
Morte de Epaminondas (foto), personagem de Rendeiro, juiz de Direito de Belém (PA), tira do foco um grande divulgador do linguajar caboclo
Ele era juiz de Direito há 25 anos, atuando numa das varas penais de penas alternativas, em Belém (PA). Tornou-se exímio satírico do cotidiano, usando o linguajar caboclo. Cláudio Rendeiro criou o personagem “Epaminondas Gustavo”, criativo caboclo ribeirinho. Ontem (18/01), a família informou o falecimento dele, internado desde o dia 9/01, em hospital particular da capital paraense, com Covid-19. Foi-se um dos maiores divulgadores do jeito arrastado e bem-humorado da cabocada e da força didática desse quase dialeto.
Quem ouvia os podcasts, quando não ria do texto ou do jeito de falar matuto, ria da gargalhada solta do personagem.
A voz de Epaminondas não calou. Poucos dias antes da morte, em áudio, ainda embebido da personagem, mas sério, ele recomendou, num texto do padre Jean Poul Hansen, da Diocese da Campanha, Pouso Alegre (MG):
“Em tempo de recolhimento, em casa, em isolamento suciar, atitude importante para combater este tá de Covid-19.
Faz da tua casa uma festa:
Ouve música, canta, dança.
Faz da tua casa um templo:
Reza, ora, medita, pede, agradece, louva, suplica.
Faz da tua casa uma escola:
Lê, escreve desenha, pinta, estuda, aprende, ensina.
Faz da tua casa uma loja:
limpa arruma, organiza, decora, etiqueta, muda de lugar, vende, doa.
Faz da tua casa um restaurante:
Cozinha, come, prova, cria receita, cultiva tempero, planta uma horta.
Enfim,
Faz da tua casa, da tua família ou das pessoas que convivem contigo,
Um lugar de amor criativo.
Epaminondas Gustavo.
Mas…”
Epaminondas é chão. É o caboclo desgrenhado, suado, pé descalço, morando longe e que, neste momento, está isolado da pandemia. Que o espírito do personagem leve o juiz para um recanto com água, peixe, luz, espaço aberto e recolhimento, como ele tanto amava.
Uma morte sentida, como tantas outras, que enluta o dia a dia cinzento que vivemos.