
Eledilson Colares e Robson Franco integraram equipe de esportes de A Crítica. Na foto, da direita para a esquerda: Lúcia Carla, Carla Yael (no alto), Ana Paula Freire, Sávio do Flamengo, Eledilson Colares e Marcos Santos
O time era forte. O desafio grande. O Campeonato Amazonense tinha jogadores, dupla de policiais, trio de arbitragem e a equipe de esportes de A Crítica. A arquibancada podia estar vazia, mas o texto do jornal ressaltava os melhores momentos e lamentava a ausência do público. Essa equipe, comigo de editor, era vitoriosa e seguiu vencendo pela vida. Nela estavam Eledilson Colares e Robson Franco.
Robson e Eledilson foram vítimas da pandemia de Covid-19.
Robson viu antigas complicações de saúde se agravarem, no justo momento do colapso do sistema de saúde. Pegou dengue, seguida de infecção estomacal bacteriana, ficando sem se alimentar por três semanas. Diabético, perdeu 25 quilos. Evitou hospital, até perto do fim, para evitar o contágio por coronavírus. Internado, às pressas, não resistiu e faleceu, dia 20/04.
Eledilson estava em Coari e lá contraiu o coronavírus. O quadro se agravou e ele foi transferido às pressas para Manaus. Foi direto para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do hospital Nilton Lins, onde não resistiu. Faleceu hoje (quinta, 04/06).
Robson e Eledilson eram repórteres, digamos, pouco comuns. Aprendi a respeitá-los, defendê-los diante das demais chefias e tirar o máximo deles. Naquela equipe, por outro lado, quem era comum? Talvez só o editor. Veja:
Ana Paula Freire, sub-editora, enveredou pelo caminho da ciência e, pós-doutora, se tornou palestrante reconhecida. Carla Yael, a outra sub-editora, continua no jornalismo, mas se tornou uma das mães mais admiráveis que se possa imaginar. É mãe de maravilhosos e especiais filhos adotivos, pelos quais se desdobra até o limite.
Os repórteres? Eledilson e Robson tiveram em suas mortes diversas homenagens. Lúcia Carla, que está à direita na foto ilustrando esse texto, foi secretária estadual de Comunicação de dois governadores e é secretária de Governo do terceiro, Wilson Lima.
Tivemos outros repórteres: Dora Tupinambá, presidente do Sindicato dos Jornalistas. Cláudia do Vale, assessora do Implurb e indispensável colaboradora deste portal. Nélson Brilhante, Gerson Severo, Diamantino Jr., Isaac Jr., Roseane Mota, Dessana Camila, e vários outros, saíram pela vida fazendo sucesso.
A editoria chegou a ter editor, dois sub-editores e dez repórteres. Era uma demonstração clara da visão de Umberto Calderaro e, depois, Cristina, Bosco Araújo e Frânio Lima, quanto à importância do esporte.
Alguém, em visita ao gabinete da diretoria, discutindo outras questões, virou-se para mim e disse: “Parabéns. O caderno hoje tem matéria local de todos os esportes”. E tinha briga, todos os dias, se não tivesse.
A foto, acima, é da visita de Sávio, craque do Flamengo, à redação. Ele integrava a Seleção Brasileira, que, no dia seguinte (22/05/1996), empataria com a Croácia por 1 a 1, no segundo estádio Vivaldo Lima.
Essa turma toda enfrentou com galhardia a gozação da redação, quanto a gente pedia foto de esporte na primeira página. E depois riu e gozou muito, quando Antônio Pizzonia, jiu-jítsu, natação e o Campeonato Amazonense, São Raimundo à frente, tornaram-se presença obrigatória na capa do jornal.
O mérito é de toda uma geração de grandes esportistas. Do esforço do pessoal de TV e rádio, que soube dar valor à matéria-prima de qualidade. De gente como Eledilson Colares e Robson Franco, que agora nos enchem de saudades.
Vão em paz, companheiros. A gente de vez em quando vai escrever umas linhas, por aqui, para matar as saudades e não permitir que vocês sejam esquecidos.
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