
O dia que choveu aviões, numa blitzkrieg (foto) eleitoral, tentando virar eleição com base em pesquisa fraudada ou furada
Aviões? Anfíbios Cessna Caravan, Bandeirantes e King Air. Até helicópteros foram deslocados da capital para a Ilha Tupinambarana. Sim, mais de um. Por quê? Uma pesquisa, descaradamente fraudulenta, apresentava possibilidade de virada na eleição para prefeito. Manobra semelhante foi usada para neutralizar um dos principais redutos de disputa pelo Senado, anos depois.
O esquemão, contra o prefeito – fala-se em 36 aviões e que parecia essa nuvem de gafanhotos que vem aí! -, foi coroado pelo envio do funcionário mais próximo do mandatário de plantão. Ele portava, dizem, porque esse povo fala muito, sacos com R$ 10 milhões, que seriam usados para comandar a virada.
O avião que levava o funcionário sofreu uma turbulência no caminho e pelo menos R$ 4 milhões caíram sobre a Floresta Amazônica. Num lugar ermo. Chegaram só R$ 6 milhões. Uma cobra-grande das bem porrudas deve ter descoberto algum sabor nas notas de R$ 100 e comeu tudo.
Manhã bem cedo do dia da eleição e os caboclos, antes mesmo da missa na matriz, viram a revoada de aviões rumo às comunidades rurais. As lideranças, candidatos a vereador ou presidentes de comunidades, chegavam verdes, por causa dos sacolejos na primeira viagem aérea.
Os cabos eleitorais, candidatos ou não, recebiam o dinheiro com a promessa, bem clara: “Se a gente virar, tem mais”.
Os líderes, enviados especiais da virada, pararam por volta das 16h para tomar um Whisky, preparar a volta e deixar pronta a festa da vitória.
Por que estou contando tudo isso? Porque naquele tempo o dinheiro jorrava nas campanhas políticas. E será que, depois de todo o sofrimento da pandemia, alguém se arriscará numa empreitada dessas? De onde jorraria a grana?
O “alvo” da blitzkrieg, naqueles tempos idos, ganhou a eleição fácil. Parintins, hoje com 114 mil habitantes, não tem 2º Turno, reservado às cidades com mais de 200 mil moradores.
Os líderes daquele movimento se gabam, para aliviar o amargo sabor do fracasso, de terem criado estratégia que seria vitoriosa dois anos depois. Aí a disputa era pelo Senado, envolvia lideranças nacionais e a história é outra.
Agora, véspera da eleição municipal, que deverá ocorrer em 15 de novembro, Parintins ouve rumores. Dizem, ninguém sabe se é verdade, que pesquisa eleitoral da empresa que não erra no Amazonas, há décadas (também não permite divulgação de seus levantamentos), é devastadora.
O prefeito Bi Garcia emerge da pandemia de Covid-19 com mais de 80% de aprovação. No auge, com colapso do sistema de saúde da capital, deixou Parintins com apenas nove horas fora do Toque de Recolher. Depois criou uma ronda de ônibus, com médicos, enfermeiros e técnicos em saúde, atendendo e distribuindo remédios nas casas. Na hora das dúvidas, em iniciativa pioneira no Estado, foi lavar ruas e logradouros com hipoclorito.
Falam que, desta vez, esse pessoal fala muito!, está sendo montada uma caravana de barcos, numa espécie de dinheiroduto, entre Manaus e Parintins. Na crença de que “ainda dá pra virar”.
Só para lembrar: banzeiro também dá turbulência, barco balança, o rio Amazonas tem grande fundura… E a cobra-grande manda avisar que gostou do gosto das cédulas.
O caboclo parintinense, além do mais, quando vê muita esmola desconfia. Pense num sujeito ladino na política.
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