24/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

A teoria do novo e a constatação do velho no atual cenário político do 2º Turno no Amazonas

Publicado em 22 de outubro, 2018

A teoria do novo e a constatação do velho

A teoria do novo e a constatação do velho na disputa entre Wilson e Amazonino

O novo, representado pelos votos de Wilson Lima e David Almeida, no 1º Turno, venceu as eleições do Amazonas. O velho, na figura de Amazonino Mendes, está na iminência da primeira derrota com a máquina, desde a redemocratização. Os fatos que levaram a essa situação são dignos de um estudo sócio-político. Constituem conteúdo para um livro.

O novo, desde as primeiras pesquisas, aparecia no primeiro lugar. O eleitor deixou evidente, desde o começo, que votaria pela renovação política. Quem conseguiu “vestir” esse figurino, como Jair Bolsonaro e Wilson Lima, saiu na frente.

Wilson, o novo que passou para o 2º Turno no Amazonas, nasceu no berço dos programas populares do meio-dia. Surfa na opinião pública, dizendo exatamente aquilo que o povo gostaria de dizer e não pode. A fórmula consagrou Nonato Oliveira, Henrique Oliveira, Wallace Souza, Lupércio Ramos, Sabino Castelo Branco, Conceição Sampaio e Marcos Rotta. Todos eles conseguiram mandatos obtendo muitos votos.

A fórmula, programa popular mais sentimento de renovação, criou uma onda difícil de parar.

 

Túnel do tempo

Amazonino, por outro lado, neste ano do novo mandato, mergulhou numa espécie de túnel do tempo. Reviveu 1987 quando, aos 47 anos de idade, assumiu o governo pela primeira vez. O País era outro e a vontade do governador se impunha de forma ferrenha, praticamente sem restrições.

No quarto mandato, Amazonino cometeu os mesmos erros de quando foi prefeito e desistiu da reeleição, em 2012. Cercou-se de uns poucos empresários, que lotearam o governo. Deixou prosperar a informação de que promoveu mais de 300 dispensas de licitação.

 

Cerca de jurubeba

Entregou a administração a um diminuto e possessivo núcleo do secretariado. Forjou-se, com esses empresários e secretários, a mais intransponível cerca de jurubeba da história política amazonense.

Pior é que o governador, disposto a ter o menor trabalho possível, entregou a gestão da imagem a charlatões. Confiou num marketing que prometia “reeleição fácil”. Não viu que seu adversário em 2017, Eduardo Braga, perdeu para a própria rejeição. E acabou, em um ano, construindo uma rejeição comparável à de Braga.

O governador repetiu todas as velhas e rejeitadas práticas da política tradicional. Chega atrasado ou cancela compromissos. Não tem agenda. Recusa-se a receber lideranças. Assume compromissos e não cumpre. Isolado, não recebe novas ideias e deixa de oxigenar o governo.

Criou rotina de atendimentos na própria residência, no Tarumã. Manteve a imprensa afastada. Não executou nenhuma nova obra ou planejou algo diferente.

A pretexto de “arrumar a casa”, o governador acabou escondendo a própria imagem. Deixou margem para a fama de jogador inveterado de dominó, indolente, saúde frágil… Nada que ajude na busca de mais quatro anos de mandato.

O governador até desmente, com o decorrer da campanha, nos últimos dias, os boatos quanto à saúde. O problema é a sedimentação da imagem, em contraposição a adversário revestido pelo “novo”.

Amazonino, único prefeito de capital que sequer concorreu à reeleição, agora periga ser o primeiro governador não reeleito, após 1994.

 

O novo pode fortalecer o velho

Wilson Lima tem que evitar o deslumbramento com a ascensão inesperada. Dele – como de Jair Bolsonaro – depende o cultivo da imagem de que o novo é melhor. Ou acerta como governador ou fará o povo clamar pela volta de Braga, Omar ou Amazonino, os três últimos governadores. Manchará a “nova política” e fortalecerá a “velha política”. Colocará paletó e gravata em muita gente que já está de pijama ou se prepara para colocá-lo.

Wilson Lima e Amazonino Mendes, que disputam o 2º Turno no Amazonas, jogam um jogo praticamente definido. Quem viver, verá.

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