
Mouhamad quer prisão domiciliar e se queixa da enorme perda de peso (60kg), durante esses dias de cárcere. A foto mostra o antes e depois do acusado de desviar mais de R$ 300 milhões do sistema de saúde do Amazonas
O prisioneiro Mouhamad Moustafa, que alega ter perdido 60kg – e deve ter perdido mesmo -, cumpre uma estratégia. Quer ser enquadrado no Art. 117 da Lei de Execuções Penais (LEP). Veja o que diz a LEP. “Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de regime aberto em residência particular quando se tratar de: II – condenado acometido de doença grave.” É por isso que ele armou todo esse panavueiro, durante audiência com a defesa, no Centro de Detenção Provisória Masculino 2 (CDPM 2).
O empresário Gilberto Aguiar ocupa a cela ao lado de Mouhamad. Ele também foi condenado pelo desvio de mais de R$ 300 milhões da saúde amazonense. O “chefão” tem passado para Gilberto, sistematicamente, a comida que lhe servem na cadeia. Não quer comer para adoecer e depois de doente pedir a reversão do regime fechado para aberto. Quem afirma é fonte da Secretaria Estadual de administração Penitenciária (Seap).
A juíza Ana Paula Serizawa condenou Moustafa a 26 anos de prisão, 15 numa sentença e 11 em outra. O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu 76 denúncias contra ele. Os cálculos dos especialistas é que leve em torno de 500 anos de prisão. Terá que cumprir, no mínimo, 30 anos na tranca fechada. O médico apelou até ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e não conseguiu reverter nenhuma condenação.
Agentes penitenciários – isso mesmo, mais de um – informam que Mouhamad pede bolachas e biscoitos. Não quer comer outra coisa. “Esses alimentos são fontes de gordura trans. Talvez aí esteja a explicação para o peso dele. É incrível, em se tratando de um médico”, afirma um nutricionista ouvido pelo portal.
Mouhamad Moustafa, que chegou a Manaus como capitão-médico do Exército, viveu uma vida nababesca. Com o dinheiro roubado da saúde tinha um jato alugado. Financiava shows dos artistas de maior sucesso da música sertaneja. Era uma espécie de “rei do camarote”. Lotava o avião de amigos e, digamos, “amigas especiais”, tipo acompanhantes de luxo. Levava a turma para os maiores eventos do País. Hoje vive numa cela minúscula e recolhe os últimos centavos e prestígio para pagar a defesa.
O mais incrível é que, apesar da evidente pressão física e psicológica, Mouhamad não fez delação premiada. Continua sendo apresentado, inclusive pela Justiça, como “o chefão” do esquema de desvio de dinheiro público da saúde estadual. E nada de abrir o bico.
Veja a íntegra do Art. 117 da LEP, a Lei que rege o sistema prisional:
Art. 117. Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de regime aberto em residência particular quando se tratar de:
I – condenado maior de 70 (setenta) anos;
II – condenado acometido de doença grave;
III – condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental;
IV – condenada gestante.
O ministro Paulo Guedes voltou a criticar a Zona Franca. “É antieconômica”, disse, durante palestra em Fortaleza. Ele lembra Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo, personagem de Renato Aragão. Numa de suas adoráveis esquetes, Didi apelida o sargento Pincel de “Piolho”. O sargento dá-lhe uns tabefes. Ele continua chamando “Piolho!”. Amarra. “Piolho”. Amordaça. Didi coça a cabeça e finge estar matando… piolho. O sargento amarra as mãos, os pés e o joga no chão de uma cela. Depois olha pela pequena janela do cubículo e Didi está virado de costas para ele. As mãos fazem o gesto de matar… piolhos.
O ministro da Economia foi advertido até pelo presidente Bolsonaro, mas não tem jeito: é contra a Zona Franca de Manaus. Reincidente, ele já se desculpou publicamente pelos ataques e afirmou que “não se tira nada do que a Zona Franca já tem”. É só ter uma chance e, pimba!, nova crítica. Parece até estar procurando um pretexto para deixar o ministério.
Desta vez Paulo Guedes falou no momento em que a Amazônia está na berlinda mundial. Defendê-la é dever de todo brasileiro e muito mais do governo Bolsonaro. Foi o presidente, afinal, que teve a credibilidade para cuidar da Amazônia posta em xeque. Ameaçar o modelo que mantém a floresta em pé é municiar o presidente francês, Emmanuel Macron. O ministro da Economia brasileiro parece estar se lixando para isso.
Veja mais notícias em Panavueiro