04/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Resposta de Chico Cardoso: ‘O perigo do que se escreve no calor da derrota’. E veja a tréplica do portal

Publicado em 03 de julho, 2019

Resposta de Chico Cardoso

Resposta de Chico Cardoso em que este portal o acusa de manipular o resultado do Festival de Parintins usando bumbás e artistas parintinenses para autopromoção. Nesta foto, feita quando foi banido do Garantido e mudou para o Caprichoso, ele dá um cotoco para o busto de Lindolfo Monteverde, fundador do Garantido.

Chico Cardoso, que assume ter tido a “direção do espetáculo” do Bumbá Garantido, respondeu ao editorial deste portal. Viu calúnia e irresponsabilidade no comentário. Veja a íntegra da nota enviada por ele e, a seguir, a tréplica do portal:

“Diante da matéria publicada no Portal do Jornalista Marcos Santos resolvi manifestar minha indignação e pedir direito de resposta.

A matéria é de todo leviana e ultrajante, se agrava ainda mais vinda de um Jornalista que sempre se pautou pela verdade. Movido pela dor da derrota, tenta minimizar o trabalho de um enorme coletivo que deu o sangue para fazer o Boi Garantido gigantesco que se viu na Arena, usando meu nome de forma caluniosa e totalmente irresponsável.

Todos querem ganhar. Mas é importante também saber perder. E sua conduta como profissional, nessa hora, demostra que você não sabe perder. Nem quando o jogo é limpo. Lamentável.

Não me viu na Arena Marcos Santos? E nem vai ver. Não subo no palco para dar pinta. Trabalho efetivamente e até empurro alegoria, mesmo que minha função seja de direção do espetáculo.

Para você, Marcos Santos, é muito mais fácil justificar a derrota com acusação leviana, irresponsável de prováveis “manipulações” dos jurados do festival, do que admitir uma estética confusa e cheia de idiossincrasias da vaidade e ego do condutor desse caminho que levou o Caprichoso a derrota. E achismo não combina com jornalismo.

Tão feio ‘mimimi’ a essa altura, que prefiro manter meu respeito ao Marcos Santos do que depreciar seu trabalho como jornalista e compositor. Porém, sua preferência pelo Caprichoso não pode manchar o bom jornalismo.

Ao invés de virar sua metralhadora em minha direção, corra a ajudar o seu boi a sair da escuridão intelectual em que mergulhou com minha saída de lá. Ainda dá tempo de sua contribuição ajudar a criar, de fato, uma revolução no fazer boi. Omissão é que é feio.

Então melhor se atualizar e sair detrás dessa guerrilha de almofada e participar mais do seu boi.

Saber perder é uma demonstração de caráter e respeito.

Boa sorte. Viva o boi Garantido 32 Campeão!!

Francisco Cardoso”

 

A resposta do Portal do Marcos Santos

Agradeço pela deferência profissional que vaza nesta resposta. Mesmo que tenha vindo entre idiossincrasias e egocentrismo.

Fui esportista a vida inteira, editor de esportes e narrador de futebol no rádio e na TV. Minhas narrações iniciavam com um “lembrete” ao torcedor: “Ganhar e perder são, mais que palavras, histórias e sentimentos que fazem parte do jogo da vida, sem o qual não teria sentido viver”.

Não, Chico, não sou mal perdedor. Meu compromisso com os bumbás de Parintins não se pauta pelo julgamento de jurados que nada sabem da história da festa. Basta ver que reclamei, antes mesmo de proclamado o resultado, daquele escândalo que vocês protagonizaram para o Caprichoso vencer, em 2015.

 

Puxa-saco

Ajudar o Caprichoso? Ajudo em tudo que me pedem. Ajudei comprando fantasia, passagens e pagando estadia quando fui apresentador, sem cobrar um centavo. Mas a tal ajuda intelectual de que você fala seria, quem sabe?, como a que você emprestou – ou, melhor, vendeu – ao Garantido? Seria talvez apontando para o Ericky Nakanome, diretor do espetáculo do bumbá Caprichoso, a tendência política dos jurados?

Seria mais ou menos assim: eu “auxiliaria” o Caprichoso indicando que jurados eram militantes, como são, das causas “Lula Livre” e  “Marielle Vive”. Aí o azul e branco colocaria um boneco maior que aquele gigante do Garantido, que tinha a cara do Lula, que entrou na arena levando o boi. E uma faixa maior em defesa da vereadora do Rio que virou ícone de militância no País e foi acabar no Garantido.

