29/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Maradona, o gênio que marcou com a mão e fez ‘O gol do século’ no mesmo jogo

Publicado em 25 de novembro, 2020

Maradona

Maradona deixou um rastro de genialidade e polêmica, numa vida precoce. Foto: Divulgação

Diego Armando Maradona Franco, falecido nesta quarta (25/11), aos 60 anos, viveu entre a genialidade e a polêmica. O primeiro jogo em Copa contra a Inglaterra, odiado inimigo argentino da Guerra das Malvinas, é emblemático. El pibe de oro (o garoto de ouro) para argentinos e El Diez dos napolitanos marcou um gol com a mão, “la mano de Dios“. E, logo em seguida, na mesma partida, simplesmente “O gol do século”.

Inesquecível. “Se foi com a mão foi La mano de Dios“, disse Dieguito, justificando a infração. Em seguida, veio O gol do século. Nada melhor do que a impagável narração do uruguaio Victor Hugo Morales, para descrever:

“Maradona tem a bola, marcado por dois. Pisa na bola Maradona, arranca pela direita o gênio do futebol mundial… Deixa os adversários pra trás e vai tocar para Burruchaga… Sempre Maradona! Gênio! Gênio! Gênio!… tá-tá-tá-tá… Goooool! Me perdoem, quero chorar! Deus santo! Viva o futebol! Golaço! Maradona em uma corrida memorável, na jogada de todos os tempos! Serpente cósmica, de qual planeta você veio? Para deixar tantos ingleses pelo caminho? Para que o país em um só punho apertado esteja gritando pela Argentina! Graças a Deus pelo Futebol. Graças a Deus por essas lágrimas. Graças a Deus por Argentina 2 Inglaterra 0.”

O craque estava no campo de defesa argentino, driblou seis e marcou quase entrando com bola e tudo, sem passar pra ninguém.

 

Sucesso e desastre

O gênio do futebol foi também o desastre da vida. Estragou a brilhante carreira pelo vício em cocaína. Seus gols percorrem o planeta, da mesma forma que os memes da decadência.

Eis aí, mais uma vez, a constatação da ironia do destino: uma gangorra de sucesso e fracasso, êxito e desastre, genialidade e estultice.

Acontece com quase todo artista – categoria à qual o futebol genial galgou Maradona. Todos querem que o autor corresponda à obra e viva uma vida que agrade aos fãs, acima inclusive da individualidade.

Pelé, maior jogador de todos os tempos, com o qual Maradona chegou a ser comparado, por exemplo, preferiu esconder a vida privada. Não escapou, mesmo assim, de escândalos financeiros. E perdeu um jogo decisivo, a disputa judicial com a filha, pelo reconhecimento da paternidade.

A comunicação digital, que transfere a indivíduos o Quarto Poder, o da mídia, usa ferramentas dos anos de chumbo: patrulha, hipocrisia social e o famigerado “politicamente correto”.

Esquerda e direita patrulham membros e indecisos, nas ditaduras, para “enquadrá-los” no comportamento ideologicamente adequado. O politicamente correto impõe padrões.

 

Ascensão e queda

Maradona tinha 9 anos quando um colega foi aprovado em peneira do Argentinos Juniors. Todos ficaram impressionados com o futebol demonstrado, mas ele disse que precisavam ver “o outro menino”. O técnico Francis Cornejo deu dez pesos para que trouxesse “o outro”. Era um impressionante e já genial Maradona, que faria a primeira apresentação pela seleção Argentina aos 17 anos.

O craque, para não fugir à regra contesta o noticiário. Diz que viveu seu dia mais triste quando foi cortado da Copa de 78 pelo técnico César Luis Menotti. Não foi, portanto, o dia em que foi flagrado no exame antidoping, no Nápoli, ou na Copa de 1994. E que marcou seu melhor gol em amistoso, contra a Colômbia (19/02/1980), pelo Argentinos Juniors, não contra a Inglaterra. Driblou quatro marcadores, saindo da intermediária, antes de finalizar. Tinha 19 anos.

Pelé disse querer jogar futebol com ele no céu. Este portal tem bons correspondentes lá. Mandem as fotos pra gente. Descanse em paz, Dieguito.

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