
Amazonino se candidato teria financiamento com obras teoricamente destinadas a consertar o sistema viário do interior, como o de Guajará (foto). Entenda como o governador pode desmentir essas suposições
Caso este fosse um ano eleitoral, e se o governador Amazonino Mendes fosse candidato à reeleição, dava para ver à frente. Seria possível dizer, por exemplo, que ele está montando uma rede de financiadores de campanha no interior. Ou que nome podia ser dado aos 42 contratos para “obras viárias” que ele acaba de celebrar a toque de caixa?
O esquema teria sido montado por um cérebro engenhoso. Alguém que sabe como camuflar dinheiro público. Ele teria ido buscar empresas diferentes, que tratou de espalhar Município por Município. Não tem nada de trouxa?.
Os 42 empreiteiros funcionariam como as células montadas por Osama Bin Laden e outros radicais muçulmanos. Teriam recebimento em dia. Alegariam necessidade de compras de fornecedores locais e pagamento in cash a trabalhadores. A maioria não trabalha com bancos. Tirariam daí a justificativa para transportar dinheiro em espécie. Estariam prontos para, na hora H, explodir o processo eleitoral.
Todo esse trabalho de camuflagem teria um objetivo. Os autores da artimanha contariam com a falta de braços no Ministério Público Eleitoral. Faltariam tempo, dinheiro e pessoal para alcançar tantos e tão distantes locais.
Esse esquema, com essa estrutura, seria igual ao que vem dando certo desde as eleições de 1986. A última vez que não funcionou, até onde nossa vista alcança, foi em 1983. Josué Filho perdeu com apoio – teórico – do Governo, Prefeitura e Suframa. Só que, passada a eleição, os “aliados” dele governaram com o eleito, Gilberto Mestrinho.
A coisa ficou tão descarada que, em 2014, José Melo usou e abusou da máquina estadual. Entrou para a história como primeiro cassado e preso, além de ter sido o pior governador do Amazonas. Amazonino, tarimbado, passado na casca do alho, não cometeria erro tão grosseiro.
O Ministério Público Eleitoral deve estar colocando uma lupa sobre empreiteiros que ganharão essa licitação relâmpago do Governo do Estado. Vigiados de perto, eles acabarão tendo que fazer a obra licitada, isto é, recuperação viária do interior. Finda a eleição – ooops, a obra -, as sedes municipais amazonenses ficarão um brinco. O asfalto será, pela primeira vez, impecável.
Os prefeitos, diante da vigilância anunciada, devem tratar esse dinheiro como se fosse federal. Até porque o Ministério Público Eleitoral tem esse status. É inesquecível que, por mexer em verba carimbada como federal, o pessoal da Maus Caminhos se deu mal.
Amazonino tem a chance de desmentir toda essa coluna. De cabo a rabo. Pode não ser candidato. Ou pode impedir que qualquer trouxa fique mandando em seu governo. Ou pode provar que não foi apenas por sorte ou falta de investigação que passou ileso nas três gestões anteriores.
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