
Comissão de transição proibida de caça às bruxas pelo vice-governador Carlos Almeida (esquerda) e o coordenador da transição no Amazonas, Humberto Laudares (direita)
Os integrantes da Comissão de Transição do governo Wilson Lima foram reunidos, nesta terça (13/11). Humberto Laudares deu uma aula sobre os dados técnicos que precisam ser coletados. O vice-governador Carlos Almeida fez a contextualização política. Recomendou expressamente que irregularidades encontradas na gestão Amazonino não sejam vazadas. “Não queremos nada que pareça caça às bruxas (perseguição). As irregularidades serão apuradas por quem de direito. Elas devem ser encaminhadas, por nós (Laudares, Carlos Almeida e Luiz Castro) para os órgãos de controle.
Carlos Almeida jogou uma ducha fria numa série de pretensões. Disse que todos os membros das subcomissões são voluntários. e fez questão de frisar que ninguém tem vaga assegurada no secretariado. Sequer no primeiro escalão.
A previsão é de que os ministérios públicos Estadual e Federal recebam uma enxurrada de denúncias. Da mesma forma o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Isso deve ocorrer nos próximos 45 dias, período em que dura a transição.
Carlos Almeida deixou claro que Wilson Lima, ele e Luiz Castro estão preocupados com vazamentos. Não querem que nada seja publicado pela imprensa, antes do crivo deles.
Saúde, educação, segurança, social, planejamento, infraestrutura, economia e setor produtivo são os eixos da nova gestão.
Wilson quer marcar a gestão por um choque e obter grandes realizações nos 100 primeiros dias da gestão.
A duplicação da AM-070 (Manaus-Manacapuru) e o recapeamento de sedes municipais estão entre as obras visadas. Wilson acha que a gestão Amazonino não fez porque não quis. Faltou vontade política. E quer entrar mostrando disposição e eficiência.
A duplicação da rodovia Manaus-Manacapuru começou a ser planejada ainda na gestão Eduardo Braga, que terminou em 2010. Passou por Omar Aziz, José Melo, David Almeida, Amazonino e chegará a Wilson Lima. São seis governadores e nada de a duplicação ser concluída. O trecho próximo a Manacapuru está imprestável. Máquinas da obra nova destruíram, esburacando, a estrada antiga. Wilson sabe que marcará um golaço se inaugurar a rodovia até março 2019.
Outras obras que deverão ficar por terminar, da gestão Amazonino, são asfaltamento de ruas do interior. O governador atual queria impactar os eleitores do interior derramando asfalto. O máximo que conseguiu foi desagradar empreiteiros, trabalhadores, prefeitos e, de quebra, o eleitorado. As obras estão abandonadas e as empresas responsáveis sob séria ameaça de não receber o pouco que concluíram.
Um setor onde a comissão de transição certamente colherá muitos dados é o da saúde. O negócio não parou na Maus Caminhos, nem no “devo não nego, pago quando puder” dos médicos. Uma licitação do 28 de Agosto, por exemplo, que vinha rolando desde o início do ano, foi aberta e fechada num piscar de olhos. Esses dias. Enquanto isso rolava o escândalo do calote nas cooperativas médicas. Abriu, declarou uma empresa vencedora e fechou. Sem chances para a concorrência.
Os médicos estão indignados. As cúpulas da Susam e Sefaz fizeram um discurso para eles (“não temos como pagar até dezembro”). Depois, em release, outro totalmente diferente, afirmando que o dinheiro para o pagamento está em caixa. “Ou a gente ficou louco ou esse pessoal é que enlouqueceu. Como somos muitos e todos ouviram a mesma coisa, o mais provável é que a loucura seja deles”. A afirmação é de um médico que ouviu os secretários dizerem que o Estado não tem dinheiro.
Pressionados pela possibilidade – real – de o sistema de saúde paralisar, os deputados estaduais aprovaram o remanejamento orçamentário. Tiraram a verba do turismo e do interior para pagar médicos, enfermeiros e técnicos. Interioranos e amazonenses de boa vontade, uni-vos!!!!
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