
Viagem pelo Centro de Manaus, em fotos como esta, das calçadas da Praça São Sebastião , Monumento da Abertura dos Portos no Brasil e Teatro Amazonas. Fotos: Marcos Santos
Manaus tinha o principal item da pauta de exportação brasileira, o látex, a matéria-prima da borracha. Todo carro deveria trazer um símbolo da capital amazonense, cujos extrativistas impulsionaram a indústria automobilística mundial. Pelas ruas se ouvia os diversos idiomas europeus e os filhos dos barões dividiam-se entre Paris e Londres. Um pouco desse sotaque permanece na arquitetura do Centro da cidade, expressão do Período Áureo da Borracha, também conhecido como Belle Époque.
Caminhar no Centro, com as ruas desertas, na manhã de domingo, é viajar na história. É só concentrar o olhar nos prédios, a começar, claro, pelo Teatro Amazonas e seu entorno. Mas também prestar atenção nas casas revitalizadas. E, principalmente, nos detalhes que enfeitam as fachadas, como os vitrais e o frontispício do Mercado Adolpho Lisboa. Que, aliás, foi inspirado no Les Halles, de Paris, e concebido pelo engenheiro Gustave Eiffel, também autor da Torre Eiffel.
O abandono e a revitalização caminham lado a lado. Como no prédio do Pavilhão Universal, recém-recuperado pela Prefeitura de Manaus, e o Edifício Tartaruga. Ocupado pela Defensoria Pública, quando esta tinha status de secretaria, ele hoje emoldura a reforma da praça e do Pavilhão. O contraste é terrível e pede reparação urgente.
O quadrilátero representado pelas avenidas Ramos Ferreira, Eduardo Ribeiro e Joaquim Nabuco, até o rio Negro, tem muitas dessas joias. Todo esse espaço foi tombado pela Câmara Municipal de Manaus, em projeto do então vereador Robério Braga. Robério é autor do livro “Manaus na palma da mão”, um guia que traz a história dos prédios.
A área recebeu árvores de Natal e neste fim de ano fica ainda mais bela.

O Teatro Amazonas, inaugurado no Réveillon do Século XX, agora está emoldurado por bela árvore de Natal

As calçadas da Praça de São Sebastião, feitas pelo paisagista Burle Marx, que inspiraram as famosas calçadas de Copacabana, no Rio de Janeiro

Relógio Municipal, obra feita na Suíça, um marco da área central

Porto de Manaus, que se chama Roadway porque foi construído e arrendado por ingleses na Belle Époque

O Palacete Provincial, na praça da Polícia, antigo Quartel General da PM no Amazonas, hoje abriga a Pinacoteca do Estado, Museu da Imagem e Som, valiosa coleção de moedas (numismática). Abriga um total de cinco museus

Biblioteca Pública, na rua Barroso, esquina com a avenida 7 de Setembro, guarda, entre outras coisas, um exemplar de cada jornal já publicado em Manaus

Mercado Adolpho Lisboa, obra de Gustave Eiffel, o arquiteto que também projetou e deu nome à Torre Eiffel, de Paris

Este prédio, na 7 de Setembro, foi completamente queimado, num incêndio até hoje não explicado. Voltou a ser belo, como se vê, depois da restauração

Barcos na avenida Manaus Moderna, em frente à feira do mesmo nome e do Mercado Adolpho Lisboa. São eles que transportam mais de 90% da população e das mercadorias entre a capital e o interior amazonense

Prédio do Luso Sport Club, um símbolo da presença portuguesa na colonização da Amazônia

Igreja de São Sebastião, que dá nome ao entorno do Teatro Amazonas. Inaugurada em 1888 e elevada à categoria de paróquia em 1912. Foi tombada em 1988 como Patrimônio Histórico pelo Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico do Amazonas (CEDPHA)

Catedral Metropolitana de Manaus Nossa Senhora da Conceição, também chamada de Igreja Matriz. A praça no entorno foi recentemente reformada pela Prefeitura

Casa reformada no Centro de Manaus, na rua Monsenhor Coutinho, numa demonstração do potencial de beleza da área

Pavilhão Universal, recentemente reformado, mas prejudicado pelo visual do prédio antigo da Defensoria Pública do Estado…

… e o Pavilhão Universal sem a visão do prédio abandonado e depredado. Fica bem melhor

Frontispício do Mercado Adolpho Lisboa, em detalhes que demonstram o cuidado da obra várias vezes reformada

Vitrais do Adolpho Lisboa, visto de dentro, com o rio Negro descortinando ao fundo

Fechando com chave de ouro, nada melhor que um café da manhã bem fornido no Mercadão (Adolpho Lisboa), com o famoso X-Caboquinho (pão, queijo coalho e tucumã), omelete e tapioca com tucumã e queijo. E a cerveja Corona? Um detalhe que mostra a sofisticação do local
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