
Wilson Lima no interior tem a chance de voltar de lá como governador do Amazonas e não apenas de Manaus
Wilson Lima saiu do gabinete. Andou visitando obras, na capital e na Região Metropolitana de Manaus. Depois, demonstrando que a casca de novato foi mesmo quebrada, transferiu o governo para Parintins. Até esta sexta (24/05), bate e volta em Barreirinha, Nhamundá e Boa Vista do Ramos. O gesto tem imenso significado. O comerciante desonesto já acreditava que podia diminuir o peso dos pré-medidos. De repente, na comitiva do governador, chega o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-AM). Até o professor, isolado dos demais, acompanhando na internet e mídia convencional a greve da categoria, pode se manifestar. Desde José Lindoso, que fazia esses mutirões de presença do Estado, o interior via arremedos, mas não efetiva presença estatal.
Entre as atividades no interior, a Secretaria Estadual de Saúde (Susam) realiza, em Parintins, um mutirão de cirurgias de catarata. O oftalmologista Arnaldo Russo, que opera essa doença com maestria, ensina que o amazonense está sujeito a ela. Há muito sol, o ano inteiro, e a proteção custa caro. Caboclo não tem grana para comprar óculos escuro, com proteção contra raios ultravioleta. Nem se preocupa com isso. E catarata cega. O cirurgião retira uma espécie de “película de amendoim” dos olhos do paciente. Ela veda o cristalino, impede a entrada de luz e tira a visão. Ver é maravilhoso.
Wilson, portanto, ao levar o governo para o interior, revela muita coisa. Primeiro, a força e a acomodação da máquina. Fiscalizado na capital, o barnabé vive outra realidade no interior. Muitos se revestem de “otoridade”. Outros dão a vida para fazer o melhor. Nem o preguiçoso e boçal, nem o trabalhador esforçado colhem o que plantam. O governador comprova, presente, a sinceridade do caboclo. Ele diz na lata o que sente, sem medo de autoridade.
Quanto mais serviços o Estado leva para o interior, nessa “transferência” de Governo, mais fica evidente a carência. A
demanda por esses serviços é diária e precisa ser contemplada. Wilson Lima sairá do Baixo-Médio Amazonas trazendo novidades. Certamente anunciará medidas para a região. Irá além do simples uso da máquina no rame-rame. Já fez o que os últimos governadores não fizeram. Que dê o “plus”. É só ouvir a cabocada. É PhD nos problemas dos quais governante algum pode supor. Dar ouvido ao caboclo é deixar de ser governador de Manaus e passar a governar o Amazonas.
Wilson Lima foi vaiado em Parintins, Barreirinha e Boa Vista. Os manifestantes seriam professores. Isso também é demanda reprimida. Parte do jogo democrático.
A Assembleia Legislativa aprovou o reajuste dos professores. Lideranças estavam em pé de guerra. Depois de muita conversa houve acordo. Este sábado (25/05), em assembleia, os mestres devem encerrar a greve.
Está feito acordo para evitar arranhões do funcionalismo na área da saúde. Os funcionários estatais do setor terão reajustes escalonados, para reposição de perdas, até 2021.
O Governo do Estado, desta forma, sai do primeiro “banho de fogo”. Ano que vem tem mais, com todos os pré-candidatos saindo do ninho para gritar nos sindicatos. Resta agora um cronograma sério, firme, definido, com as cooperativas médicas. E um plano de longo prazo para eliminar a sangria financeira, que parece incontrolável, no setor saúde.
O presidente da Assembleia Legislativa, Josué Neto, discursou em tom duro, após a aprovação do reajuste dos professores. Disse que o acordo só foi possível depois que “o governo baixou a bola”. É uma aresta que precisa ser aparada. Josué Neto nunca falou nesse tom com governo nenhum.
