
O lado democrático da crise é que o Covid-19 (ilustração) atinge a todos e exige cooperação muito além de interesses menores
Há uma máxima que perdura em todas as crises de saúde no Amazonas. Incluindo a Operação Maus Caminhos, com o desvio de R$ 500 milhões, que estão sendo cobrados duramente agora. “Sempre há o avião, como nosso melhor hospital”. Agora, com o sistema aéreo em colapso, fecharam essa saída. Democraticamente. Para ricos e pobres.
A saída? Cooperação. Todos estão no mesmo barco e dar pontapés para tentar preservar a vaga no bote salva-vidas não vai funcionar.
O Covid-19 pegou o mundo de calças curtas. Nem a China, com a pujança econômica que cresce acima de dois dígitos, ano após ano, nem Estados Unidos, o topo do capitalismo mundial, estavam preparados.
New York empilha caminhões frigoríficos, enquanto aguarda a definição do que fazer dos corpos. A China fechou hospitais, comemorou o fim da pandemia e agora voltou a mobilizar tudo, com nova infestação do povo.
Sim, a crise na saúde do Amazonas apareceu há, pelo menos, três anos, ainda na gestão José Melo. E começou antes porque, parafraseando Nelson Rodrigues, o caos é uma obra conjunta, não pode ser construído individualmente. Depois veio a deposição dele e o roubo descarado, revelado pela Operação Maus Caminhos.
Agora, antes da crise do Coronavírus, o governo se debatia, como o personagem do desenho “A era do gelo”, tentando tapar os buracos. A peneira, porém, continuou vazando, com atrasos nos salários de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. E resistência, muita ação contrária, do status quo, alguns dos quais tentam tudo para se “agasalhar”.
Esse caldo caótico, que só piora há três anos, desde 2017, tem como escoadouro a crise do Covid-19.
A solução? Menos crítica e mais ajuda. Apontar o caos é chover no molhado. A hora, como dizem os marqueteiros da política, de ciscar para dentro, cooperar, ajuntar.
Um exemplo? Um cidadão desceu do ônibus, com dificuldade de respirar, e se escorou na parede ao lado de uma loja, ainda aberta. Os funcionários, usando máscaras, ficaram olhando para ele. Alguém, que gravava a cena em vídeo, grita aos quatro ventos: “Chama uma ambulância!!!”. Ninguém, nos diversos carros estacionados, pensou que podia levá-lo ao hospital e, muito provavelmente, salvar-lhe a vida.
Medo de contaminação? A máscara estava disponível. Chegar em casa, deixar roupa, inclusive sapatos, em um saco à parte e tomar um banho resolveria, dizem os especialistas. A vida, agonia e provável morte de um ser humano, essas são irremediáveis.
Ajudar como? Que tal começar apoiando os profissionais de saúde? Pense. Seremos milhões de mentes buscando saídas. O pico da crise ainda não chegou, mas desespero não ajuda em nada.
Como? Os políticos parlamentares, por exemplo, têm bilhões em “verba de gabinete”, “auxílio paletó”, gasolina, auxílio disso, auxílio daquilo. Como estão todos em casa, trabalhando online, essa verba não pode ser usada. Que tal fazer um bolo e devolvê-la ao orçamento? Ou discutir uma destinação específica, como financiar a produção de respiradores?
A pergunta que não quer calar, afinal, é, além de sugerir um monte de medidas, em desespero autopromocional, do que esses políticos abriram mão até agora? Emenda parlamentar ajuda, mas ainda é dinheiro do Executivo.
Que todos tenhamos fé, esperança e amor.
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