03/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Wilson tira diretores de hospitais e começa a rever licitações de Amazonino. Panavueiro é grande. As relações Arthur-Rotta

Publicado em 06 de janeiro, 2019

Wilson tira diretores de hospitais

Wilson tira diretores de hospitais. O médico Eduardo Mesquita (foto) é o novo diretor do Pronto-Socorro 28 de Agosto

O governador Wilson Lima e o secretário estadual de Saúde Carlos Almeida demitiram todos os diretores de hospitais de Manaus. O único que permaneceu no cargo foi o diretor do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, odontólogo Carneiro da Silva Nossa. A medida é parte do processo de “saneamento da saúde”, conforme assessores do governador. Wilson e Carlos apuram se os gestores participavam ou eram coniventes na teia que envolve contratos fraudulentos e superfaturados. É por aí que os recursos da saúde estavam desaparecendo ou indo para o ralo da corrupção. O panavueiro, que deverá ser exposto nos próximos dias, é muito grande.

 

Licitações na mira

As últimas licitações, executadas no fim do governo Amazonino Mendes, também estão sendo atacadas. Mas o antigo gestor da Comissão Geral de Licitação (CGL), Victor Fabian Soares Cipriano, virou sub-procurador Geral do Estado. Explica-se: o fim do governo Amazonino virou um panavueiro de comissões de licitações e a CGL participou menos.

 

Todos demitidos

Todos os antigos ocupantes de cargos de confiança na CGL foram demitidos. Todos, no entanto, continuam trabalhando. Inclusive os pregoeiros.

 

Sobrevivente

O odontólogo Carneiro da Silva Nossa é um sobrevivente. Ele foi secretário-executivo da Susam, na época do governador David Almeida. Depois assumiu o João Lúcio e, no 2º Turno da eleição, passou a frequentar as reuniões de Wilson Lima.

 

Sobrevivente (2)

Os colegas de Nossa brincam com um diálogo que alguns travaram com ele. “Nossa, todo mundo achava que você estava com o Amazonino”. “Nada – responde o sobrevivente – eu estou com quem me convida”.

 

Licitações em hospitais já suspensas

A Justiça havia determinado, por ação de concorrentes prejudicados, a suspensão das últimas licitações nos hospitais. Elas envolviam limpeza, nutrição, enfermagem, apoio administrativo-logístico, TI e imagem. Uma mesma empresa tinha sociedade em diversas concorrentes, o que fere a legislação. Com o artifício, ela aviltava os preços e eliminava os adversários.

 

Sem papas na língua

Wilson Lima parece determinado a falar publicamente dos problemas encontrados no governo. A fórmula é a melhor para evitar que as “broncas” recaíam sobre o governante que entra. E o novato não tem refrescado com o veterano. Basta ver a revelação do déficit de R$ 1,5 bilhão na gestão estadual.

 

Salário de R$ 545 mil

A atual Procuradoria Geral do Estado (PGE) deve uma explicação à sociedade. Novos gestores da advocacia estadual precisam explicar os pareceres que permitiram a Amazonino se pagar salário de R$ 545 mil. Esses pareceres, oferecidos pela própria PGE, entenderam que Amazonino tinha direito a correção salarial retroativa a 2013.

 

Salário de R$ 545 mil (2)

Amazonino, experiente, sabia que o alto salário ia dar bronca. O valor se refere a diferença de pensão, dos mandatos anteriores, paga a menor. Ex-governadores (Braga, Melo e Omar também têm direito) recebem o mesmo valor do presidente do Tribunal de Justiça. Amazonino recebeu menos, de 2013 a 2018. Ele ainda tentou se precaver: abriu mão da correção monetária dos valores e viajou para deixar o vice Bosco Saraiva assinar o pagamento. O valor era ainda maior, mas a parte anterior a 2013 prescreveu.

 

Salário de R$ 545 mil (3)

O que Amazonino não sabe ou não quer saber é que os tempos são outros. Antes, nos três primeiros mandatos dele, mandava e desmandava, fazia e acontecia, sem qualquer consequência. Hoje é um escândalo, no mínimo, que governador receba essa dinheirama de salário do seu próprio governo. Se o direito aos R$ 545 mil era líquido e certo por que não esperar a chegada de Wilson Lima para requerer? Como um procurador-geral do Estado nomeado por ele negaria algo requerido pelo governador? O experiente Amazonino Mendes derrapou, outra vez.

 

Arthur-Rotta

O vice-prefeito de Manaus, Marcos Rotta, está de volta ao ninho. O cargo de secretário estadual da Região Metropolitana, oferecido por Amazonino, terminou dia 31/12/2018. Rotta foi recebido efusivamente pelo prefeito Arthur Virgílio.

 

Arthur-Rotta (2)

Rotta saiu porque havia sido preterido e não aceitava apoiar Omar Aziz, candidato de Arthur ao Governo do Estado. Preferiu ficar com Amazonino Mendes, de quem seria vice, caso a composição tivesse acontecido. O prefeito, chateado, mandou exonerar todos os ocupantes de cargos comissionados do gabinete do vice-prefeito. Mas, mesmo no auge da raiva, Arthur não deu qualquer declaração mais dura contra o vice. Do seu modo, até procurou mostrar-se “paterno”. Também não nomeou ninguém para os cargos do vice e até mandou avisar que ficariam disponíveis. Rotta voltou e deve nomear todos de volta.

 

Marido traído

Amazonino tirou Marcos Rotta e o presidente da Câmara Municipal de Manaus, Wilker Barreto, das hostes de Arthur. Foi um golpe político significativo, às vésperas do pleito deste ano. Na prática, porém, o resultado eleitoral foi pífio. E Amazonino investiu, em asfaltamento de ruas de Manaus, na pasta de Rotta, R$ 150 milhões. Esse valor havia sido prometido por Amazonino ao prefeito, quando costurava apoio para a eleição suplementar. Mas Amazonino se negou a liberá-lo diretamente para a Prefeitura.

 

Marido traído (2)

Amazonino, no frigir dos ovos, ficou como o marido traído. Rotta foi e voltou para status quo até melhor que o anterior. A Prefeitura de Manaus ganhou um reforço no asfaltamento de ruas. O ex-governador acabou reforçando a administração do desafeto.

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