A lógica é clara. Se os jurados fossem simpatizantes de Bolsonaro, os bonecos viriam atirando. Armando e Chico ganham dinheiro – muito dinheiro – dos bumbás de Parintins fazendo campanha para puxar saco de jurado. O papel do júri é julgar o espetáculo. Não é papel dos bumbás qualquer disputa de babação de ovo.

Garantido e Caprichoso, é histórico e é sabido, num momento de extrema lucidez, decidiram banir a política dos bumbás. Paulinho Faria homenageou Amazonino Mendes, então governador, e o Garantido perdeu. Gil Gonçalves, ano seguinte, retribuiu e repetiu a homenagem, levando o Caprichoso à derrota.

Você, em algum momento, Chico, pensou que a “esperteza”, sua e do Armando do Valle, sufocaria o folclore pela disputa político-ideológica no Bumbódromo? Ganhar a qualquer custo, pisoteando o que estiver na frente, não atende a nenhum pressuposto intelectual. Sob esse ponto de vista, aliás, é a mais rematada tolice. Só quem se pauta por vitória a qualquer custo faria algo assim, como você fez.

 

A luz intelectual

Quer dizer então que o Caprichoso mergulhou em “escuridão intelectual” quando você saiu de lá? Olha aí Larice Butel! Veja só Odinéia Andrade! Manjou Simão Assayag? Percebeu Zezinho Cardoso? Pode rir, Ericky Nakanome. Foi essa gente a admitida no boizinho de Luiz Gonzaga e Roque Cid e Boboí e José Furtado Belém e Acinélcio Vieira e João Andrade e João do Carmo Careca e Dodozinho Carvalho e Rubem dos Santos e Zé Caiá e dezenas de milhares.

Quer dizer que estava escuro no Garantido, intelectualmente, e com sua volta a luz voltou a brilhar? Olha aí Fred Góes. Viu, Mencius Melo – que, aliás, fez um espetáculo legítimo, inovador, original, em 2015, coisa que Chico Cardoso nunca fez – ? Percebeu como são as coisas Allan Rodrigues?

Mais evidências? Os jurados fazem uma carta criticando Pai Francisco e Mãe Catirina por estarem pintados de negro. “Preconceito!”, bradaram. Foi uma crítica encomendada, dirigida a João Paulo Faria, sobrinho de Paulinho Faria, neto de Maria Ângela Faria, que tão bem caracteriza Pai Francisco. Figuras que, aliás, depois do destaque de anos anteriores, foram ignoradas no espetáculo deste ano. Coincidência? Nada. João Paulo quis encher de porrada Chico Cardoso, num Boi de Rua, revoltado com a volta dele.

 

Desagravo

Devo desculpas e desagravo integrantes do Garantido que tenham visto no editorial deste portal alguma crítica ao trabalho deles. Não foi essa a intenção. O impecável Israel Paulain e os demais itens, todos cheios de garra, não mereceriam isso. O que falo é do Comando Delta. Esse grupo, que em alguns momentos assume o comando do Boi do Povão – título mais do que justo, tanto para o Garantido quanto para o Caprichoso -, mas comemora títulos num caríssimo apartamento da Ponta Negra, tomando champanhe Cristal (caríssima!) e brindando aos brados: “Ganhamos mais uma!!!”. Não sou eu, portanto, quem minimiza o meritório esforço da gente valorosa que faz o Garantido. São eles, Armando do Valle e Chico Cardoso à frente, quem julgam ganhar o festival. Pelo menos diante do ego deles.

 

Cotoco

Afirmo: você não foi à arena, Chico Cardoso – nem participou da festa da vitória -, porque estava envergonhado e com medo de levar vaia da torcida do próprio Garantido. Você sabe que é imperdoável dar cotoco para alguém como Lindolfo Monteverde, como mostra a foto que ilustra esta publicação. Peça perdão em público. Admita a grosseria. E saia. Não se esconda debaixo da saia de uma pobre senhora, ainda mais sendo ela legítima herdeira do grande patriarca do Garantido.

Você usa a credibilidade e criatividade dos artistas parintinenses em proveito próprio. Isso não passa em branco pelas consciências deles. Que artista! Que intelectual!

Respeito. Honra. Dignidade. Obrigado pela companhia de sempre. Apresento a vocês Chico Cardoso.

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