
Equipes de emergência trabalham entre escombros em busca de sobreviventes; autoridades temem aumento no número de vítimas (Foto: Reprodução)
As equipes de emergência entraram, nesta terça-feira (11), no segundo dia de buscas por sobreviventes após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a região oeste da Colômbia. Bombeiros, policiais, soldados e voluntários trabalham entre prédios desabados e casas destruídas, enquanto as autoridades avaliam que o número de mortos pode aumentar.
O tremor, considerado o mais forte registrado no país em décadas, atingiu principalmente a região cafeeira e deixou pelo menos 164 mortos. Cidades como Cali, Pereira e Manizales registraram graves danos estruturais.
Em Cali, cidade com cerca de 2,2 milhões de habitantes, pelo menos 85 pessoas morreram. Dezenas de prédios ficaram inclinados ou foram completamente destruídos, levando moradores a deixar suas casas e se refugiar nas ruas.
Parte de um hospital da cidade, incluindo andares destinados ao atendimento pediátrico, desabou. Alguns pacientes ficaram soterrados, enquanto cerca de 600 pessoas precisaram ser atendidas em uma rua tomada por escombros, segundo a diretora da unidade, Irne Torres Castro, em entrevista à emissora Caracol.
As buscas seguiram durante toda a noite. As equipes utilizaram escavadeiras e, em alguns pontos, trabalharam com as próprias mãos para tentar localizar pessoas sob os destroços.
Carmen Yasmin Garcia, de 43 anos, moradora de Cali e voluntária nas operações de resgate, contou que seu grupo havia retirado sete pessoas de um prédio destruído. Outras quatro vítimas e um cachorro permaneciam presos sob os escombros.
“Há pouco tempo ouvimos barulhos, mas agora não conseguimos ouvir nada; ainda temos fé de que o cachorro está vivo e que conseguiremos resgatar essas pessoas”, disse Garcia. “Precisamos de pessoas com equipamentos; quanto mais gente ajudar, melhor.”
Em Pereira, capital do departamento de Risaralda e uma das áreas mais atingidas, as autoridades contabilizaram 66 mortos.
A cidade registrou extensas áreas destruídas, com quarteirões inteiros reduzidos a concreto e estruturas metálicas. Imagens verificadas pela Reuters mostram o aeroporto de Pereira balançando durante o terremoto, enquanto grandes partes do teto desabavam e pessoas procuravam abrigo.
Outras 13 pessoas morreram em Chocó, região rural próxima ao epicentro do terremoto.
O presidente Abelardo De La Espriella, que assumiu o cargo há poucos dias, anunciou o envio de 1 mil integrantes das forças de segurança para Cali até o amanhecer, após relatos de saques.
Cali e Pereira decretaram toque de recolher durante a noite de segunda-feira (10).
“Nossa intenção é cooperar de todas as formas necessárias. Aqui, não há distinção nem divisões ideológicas quando se trata de defender nosso povo ou demonstrar solidariedade”, declarou De La Espriella a jornalistas.
O terremoto foi comparado ao desastre de 1999, que devastou a mesma região cafeeira e matou mais de 1 mil pessoas. A tragédia também ocorre após os terremotos que atingiram a vizinha Venezuela em junho e deixaram mais de 6.300 mortos.
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