
Adail e Mayara investem em 15 candidatos a prefeito e Wanderlan, candidato em Autazes e secretário de Fazenda em Coari, é um dos rastros da estratégia
Os irmãos Adail Filho, prefeito de Coari, e Mayara Pinheiro, deputada estadual, têm planos políticos ousados. Com dinheiro sobrando, eles planejavam eleger 15 prefeitos no interior. Esta seria a base eleitoral de Adailzinho, para concorrer à Câmara Federal em 2022. Sem contar a garantia de reeleição para Mayara. A operação Patrinus pegou o plano no momento do deslanche. E parece ter furado o casco político dos irmãos.
O investimento em candidatos que compõem a futura “base dos Pinheiro” tem rastros. O secretário municipal de Fazenda, Economia e Planejamento de Coari, Wanderlan da Silva Ramalho, é um exemplo. Ele é candidato a prefeito em Autazes, onde tem investido pesado em reuniões com comunidades rurais. Wanderlan, conhecido como “Baixinho”, foi secretário de Finanças em Autazes. Depois assumiu a mesma pasta em Coari e voltou endinheirado. Conseguiu muitos votos para Mayara Pinheiro, em 2018.
Mayara Pinheiro terá dificuldade em obter apoio na Assembleia Legislativa, para ela ou o irmão. Os deputados estaduais, ontem (27/09), reagiram com indiferença à Patrinus. O Ministério Público e a polícia cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços dela e prenderam Adailzinho. Grande parte se queixa de que, com o afã político-eleitoral, os irmãos não respeitam bases de ninguém.
Curioso é que Adail Pinheiro, o pai, mesmo no auge das acusações de pedofilia, em rede nacional, sempre teve apoio político. Há figurões da política local que não dispensam o colo eleitoral dele. Com Mayara deputada estadual e Adailzinho querendo a Câmara Federal, o apoio político periga rarear. A família, no entanto, vinha trabalhando pesado visando ampliar o curral eleitoral, para além de Coari.
A impunidade ocorrida no esbanjamento financeiro de Mayara Pinheiro, na eleição do ano passado, não passará despercebida. O Ministério Público Estadual, na atual investigação, reuniu muitas provas contra ela. O resultado deve vir brevemente.
A procuradora-geral de Justiça do Amazonas, Leda Mara Albuquerque, respondeu à dúvida da coluna. Disse que Gaeco e Força Tarefa atuam em Coari com objetivos convergentes. A Força Tarefa impulsionou investigações, com foco na improbidade. O promotor Igor Starling, que integra a Força Tarefa, foi quem cumpriu os mandados de busca e apreensão e prisão em Coari.
A procuradora-geral afirma que o MPAM “é um time”. Ela assinou todos os requerimentos de prisão e busca e apreensão encaminhados ao Tribunal de Justiça.
Gaeco e Força Tarefa parecem ter achado o Calcanhar de Aquiles dos Pinheiro. Foram buscar ajuda de economistas e contadores, especialistas em finanças públicas. Eles veem irregularidades onde a maioria dos advogados e promotores não consegue ver. A partir das informações obtidas por eles, os planos políticos dos irmãos Adail Filho e Mayara Pinheiro naufragam. Até porque dependem de muito dinheiro e, com Adailzinho impedido na Prefeitura, a fonte tende a secar.
O Gaeco só vai a periciar o material apreendido na operação Patrinus na segunda (30/09). É o que chamam de “audiências de deslacre”. Entre outras coisas, promotores e representantes das partes vão contar o dinheiro apreendido. A mina de ouro, porém, são CPUs de computadores apreendidas. Os promotores têm muita esperança de encontrar provas nesses verdadeiros tesouros do crime.
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