
Lavagem de dinheiro e contas milionárias são crimes transnacionais que não podem ser denunciados, como fez o prefeito Arthur Neto ao ministro Jungmann, e ficar sem apuração. Foto: Mário Oliveira/ Semcom/ Divulgação
O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, levou ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, informação grave: o Amazonas tem mais de 400 empresas que lavam dinheiro do crime organizado. O portal apurou que, em Tabatinga, principal cidade da tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru, há contas fantasmas milionárias. Elas receberiam dinheiro do tráfico e resultam do recolhimento de CPF e RG de quem nem sabe que tem conta. São crimes transnacionais que precisam ser investigados com urgência.
O tráfico embarca mercadoria no Alto Solimões e abastece o Brasil. Talvez aí esteja a razão do confronto que Manaus assiste, com um cenário de guerra. Mortes e mais mortes se vão acumulando, levando inocentes de roldão. Um dos casos mais recentes é o da professora atingida na perna e o do aluno ferido que faleceu no hospital. Ambos estavam saindo da escola.
O tráfico cria dependentes que, diante da fissura da síndrome de abstinência, não hesitam em atirar nas vítimas dos assaltos. Estes, por seu turno, são engendrados para repor perdas de capital nas apreensões policiais.
A roda viva, que mexe com o Brasil, aumenta o tamanho do monstro chamado tráfico. Que responde por Família do Norte (FDN), Comando Vermelho (CV) ou Primeiro Comando da Capital (PCC) e outros.
A impressão é que o tempo vai passando, o monstro se fortalecendo e as autoridades se tornando reféns da força que permitem. Há quem diga que os presídios já não são administrados pelo Estado. Ordem de chefão é a lei. São eles que seguram os cordéis capazes de movimentar assassinos de aluguel que não hesitam. E estes, quando presos, fazem questão de exibir números horripilantes de mortes e até apontar covas.
Manaus, aquela cidade pacata onde as pessoas conversavam nas varandas e dormiam de janelas abertas, não existe mais. Pior é que até em comunidades rurais a insegurança chegou. O cenário está mais para um Iraque pós-guerra ou uma Faixa de Gaza. As bombas e o terrorismo estão fartamente representados nos assaltos ou nas balas perdidas. Que atingem de usuários de ônibus a inocentes na saída da escola, passando por quem arrisca retiradas maiores em bancos.
É questão política. Acúmulo de prevaricação. Decisões erradas se arrastando anos a fio. Houve quem, a título de exemplo, tenha imaginado que FDN seria melhor que CV ou PCC. Os “nossos criminosos” seriam mais controláveis que os cartéis nacionais. E então se associaram e fortaleceram a ponto de, hoje, disputarem à bala o poder, de tão imenso que ficou.
Resta esperança. Tudo se baseia nos cabeças, nos grandes líderes. E no funil chamado tríplice fronteira. Sem comunicação com o comando e privado de matéria-prima o crime se desorganizará. E por que a fórmula, que nada tem de complicada, não é aplicada? É a pergunta que todos devem se fazer.
Veja mais notícias em Opinião