Sexta-feira, 22 de junho de 2018

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Defesa argumenta que delegado reagiu em legítima defesa e acusação afirma que houve execução. Policiais, advogados e populares opinam

Houve execução, dizem testemunhas, uma vez que advogado já havia buscado refúgio e estava baleado

Viúva e dois filhos enterram marido saudável e produtivo

O assassinato do advogado Wilson de Lima Justo Filho, 35, por Gustavo de Castro Sotero, delegado da Polícia Civil do Amazonas, mobiliza a cidade. Cinco advogados foram à audiência de custódia e obtiveram a transformação da prisão em flagrante em preventiva. Ordem dos Advogados do Brasil seção do Amazonas (OAB-AM) e Ministério Público Estadual (MPE) querem prisão em presídio comum. Sotero, que é natural do Ceará, fica numa cela do Grupo Fera. O que dizem os colegas dele, também policiais? E a defesa? E a acusação? Esse panavueiro ainda terá muitos desdobramentos, mas a coluna ouviu os universitários.

 

Defesa

A defesa alega que o delegado Sotero agiu em legítima defesa. Afirma que ele puxou a arma para se defender e foi obrigado a atirar. Foi mais ou menos isso que disse a advogada de Sotero, Carmem Valerya Romero Salvioni, na audiência de custódia.

 

Colegas policiais

“Quem é que vai ficar parado, depois de levar um soco, tendo uma arma na cintura e sabendo usar?”, indagam policiais. Eles acham que o delegado Sotero reagiu instintivamente, em legítima defesa.

 

Acusação

A acusação, em flagrante vantagem, dirá que houve homicídio qualificado, pela impossibilidade de defesa da vítima. Isso dá de 12 a 30 anos de reclusão, em concurso material com as lesões corporais aos outros.

 

Os fatos

O Portal do Marcos Santos ouviu outras testemunhas que estavam no Porão do Alemão, na hora dos fatos, e tirou conclusões.

 

Portaria

O delegado passou pela porta, foi revistado, a segurança perguntou se ele não queria deixar a arma e recebê-la na saída. Ele apelou para a lei, que permite o porte mesmo dentro de casas noturnas. E a portaria então “acautelou” a pistola dele, ou seja, anotou os dados dela.

 

Paquera

Sotero, depois de beber, sentou numa mesa e começou a encarar a esposa de Wilson Justo. Ela avisou o marido. O advogado deu um beijo do tipo “sossega-leão”, imaginando que o delegado entenderia que ela estava acompanhada. Mas ele continuou a se insinuar e o marido foi até a mesa tomar satisfação.

 

Soco e tiros

Os dois discutiram e Justo deu um soco em Sotero. O delegado caiu. A mulher de Justo correu para retirá-lo. O delegado puxou a arma e atirou, acertando primeiro a perna dela, que caiu, e em seguida o marido, na altura da barriga.

 

Abrigo e os dois tiros finais

Sotero continuou atirando. Atingiu outras duas pessoas. Chegou a ser contido. Wilson tinha se escondido num canto do salão, mais escuro. O delegado, conseguindo se desvencilhar, vai até ele e desfere mais dois tiros. Aí fatais.

Confronto

A primeira batalha da OAB-AM será para tirar Sotero “do ambiente dos amigos”. Quer o delegado num presídio comum. Já está em contato com a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap). Quer, desta, uma declaração de que tem cela especial e garante a segurança do preso – algo inerente à pasta. Esse documento será apresentado ao “juiz natural”, com o parecer do Ministério Público, para que o delegado seja recolhido lá.

 

‘Tiro ao pombo’

O princípio da legislação que permite ao policial permanecer com a arma, mesmo na balada, está eivado de bons propósitos. É só lembrar o Rio de Janeiro, onde o crime organizado brincava de “caça ao pombo”. O que é isso? Usando rifles com miras telescópicas, lá do alto do morro, os bandidos atiravam nos policiais que passavam no asfalto.

 

Ataques a delegacias

Em São Paulo, num dos períodos mais trágicos da história brasileira, vários policiais foram feridos e até mortos em ataques a delegacias. Marcola, o “dono” do Primeiro Comando da Capital (PCC), havia autorizado os ataques, como represália à própria transferência. Dizem que o Governo Paulista teve que ir à cela dele, negociar, para estancar a sanha sanguinária.

 

Porte de arma sempre

Como, diante desses ataques, deixar o policial desarmado? Foi o princípio imaginado pelo legislador. Aí saiu uma legislação, normatizada por Portaria da Polícia Civil do Amazonas, permitindo o porte sempre. Veja: Lei 10.826/03 (https://goo.gl/izqze) bem como a Portaria Normativa Nº 09/2013-GDG/PC.

Porte de arma sempre (2)

Há muitas reclamações, dos donos de casas noturnas, por conta de abusos cometidos por policiais armados. Uma coisa é comum em todas elas: os envolvidos estavam embriagados.

 

Porte de arma sempre (3)

Nenhum poder pode ser absoluto. Está na hora de normatizar as coisas. Policial tem o direito de zelar por sua defesa. Pode e deve andar armado. Mas é preciso acrescentar uma pequena cláusula a essa permissão: “Se for beber, tem que deixar a arma na portaria do local público em que se encontrar. Sob pena de reclusão em flagrante”. Isso resolve.

 

Família

A síntese de tudo é dolorosa. Hoje, sábado, no meio de fim-de-semana, uma família, viúva e dois filhos, enterram um marido saudável e produtivo. Pêsames. Solidariedade. Reflitamos sobre isso.

