar no resto do País. O Amazonas permanece com taxa de ocupação de UTI em 85%. Ainda alta. Altíssima.
O Amazonas já foi o 1º do ranking nacional de transmissão. Hoje, a taxa está abaixo de 1 (0,91), ou seja, para cada 100 casos os amazonenses podem infectar 91 pessoas. O Estado tem a 25ª taxa do Brasil.
Mortalidade reflete o número de pessoas que morreram por cada 100 mil habitantes. Letalidade é o percentual dos infectados que morrem. O Amazonas é o 7º do ranking de casos no País e o 1º na taxa de mortalidade. O Brasil tem 123,4 óbitos por 100 mil habitantes e o Amazonas 267,5 por 100 mil. A letalidade amazonense atinge 3,5% dos casos, atrás apenas de Rio de Janeiro (5,7%) e Pernambuco (3,7%). A taxa brasileira é de 2,4%.
Entre janeiro e março deste ano ocorreram 37% do total de casos registrados na pandemia. Foram 117.081, 55,2% na capital (64.620) e 44,8% (52.461) no interior. O pico da pandemia chegou a registrar 5.009 casos, em 24 horas, dia 20/01. Quinta (04/03), o número caiu para 924 casos.
O Estado tem 318.948 casos confirmados de infectados por coronavírus. Os recuperados chegam a 272.039. Ocorreram 11,087 mil óbitos, 51% deles entre janeiro e março deste ano. Foram 5.765 óbitos. No dia 21 de janeiro, o pico, ocorreram 154 mortes em 24 horas. Na quinta (04/03) foram registrados 45 óbitos.
O colapso de oxigênio, cujo pico foi no dia 14/01, ainda não está 100% afastado, mas a situação melhorou muito. A atual taxa de ocupação de UTI é de 85% e de leitos clínicos 61%.
A faixa etária que mais se contaminou, tanto em 2020 (76,9%), quanto em 2021 (74,9%), é da população economicamente ativa. Fica entre 20 e 59 anos. Os com 60 anos ou mais têm mais óbitos: 74,7% em 2020 e 65,4% em 2021.
Mesmo com as medidas restritivas em curso, nas duas últimas semanas o isolamento social ficou em torno de 50%.
Clínicos não-Covid: existentes 1.282, 79% ocupados. UTIs são 183 não-Covid e 73% ocupados. Leitos clínicos Covid 913, 61% ocupados. UTIs Covid 392 e 85% ocupadas. Os chamados abertos na manhã desta sexta (05/03) foram 109, 37 Covid e 72 não-Covid. São 30 da capital e 79 do interior.
Os hospitais do interior ocupam 33% dos leitos clínicos Covid e 29% dos não-Covid. Salas de estabilização 28% Covid e não-Covid 8%.
Foram removidos para outros Estados 542 pacientes, clínicos 533 e UTI 9. Ocorreram 386 altas e já retornaram 369. Houve 91 óbitos, 16% do total. As altas depois de remoção intermunicipal foram 56 e ocorreram cinco óbitos.
Um dos índices mais dolorosos da pandemia é a taxa de espera por leito de UTI. Hoje, a espera está em 24 horas, no interior, e seis horas na capital. “Os casos que mais demoram é porque houve algum tipo de restrição médica”, explica o governador Wilson Lima.
As salas rosas estão quase vazias. Elas permanecerão abertas para garantir atendimento aos pacientes mais graves. Manaus está na fase vermelha e o interior segue, porque depende de leitos de UTI da capital.
O Amazonas vai retribuir a ajuda que recebeu dos outros Estados e receberá pacientes com Covid-19. As condições para isso estão sendo providenciadas.
O toque de recolher será, a partir de segunda (08/03), das 21h às 6h;
Supermercados, mercadinhos e padarias podem funcionar das 6h às 20h;
Comércio de rua das 9h às 17h, segunda a sábado;
Lojas de som, acessórios, insufilms e similares das 9h às 17h, segunda a sexta, com 50% da capacidade;
Shoppings (atividades permitidas) das 10h às 18h, segunda a sábado, 50% no interior e 70% no estacionamento. Incluindo delivery e drive thru. A praça de alimentação seguirá as mesmas condições dos restaurantes;
Escolas da rede privada podem funcionar, facultativamente, para crianças até 5 anos – creche e ensino infantil. Desde que deem distanciamento social, testagem de professores, álcool gel, acompanhamento de quem tenha sintomas, 50% de ocupação em cada sala;
Restaurantes, lanchonetes e similares, segunda a sábado, 6h às 20h. Delivery 24h e drive thru de 6h às 20h;
Música ao vivo permitida com até três integrantes em cada grupo musical. Não está permitido o uso do salão de dança.
Flutuantes-restaurantes estão autorizados a abrir de 9h às 16h, sem música ao vivo e com 50% da ocupação. Fecham sábados e domingos.
As marinas estão liberadas de 6h às 16h, de segunda a sexta.
Salão de beleza pode funcionar de 10h às 16h, segunda a sábado, nos shoppings. Nas unidades de rua, de 9h às 15, de segunda a sábado. Todos os procedimentos do salão, o cliente precisa estar com a máscara. Procedimentos sem máscara estão proibidos
Academias funcionarão de 6h às 16h, segunda a sábado, com 50% da capacidade. Proibidas aulas coletivas, como zumba e outras danças. Quem não cumprir será fechado.
Restaurantes de hotéis, pousadas e similares podem funcionar com regras dos restaurantes.
Está liberado o transporte intermunicipal de passageiros. A Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (Arsepam) e Municípios de destino detalharão a autorização, no limite de 50% de ocupação dos barcos.
O novo decreto, contendo essas medidas, será publicado este sábado (06/03), entrando em vigor segunda (08/03), valendo por 15 dias. Vai, portanto, até o dia 23/03.
Wilson Lima afirma que existe a possibilidade de o Amazonas ter, este ano, a maior cheia de todos os tempos. Segunda-feira, o governo do Estado apresenta um plano de ajuda às prefeituras.
Ao longo da semana serão apresentados pacotes de ações sociais e ajuda para os setores de turismo, cultura e esporte. São os que entraram cedo nas restrições e talvez os que mais demorarão a sair.
“A gente está muito cansado e tem muita gente que não aguenta mais ficar em casa, como os trabalhadores informais e quem tem criança. Muitos perderam empregos, mas muitos também perderam familiares, pessoas queridas. Não podemos retroagir das conquistas que obtivemos até agora. Isso depende de um esforço conjunto. A luta é de todos nós.” É o apelo do governador.