
O contexto do depoimento de Eduardo Braga (foto), sobre a acusação de ter recebido mais de R$ 6 milhões de propina em 2014. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) depõe na Polícia Federal nesta quarta (06/11). Ele foi acusado de receber R$ 6,080 milhões, do Grupo J&F, controlador do frigorífico JBS. Acusação resulta de delação do ex-diretor de Relações Institucionais da J&F Ricardo Saud e do ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado.
Há um contexto nisso aí, que o internauta precisa conhecer.
Braga recebeu o dinheiro em notas fiscais de 21/08/2014 (R$ 3,8 milhões) e 03/09/2014 (R$ 2,2 milhões), conforme o Estadão. As notas estariam disfarçadas em fretes da Rico Táxi Aéreo. Era parte dos R$ 40 milhões, destinados pelo PT à compra do apoio do PMDB à reeleição da presidente Dilma. O senador amazonense foi candidato, em 2014, ao Governo do Amazonas.
Em maio de 2018, ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou inquérito (4707). O responsável, na Polícia Federal, é o delegado Bernardo Guidali Amaral. Foi ele, aliás, quem assinou a intimação dos senadores Eduardo Braga, Renan Calheiros e Jáder Barbalho para depor.
Depoimentos são colhidos quando a polícia já tem elementos para inquirir os investigados. Isso significa que a investigação está avançada.
A PF fez buscas em escritórios e residências de diretores da Rico, nesta terça (05/11). A empresa preferiu não se pronunciar, por entender que “não há novidades no caso, além do publicado”.
O envolvimento de Braga, mesmo dependente de contraditório, julgamento e votação do Senado Federal, mexe com as eleições 2020.
Eduardo Braga vem sendo apontado como uma espécie de estuário dos “experientes” para disputar a Prefeitura de Manaus. Poderia ser apoiado pelo senador Omar Aziz, ex-prefeito e ex-governador Amazonino Mendes e ex-senador Alfredo Nascimento.
O grupo aposta no desgaste do “novo”, representado pelo presidente Bolsonaro e o governador Wilson Lima.
O senador recolhe, por outro lado, a constatação de ter sido o mais realizador dos últimos governadores do Amazonas. Tem no currículo ponte Jornalista Phelippe Daou, Prosamim, Arena da Amazônia e duplicação da rodovia Manaus-Manacapuru. São as maiores obras realizadas no Estado, desde a volta das eleições diretas para governador (1982).
Alguém dirá que a ponte foi inaugurada em outubro de 2011. A Arena, em março 2014. As duas datas estão fora da gestão Eduardo Braga, que terminou em 2010. E que a duplicação da rodovia AM-070 foi iniciada somente em janeiro de 2012, já no governo Omar. Certo. Mas tudo foi planejado na gestão Braga. Planejamento e alocação de financiamento são as partes mais complicadas de obras como essas.
Braga, como já dito, terá direito a ampla defesa, contraditório, julgamento e votação do Senado, antes de uma condenação. Mas a opinião pública julga e condena antes. A população, cansada do roubo revelado pela Lava Jato, entende que há meandros da Justiça usados como biombos pelos corruptos.
O senador amazonense teve a candidatura a prefeito atingida, politicamente, em plena decolagem. Mas se não for condenado poderá ser candidato. E, com tantas obras sem contraponto comparativo, caso tenha mesmo apoio da estrutura Omar-Amazonino-Alfredo, estará no páreo.
Veja mais notícias em Opinião