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13 comentários para “Defesa argumenta que delegado reagiu em legítima defesa e acusação afirma que houve execução. Policiais, advogados e populares opinam

  1. Eduardo vieira disse:

    Se beber não dirija e não ande armardo

  2. Felipe disse:

    Vivemos no mundo da desgraça total, ninguém resolve mais nada na conversa, tudo se resolve na porrada, ou na bala como foi o caso do advogado e do delegado. Acabou aquela velha máxima: “Quando um não quer não há briga”, ou ainda “deixar pra lá”. Resultado atual: um jovem morto, outro desgraçou a vida de várias outras pessoas, em especial a sua. Deus abençoe vítimas e agressores.

  3. Léa disse:

    Se beber não dirija,se beber não porte uma arma, sempre será um risco ao ser humano.A esposa jamais poderia dizer que um homem tava encarando,sem dúvidas alguma não iria acabar bem essa situação, lamentável.

  4. Sim acho que é direito do policial andar armado pra sua defesa,mas não é direito um advogado andar armado embreagado,porque já que ele levou um tapa,lutar mão a mão,mesmo que ele já estava errado a esposa do advogado estava acompanhada do marido e ele ficou assediando,mas este delegado só se senti homem armado,nos cidadans de bem pedimos as autoridades que façam justiça,que ele seja preso em uma penitenciária comum é que nunca mas ele volte a exercer a profissão de delegado é que nunca mas ele use uma arma na vida,pois ele tirou o direito de duas crianças de crescerem ao lado do pai delas ,estas crianças cresceram sabendo que um delegado que teria que proteger a população tirou a vida de vosso pai,muito triste a população amazonense está revoltada

  5. Fabiany Cabral disse:

    Quando o poder sobe pra cabeça dar nisso….. me criei sendo humilde de espírito respeitando as pessoas…. lamentável ver uma familia sendo destruida por motivo fútil…. que Deus esteja mais nas ações das pessoas principalmente desse delegado que estudou e se formou pra proteger a população e naum matar um filho, um pai de família e um marido apaixonado….. agora me.pergumto pq entrar numa casa noturna pra se distrair armado?… que bebesse que curtisse a noite com risadas com os amigos com musicas e que voltasse pro seus lares alegres….. mais Deus em nossas ações?

  6. Raimundo José de Castro Simas disse:

    Houve sim execução, ele atirou e matou o advogado com instinto de crueldade e execução sumária diante da situação. Ele como delegado poderia sim como se defendeu em legitima defesa, pois já tinha dado um tiro nele e estava caído sem defesa. Depois foi lá e executou o advogado com o instinto de maldade mesmo. Porque poderia prende-ló como autoridade que é, e não executa-ló como fez. Tem que ir preso e guardar na penitenciária junto com tantos bandidos igual a ele, que mandou pra lá. #Condenação a Júri Popular por mais de 100 anos de prisão. Isso é o que ele merece por ter acabado com uma família. Porque como delegado e homem da lei tinha que dá bom exemplo pra sociedade. Aliás não deveria nem está na instituição, pela conduta que já aparentava em outros vídeos em que ele aparece achando pelo fato de ser um delegado ou um da lei dá direito de sair tirando vidas de pessoas inocentes. Um desequilibrado isso que ele é, não pode conviver em sociedade.

  7. Andreza disse:

    Legítima defesa isso é palhaçada né! Foi execução Sim, esse delegado estava totalmente embriagado e é um desequilibrado assim sim pq não deu tiro pra cima, ou deu voz de prisão r deu um tiro né pé, ele deu certeiro deu pra matar mesmo foi no coração . É assino devia ser p promeiro a dar o exemplo fato.

  8. Sandro Soares disse:

    Policial quer entrar armado em casa noturna, ok a lei permite, mas ingerir bebida alcoólica, aí já mais. Crime de perigo abstrato?
    A meu ver tem q ser condenado e perder o cargo.

  9. Raul disse:

    Quem conhece sabe a real situação. Sotero, como muitos sabem, seria homossexual e não estava dando em cima da esposa de Wilson e sim, do próprio advogado. A esposa foi tirar satisfações quando foi empurrada por Sotero. Wilson, na condição de marido, defendeu a esposa com um soco no delegado, que covardemente reagiu sacando a pistola e atirando contra Wilson. Não deixem que a verdadeira versão dos fatos seja omitida…

  10. Raul disse:

    Acredito tbm que deveriam no mínimo fazer exame toxicológico nesse Sotero, que por sinal não é “primário” nesse tipo de confusão (já que circulam vídeos do mesmo em outro incidente sob o efeito de álcool em frente do mesmo estabelecimento…

  11. Maiko disse:

    Se o cara chega conversando deveria tá vivo ! Mas um soco na cara tá louco até eu queimava

    1. ROMEU disse:

      NESSE CASO O DELEGADO SOTERO, AGIL EM LEGITIMA DEFESA. TEM TRÊS SITUAÇOES QUE O SR. WILSON DE LIMA JUSTO, LUTADO DE DE MAKITA A VITIMA, NÃO SE ATENTOU: 01- UMA COISA É DAR UM SOCO EM UM CIDADÃO DESARMADO. 02- A OUTRA SITUAÇÃO É DA UM SOCO EM UM CIDADÃO ARMADO. 03 – A OUTRA É DA UM SOCO EM UM DELEGADO ARMADO. DE ONDE VEIO ESSE ADVOGADO TÃO MERECIDO PRA BATER NA CARA DE CIDADÃO????

    2. romeu disse:

      UM SOCO DESSE EU TAMBEM QUEIMAVA

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