
Jornalismo para principiante, marqueteiro e patrulheiro, à guisa da campanha que está em curso
O jornalismo têm cânones que atravessam os tempos. Não são episódicos. Independem de momentos, como a eleição. O fato, que se transforma em notícia, é como água entre os dedos. Ou seja, vai “vazar” na menor brecha que exista. Sempre foi assim. E, matéria prima dos jornalistas, se torna cada vez mais fluída e menos represável.
Véspera de eleição é sempre momento em que se discute imparcialidade no jornalismo. Isso, está provado, não existe. A não ser para gargalhadas de quem faz fortuna no erário. Todo veículo de comunicação é uma empresa e, como tal, precisa sobreviver. No Amazonas, veículos dependem do poder público e é na eleição que se estabelecem alianças que vigorarão no mandato. Como, nesse contexto, pretender isenção?
Nos Estados Unidos, Meca do capitalismo mundial, as cadeias nacionais de TV e os grandes jornais assumem lados. Ou são republicanos ou democratas. Defendem as bandeiras de cada partido e abrem espaço para o debate sobre elas. É histórico e é sabido. Está faltando isso na democracia brasileira.
O jornalista se vê, nesta época, no meio de fogo cerrado. “Isso pode”, “isso não pode” é o que mais se ouve.
A legislação, premida pela reconhecida necessidade, se aprimora e se arma para combater as fake news, as notícias falsas.
O Facebook, por exemplo, tem um modo peculiar de avaliar fan pages dos jornais e portais de notícias: submete a notáveis que – até para justificar salários – vivem dando pitaco nas publicações. Restringem a circulação de conteúdo, sem sequer dar conhecimento ao usuário. Quando o protesto é muito grande justificam com “o algoritmo”, que tentam transformar no que George Orwell chamava de “Grande Irmão”.
O Face entra, assim, no departamento da censura pelo viés do “por um (pseudo jornalista) pagam todos”.
A Folha de S. Paulo e o UOL, site de notícias do grupo, decidiram romper com o Face. Não aceitaram as imposições de algoritmos, que nada mais são que robôs programados para cumprir parâmetros dos tais analistas.
Em Manaus, há poucos dias, um grupo de divulgadores do Face veio oferecer parceria a jornalistas locais. São geniozinhos gente boa, mas doutrinados como Bozó – aquele personagem do Chico Anísio que vivia exibindo crachá da “Grobo”. Tudo parece começar e terminar no Face. Mark Zuckerberg quer de graça a mão-de-obra que Umberto Calderaro, Phelippe Daou e Lourdes Archer Pinto pagaram para ter.
O Face é um sucesso. Todos brigam para brilhar nele. Daí a ocupar papel de “grande irmão” ou mediador da sociedade ou juiz entre fato e sensacionalismo vai enorme distância.
A pergunta é: se Facebook e WhatsApp precisam se submeter à legislação eleitoral, por que não se submetem às leis ditas comuns? Por que não são punidos quando fazem censura prévia a veículos firmemente estabelecidos e regidos pela ética? Ou a pós-censura? Fica a indagação para operadores do Direito e legisladores.
“Jornalistas”, que entram para a profissão na brecha da inexigibilidade de diploma, usando e abusando da tal liberdade de imprensa. Uns praticam o humor e fazem publicações risíveis, recheadas por português sofrível. O incrível é que há quem ache essa postura “válida” e até quem pague por ela.
“Jornalistas” que se vendem para propagar “escândalos”. Esse protagonismo pressupunha, antigamente, passado ilibado, formação cultural irrepreensível e delegação social por postura histórica. Isto é, alguém com farta demonstração de sinceridade de propósitos e que tenha contribuição para usar como café no bule.
Há quem imagine que, para criticar, agora, basta ter cara-de-pau. Nada mais.
Como dizia O Poetinha, Vinícius de Morais, “são demais os perigos desta vida pra quem tem paixão”. Aí está nova eleição para apaixonados por jornalismo, leitores ou jornalistas, passarem entre o cipoal de interesses que se forma. Que Deus tenha misericórdia de nós.
Veja mais notícias em Opinião