03/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Um oi que trouxe a torcida do Caprichoso para cantar com Arlindo e entrar na arena do Bumbódromo

Publicado em 30 de dezembro, 2019

Um oi que trouxe a torcida do Caprichoso

Um oi que trouxe a torcida do Caprichoso para mais perto de apresentador e levantador virou a marca de Arlindo Jr.

Era um simples “oiiiii”. Mas a torcida do Caprichoso se ouriçava na arquibancada e começava a cantar junto. Era o “oiiii” da voz poderosa e carismática de Arlindo Jr., depois consagrado como “O pop da selva”.

O ano foi 1989 (ano corrigido, veja nota de rodapé*). Já vai longe e talvez muitos não entendam o significado do momento.

Paulinho Faria, cantando e apresentando, dominava com maestria a torcida do Garantido. Levantava o microfone e a torcida já sabia o que fazer. Essa empatia rendia títulos e dificultava demais o trabalho do Caprichoso.

A torcida azul e branca ia ao tablado ou Bumbódromo – de madeira, até 1987 – para “apreciar” o boi. O envolvimento era difícil. A gente terminava as apresentações com os pulmões em pandarecos, tentando motivá-la. O “oiiii” de Arlindo colocou o Caprichoso no jogo. Foi um grande alívio, iniciando a festa contagiante que hoje vem das arquibancadas do bumbá.

Arlindo Jr. entrou no Boi Bumbá pelas mãos do falecido ex-presidente do Caprichoso Rubem dos Santos, José Carlos Portilho, Acinélcio Vieira e Odinéia Andrade. O cantor não se cansava de lembrar disso. Primeiro, ele o convidou para fazer backing vocal para Rei Azevêdo, no vinil oficial do Caprichoso. O outro backing? David Assayag.

O Pop atraía multidões para o pagode do grupo “Levanta Poeira”, no bar Marajá, de Afonso Rodrigues. Tinha sido convidado para um aniversário em Parintins e foi ficando, ficando, se entrosando… E acabou no curral, no Bumbódromo e na história do Festival de Parintins.

O sucesso da estreia, em 1988, se espraiou para Manaus. Arlindo virou carro-chefe do Bar do Boi, na TVlândia, auge do Movimento Marujada na capital. O sucesso era tanto que, sob a presidência de Sérgio Viana, o Movimento, criado para comprar tambores para a Marujada de Guerra, chegou a bancar o boi inteirinho.

Só por curiosidade: esse “boi inteirinho” custou, à época, US$ 300 mil. E foi um boi grande, um dos maiores da história, no agigantamento das alegorias do Festival de Parintins, comandado por Simão Assayag.  Por cima, hoje, isso daria R$ 1,5 milhão. Por isso é tão difícil entender o débito de R$ 13,4 milhões do Caprichoso e outro tanto do Garantido.

O Pop da Selva, enfim, merece todas as homenagens que recebe.

Fez da luta contra o câncer seu melhor momento, sem abandonar o palco e reverenciando amigos, carreira, toada, música.

Fica a lembrança das peraltices que fizemos, naquele 1988, quando a diretoria do Caprichoso teve que nos confinar numa casa. Ou não teria apresentador, nem levantador nos dias 28, 29 e 30.

Descanse em paz, parceiro. O Caprichoso e o Festival de Parintins jamais esquecerão seu legado.

 

* Arlindo começou em 1989 e não em 1988, como escrito anteriormente. Falha de memória.

Veja mais notícias em Opinião

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.