
Mourão candidato ao Senado, conforme lançado pelo empresário Fred Melo, pode ser uma indicação de que o vice quer deixar o caminho livre para Bolsonaro. Foto: Reprodução FaceBook
O tabuleiro da política está se movimentando. O empresário Fred Melo lançou o vice-presidente da República, general Mourão, para senador no Amazonas, em 2022. Melo tem ligações palacianas e pode estar dando uma direção importante: o vice atual não seria repetido, numa candidatura à reeleição do presidente Jair Bolsonaro. Seria a vez, ao que tudo indica, do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Ou, no mínimo, o presidente teria liberdade para se movimentar no arco de alianças. A presença de um Mourão sorridente na foto, ao lado do empresário, parece indicar concordância com a postulação.
O ano de 2022 disponibiliza apenas uma vaga por Estado no Senado, a do senador Omar Aziz (PSD-AM). Ou seja, Hamilton Mourão teria que enfrentar eleição concorrida no Amazonas. Estará no páreo, entre outros concorrentes prováveis, o prefeito Arthur Virgílio. Mas nada que não possa ser arranjado numa boa conversa.
Anote: David Almeida, Josué Neto, Marcos Rotta e Romero Reis estão na fila dos prefeituráveis de Manaus. Amazonino Mendes, Conceição Sampaio, Alfredo Menezes e Silas Câmara também podem concorrer. E até o vice-governador Carlos Almeida voltou a ter presença nas ruas, demonstrando apetite para o pleito deste ano.
O panorama da eleição de 2018, com “o novo” disparando à frente, dificilmente se repetirá. Haverá muitas candidaturas à reeleição, com as máquinas, como sempre, falando forte. E as peculiaridades do cargo de prefeito são diferentes das de governador e presidente. Alguém que queira seguir os passos de Bolsonaro e Wilson Lima dificilmente obterá êxito.
Bolsonaro deve devolver a 8% a alíquota do IPI do Polo de Concentrados da Zona Franca de Manaus (ZFM). Isso ocorrerá, porém, somente a partir de 1º de março.
As negociações da indústria com o governo ganharam novo viés. Coca-Cola e Ambev, entre outras grandes instaladas em Manaus, topam os 8%. Desde que a Receita Federal (RF) pare de judicializar o crédito do IPI a que têm direito. Nem mesmo com o Supremo Tribunal Federal (STF) julgando o crédito legal, constitucional e devido, a RF interrompeu a prática.
A manifestação dos moradores de Presidente Figueiredo, contra a redução da alíquota do IPI, foi tímida. O Município é beneficiado diretamente com 6 mil empregos da Fazenda Jaioro, produtora de cana-de-açúcar. As indústrias só têm direito ao crédito do imposto se utilizarem matéria-prima amazonense. Daí que a Joiro é peça fundamental nessa engrenagem. O movimento de domingo foi pequeno e pareceu artificial, com faixas e o prefeito Romeiro Mendonça fazendo discurso.
É importante, para apoiar o trabalho da bancada federal do Amazonas, que os beneficiários dos empregos se manifestem. Maués, onde é produzido o xarope de guaraná, além de Figueiredo, precisa entrar nesse jogo. Vale tudo para manter as autoridades em Brasília antenadas para a grande bobagem que é retirar o subsídio desse polo da ZFM.
O senador Omar Aziz deu 72 horas para o ministro Paulo Guedes resolver o problema do IPI do Polo de Concentrados. Transcorreu o prazo uma, duas, três vezes e… nada. Espera-se, agora, a retaliação prometida por Omar.
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