
Pré-candidatos a prefeito de Manaus buscam espaço, mas o centro da disputa não está em propostas factíveis
Os pré-candidatos a prefeito de Manaus estão “cavando” espaço junto a eleitores. O corpo-a-corpo, no entanto, ainda é pequeno. A maneira mais recorrente, nesse período, são os posts em redes sociais. Ou os chamados “fatos jornalísticos”, a posição do político no noticiário cotidiano. A capital vive um fenômeno diferente da maioria dos Municípios do interior, onde prefeitos candidatos à reeleição se fortaleceram na pandemia. Como o prefeito Arthur Virgílio já usou o instituto da reeleição, a atuação dele contra a Covid-19 não reverte em votos diretos. Ele não é candidato. Veja o que cada um dos principais agentes políticos está fazendo, em relação à sucessão de Arthur.
O governador Wilson Lima decidiu que seu partido, o PSC, não terá candidato próprio. A manobra tirou de tempo diversos candidatos que buscavam o apoio governamental. É o caso de Caroline da Silva Braz, ex-secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc). Significa que Wilson vai se resguardar para o 2º Turno. E que até lá praticará a chamada “musculação política”, com obras e ações diversas, para influenciar no pleito. Depois de se ter livrado do impeachment, na Assembleia, o governador se tornou um “novato encardido”. E sabe que o desempenho dele em novembro, Amazonas afora, estabelecerá as bases políticas da reeleição, em 2022.
O prefeito de Manaus cumpriu um acordo antigo e anunciou que apoiará o ex-prefeito, ex-senador, ex-ministro e ex-deputado federal Alfredo Nascimento. Este, por outro lado, parece ter entendido a lição da eleição de 2018, quando desistiu do apoio de Arthur para o Senado e concorreu, para perder, à Câmara Federal. Plínio Valério entrou na brecha aberta e hoje é senador. Aguarda-se o tamanho do empenho de Arthur. Que, por outro lado, está fortalecido pelos viadutos da Constantino Nery e prestes a inaugurar o do Manoa, que repercute no grande colégio eleitoral da Cidade Nova. Depois de 2016 e 2018, quando obteve resultados surpreendentes, ninguém mais duvida da capacidade do prefeito de Manaus em articular eleições. E uma constatação: Arthur raciocina com muito mais frieza quando não está diretamente na disputa.
Líder em todas as pesquisas, o ex-senador, ex-triprefeito e ex-tetragovernador Amazonino Mendes joga com os números. Piso alto, começando acima dos 20%, ele praticamente chegou ao teto, em torno de 30%. Resta saber se o Negão ainda tem capacidade para buscar dinheiro para a campanha, se já raspou o fundo do tacho dos apoiadores ou arriscará o “fundo próprio”. Aos 81 anos, em novembro, diabético e com diversas outras comorbidades, Amazonino sempre foi “matreiro” na chamada “guerra com a espada embainhada”, o período pré-eleitoral. Pesquisas qualitativas o apontam como nome certo no 2º Turno. E, ao mesmo tempo, o mais frágil de todos na disputa direta.
Os próximos movimentos de David Almeida serão decisivos. A escolha do vice, por exemplo, que em 2018 recaiu sobre o vereador Chico Preto, será fundamental. Segundo nome nas pesquisas atuais, o ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-governador interino terá nos calcanhares todos os demais pré-candidatos. Amazonino, o líder, deve ser “deixado para lá”, à espera do 2º Turno. E a disputa se volta para o segundo lugar.
O ex-presidente da Assembleia Legislativa Ricardo Nicolau embarcou no sucesso do Grupo Samel na pandemia. Tem sido o candidato mais articulado nas alianças partidárias e deve reunir o maior número de partidos. Um exemplo é o PSB, de Serafim Corrêa, que abriu mão, oficialmente, da própria candidatura para apoiá-lo.
O deputado federal mais votado do Amazonas, em 2018, sumiu na Câmara Federal. Agora, depois de perder para Sinésio Campos e barrá-lo no “tapetão”, Zé Ricardo é o candidato do PT. Espera emplacar novamente o papo de “o cara da Kombi”. Montado na estrutura vultuosa do PT, em eleições anteriores, ele chegou perto do topo. Agora, sem essa estrutura, as chances dele reduzem drasticamente.
O presidente Jair Bolsonaro está presente na eleição para a Prefeitura. O deputado federal Pablo Oliva foi o primeiro a perder as chances de obter o apoio dele, envolvido em escândalo investigado pelos colegas delegados da PF. Depois, o próprio Bolsonaro disse que não apoia ninguém, tirando a escada de Alberto Neto, Romero Reis e Alfredo Menezes. Menezes, porém, parece ter afinado com o ex-comandante, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão. O grupo só tem expressão unido. Ou não sobrará chance alguma.
O pleito de novembro tem muitos candidatos. São mais de 20. Nenhum conseguiu cravar uma proposta de peso para a cidade. Aí estão incluídas aquelas propostas faraônicas, irrealizáveis, o paraíso na terra. Fica a impressão de que sobra vaidade e falta sinceridade de propósitos.
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