08/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Wilson Lima solta farpas em Amazonino, Arthur e oposição durante coletiva. Conheça o panavueiro nas entrelinhas

Publicado em 20 de dezembro, 2019

Wilson Lima solta farpas

Wilson Lima solta farpas para todos os lados na coletiva, enfileirando deputados estaduais ao lado

O governador Wilson Lima não poupou críticas a opositores, em entrevista coletiva, depois dos duros ataques ao sistema estadual de saúde. O ex-governador Amazonino Mendes foi acusado de estar por trás dos deputados estaduais Wilker Barreto e Dermilson Chagas. Os dois falam em impeachment do governador. Wilson lembrou que Dermilson foi o líder de Amazonino até dezembro passado. E que Wilker se candidatou na chapa do ex-governador. “Todos sabem a quem os dois estão ligados”, disse o atual governador. Cutucado por perguntas, ele não poupou adversários. Tudo indica que, com a eleição 2020 como cenário, a contenda política esquentou de vez.

 

Coletiva x café da manhã

Um café da manhã, também nesta sexta, convocado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Josué Neto, é revelador. Neto teve ao lado os deputados Dermilson Chagas, Wilker Barreto, Terezinha Ruiz e Maiara Pinheiro. A maioria dos outros 19 perfilou ao lado de Wilson Lima.

 

Impeachment

Um impeachment, a cassação de titular no Poder Executivo brasileiro, tem que preencher dois requisitos. O primeiro é técnico, por se tratar de procedimento jurídico. O segundo é político, ou seja, maioria no parlamento. Wilker e Dermilson podem ter usado a bala de prata cedo demais.

 

Saúde básica

Wilson Lima disse que 80% dos atendimentos no hospital Delphina Aziz são decorrentes de deficiência na saúde básica. É um ataque direto ao prefeito Arthur Virgílio, já que Unidade Básica de Saúde (UBS) é com Prefeitura. O governador disse que pacientes sem medicamentos contra diabetes ou hipertensão sofrem AVCs e ocupam leitos de alta complexidade. Arthur havia criticado segurança e saúde, na administração estadual.

 

Problema antigo

A disputa Governo-Prefeitura em torno da saúde é antiga. Em 1997, depois de eleger Alfredo Nascimento prefeito, o então governador Amazonino Mendes o culpou pela crise na saúde estadual. “É a falta de atendimento básico que faz lotar os prontos-socorros e grandes hospitais”, dizia Amazonino. Alfredo, na época, tinha como carro-chefe de propaganda justamente o programa Saúde da Família, de atenção básica.

 

Caso de Ícaro

A morte do menino Ícaro Davi de Castro Ferreira, de 3 anos, foi um dos temas da coletiva desta sexta. Levou o diretor-clínico do hospital Francisca Mendes, médico Mariano Terrazas, à coletiva do governador. Terrazas disse que um equipamento de ventilação não funcionou, durante a primeira tentativa de cirurgia em Ícaro, segunda (16/12). O problema foi detectado pelo anestesista, no momento em que os cardiopediatras iam iniciar o procedimento. O aparelho foi reparado e a cirurgia retomada na quarta (18/12), quando a criança faleceu.

 

Caso de Ícaro (2)

Mariano Terrazas explicou que Ícaro, portador da Síndrome de Down, não tinha as duas válvulas do coração. Precisou de máquinas externas para suprir funções do coração e do pulmão. “Ele estava na UTI (segunda) e voltou para a UTI. Não morreu porque a cirurgia foi adiada em dois dias. Morreu porque, está na literatura médica, a estatística de morbidade é alta nesses casos”, disse o diretor-clínico.

 

Convênio com SP e EUA

Wilson Lima anunciou que crianças cardiopatas do Amazonas terão cobertura ampliada. Um convênio da Susam permitirá tratamento no Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto. A norte-americana Fundação Children’s Heartlink ajudará. “O Estado entra com o Tratamento Fora do Domicílio (TFD). O hospital faz o tratamento pelo SUS e a fundação abriga nos 21 dias previstos do tratamento”, explicou.

 

Instituto do Coração

O Amazonas também está reativando convênio com o Instituto do Coração (Incor), referência nacional em Cardiologia. Virou escândalo nacional a revelação das contas antigas e altas não pagas do Amazonas com grandes hospitais do País. Albert Einstein e Sírio-Libanês estavam na lista dos maiores credores. O Incor, também, tinha débitos em aberto que, pelo visto, foram sanados.

 

Pacientes em triagem

Quatro pacientes enviados pelo Amazonas serão operados em São José do Rio Preto, toda semana. Os primeiros já estão sendo triados no hospital Francisca Mendes. Casos mais graves, porém, continuarão sendo atendidos na unidade manauara. Mariano Terrazas afirma que o Francisca Mendes está entre os dez maiores hospitais especialistas do Brasil em cardiopatias. Faz parte de uma elite onde estão Incor e Albert Einstein, de São Paulo, e poucos outros.

 

Escândalo

Wilson afirma que tem sido criticado por quem teve interesses contrariados na administração estadual. Citou como exemplo a compra de 54 digitalizadores para o interior, por R$ 11 milhões. “O Estado gastou R$ 180 milhões em aluguel desses equipamentos, nos últimos oito anos”, afirmou. É um escândalo. Prato cheio para o Ministério Público.

 

Obras

Ampliação e reforma do hospital João Lúcio. Reforma da Maternidade Balbina Mestrinho, com mais 30 leitos, até começo de fevereiro. Ampliação da oferta de cirurgias no Delphina Aziz, onde foram habilitadas 40 UTIs e só havia 10 funcionando. As obras foram anunciadas na coletiva. Sintomas de Wilson Lima percebeu que 2020 não abrigará mais as culpas dos governos passados. E que há sinais de vida, no que tange à saúde financeira do Amazonas.

 

Unisol

Paira a necessidade de informações sobre o trabalho da Fundação de Apoio Institucional Rio Solimões (Unisol) no Francisca Mendes. A Justiça mandou que o Estado rompesse o convênio com ela. O governador pactuou uma transição, começando dia 4/12, por três meses.

 

Aviso ao secretariado

Wilson Lima sorriu, meio sem jeito, mas deixou um recado forte, na coletiva: “Todo secretário, a partir da hora em que é nomeado, sabe que pode ser demitido”. Para bom entendedor…

 

José Melo

O ex-governador José Melo reapareceu. Ele foi na posse do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Mário Mello. Estava incomodado. Foi a primeira vez que apareceu em público, após a cassação e prisão. A figura de um ex-governador encolhido, intimidado, constrangido, despertou sentimento de pena. O que não dá para esquecer é que foi no governo dele, José Melo, que os problemas da saúde se agravaram. Impossível deixar pra lá os mais de R$ 500 milhões desviados no esquema montado sobre as costas largas do médico Mouhamad Moustafa. Cada paciente que morre no Amazonas, por deficiência no sistema de saúde, criança, adulto, idoso, leva o carimbo dessa trupe: cruéis! gananciosos! inconsequentes!

Veja mais notícias em Panavueiro

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.