Houve muito alvoroço com a possível extinção da Secretaria Estadual de Política Fundiária (SPF). A pasta, no entanto, continua e foi das mais ativas na transferência do governo para o interior. Carlos Henrique Lima é o novo secretário. Pelo visto, o movimento na SPF foi apenas um pretexto para afastar a ex-secretária Keit Maciel. Keit se tornou recordista, no secretariado estadual, entre a posse e a demissão. O que ela fez? Ninguém sabe ainda. Mas, para uma demissão assim, só pode ter sido grave.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) é um instrumento da polícia brasileira. Um delegado, de qualquer Estado, dispões do poderoso banco de dados do órgão. Seja Polícia Civil (PC) ou Polícia Federal (PF). O Brasil discutiu, há poucos dias, se “o Coaf podia ou não ficar com Sérgio Moro”. É a disputa política deslocada da realidade. O Coaf fica no Ministério da Justiça, Moro no comando ou não. É a efetivação do que já vem acontecendo há anos. Corruptos, tremei!
Fernando Haddad, adversário de Bolsonaro ano passado, percorre o Brasil. A pretexto de pedir a soltura de Lula, preso em Curitiba, mantém acesa a chama oposicionista. O PT é partido estruturado, ainda montado no dinheiro que arrecadou do Estado. Basta ver o barulho com estrutura de candidato que fez em Manaus. Haddad busca mesmo a oxigenação da imagem. Lula e Zé Dirceu já perceberam que precisam de segundo plano. O ex-prefeito de São Paulo virou a melhor opção petista.
O deputado federal Marcelo Ramos vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o decreto do ICMS da energia. Na medida, o Governo do Amazonas trocou a cobrança do distribuidor para o gerador.
O Governo do Estado, quer, no fundo, começar a receber o que nunca recebeu. Entenda: você sempre pagou um quarto da conta de energia em imposto estadual. Esse dinheiro, no entanto, nunca foi repassado para os cofres estaduais. O governador Omar Aziz isentou o interior do pagamento desse percentual. Podia isentar o Estado inteiro que a arrecadação estadual não perderia um centavo. Agora, a Sefaz promete cumprir essa e outras isenções, mas há muita desconfiança.
A maior parte das dúvidas sobre a nova cobrança serão dirimidas no dia 1º de junho. É quando as geradoras pagam a primeira conta à Sefaz. Também é quando o consumidor sentirá o impacto da mudança, caso haja. É bom você ficar de olho.
A Amazonas Energia chegou a publicar um comunicado, no Instagram, sobre a mudança da cobrança do ICMS. Ficou claro que a empresa contava com esses 25% cobrados na conta do consumidor. Na maior cara-de-pau.
O mandato parlamentar é feito de voz e voto. O ex-deputado federal Pauderney Avelino, disparado o melhor parlamentar da legislatura passada, tenta manter a voz, mesmo após a derrota de 2018. Está discutindo os principais temas, especialmente Zona Franca, através de releases enviados à imprensa.
Todos os candidatos a prefeito de Manaus estão na luta, em busca de um partido para chamar de seu. O ex-presidente da Assembleia Daivid Almeida, candidatíssimo, foi para o Avante 70. Serafim Correa e Marcelo Serafim, também com pretensões de se candidatar, podia barrá-lo ano que vem.
Meu pai, quando governador visitava Parintins, metia a roupa domingueira. Arrumado, pronto para sair, tinha que ouvir o “xaveco” da mamãe: “Pra onde tu vai, Zé? Pra quê essa panca toda?” Papai não perdia o prumo: “Tu num viu que o governador tá na cidade? Vou lá pra ‘apriciar’. Quero ver o que o ‘homi’ vai falar e, se der, dou uns pitacos”. O caboclo sente no ar o clima de festa, que adora. Povo festeiro é esse da Ilha! Wilson Lima colherá, entre os parintinenses, a alma autêntica do amazonense. Ouvirá o apaixonado pela terra. Empreste o ouvido, governador. O resto o povo faz.
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