
Caprichoso venceu o Festival de Parintins mexendo radicalmente nos itens. É hora de outras mexidas na festa inteira. Foto: Tereza Cidade
Os bumbás de Parintins mostram, ano após ano, a incrível capacidade de superar adversidades. Passaram, ambos, por momentos em que os problemas eram tão graves que pareciam forçá-los a abandonar a disputa, mas se fizeram presentes e competitivos. O Festival ainda sofre com a estupidez do ex-governador José Melo, que retirou o apoio financeiro do Governo do Estado ano passado. Mostrou, ao contrário, sinais claros de recuperação do otimismo. A síntese, porém, ainda revela distância do apogeu. É preciso tomar algumas medidas.
Os atuais presidentes dos bumbás, Babá Tupinambá e Adelson Albuquerque, mostram sensibilidade e disposição de fazer o necessário para facilitar a organização e o acesso do público. O prefeito Bi Garcia também vive a festa muito de perto. É dele, aliás, grande parte da responsabilidade por esse início de retomada do pique do Festival.
Está na hora de mexer no tempo de apresentação. Com duas horas e meia para cada, o Festival fica caro e enfadonho para o público, difícil de transmitir e um massacre dos artistas. Ok, faça-se uma redução gradativa, primeiro para hora e meia sexta e domingo e duas horas no sábado. Mexa-se no intervalo, que pode diminuir para 25 minutos, com apenas 5 minutos daquela encheção de linguiça do “animador de galera”. Eles são verdadeiros heróis por segurar a ansiedade gritante dos torcedores, após duas horas e meia de apresentação do contrário e mais 30 minutos dos apresentadores da festa, fora a espera na famosa fila. Os 15 minutos que ocupam, fácil reconhecer, são absolutamente desnecessários.
É racional também acabar com a exclusividade na transmissão. A TV A Crítica está na frente, adquiriu know how invejável e encontrou a melhor fórmula para transmitir o espetáculo até aqui. Aí está o diferencial dela. Que venham as demais TVs de Manaus, inclusive nos meses que antecedem a festa, sem a preocupação de “colocar azeitona na empada dos outros”. Estão fazendo uma falta danada aqueles eventos da TV Amazonas no Studio 5.
Outra coisa são os preços da festa. É preciso arranjo econômico, baseado em estudo técnico e muito diálogo com os empresários, inclusive micros, para encontrar solução viável. Uma delas é fazer um calendário de eventos ao longo do ano, em torno dos bumbás, evitando a pressão concentrada nos três dias do Festival.
Companhias aéreas, barcos, hotéis, pousadas, casas com quartos no sistema cama-e-café-da-manhã, bares, restaurantes e todos os outros segmentos envolvidos precisam entender que cobrar os absurdos preços de hoje é matar a galinha dos ovos de ouro.
A Prefeitura e o Governo do Estado deveriam chamar atenção das operadoras de telefonia. O serviço oferecido a quem foi ao Festival foi um lixo. Horrível. Sofrível. Indigno da tecnologia disponível. Isso precisa ter punição ou se repetirá, com prejuízo incalculável para todos.
O Bumbódromo já deveria oferecer, faz tempo!, o serviço de wifi grátis. Isso multiplicaria aos milhares o compartilhamento do Festival nas mídias sociais. Organicamente. É o sonho do marketing moderno.
A hora é boa para mudanças. O momento é de pensar com frieza e sensatez. Quem gere o Festival de Parintins precisa estar à altura dos nossos primeiros, donos da dedicação e desprendimento que fizeram a festa chegar até aqui, para manter tudo de pé e em crescimento.
Tomara que o espírito aberto, responsável pela volta do otimismo, ocorrida este ano, presida as ações para 2018. Que vença o Festival.
PS: Parabéns ao Caprichoso pela vitória. Nenhum julgamento pode empolgar a ponto de obscurecer os méritos do adversário. Nem impedir a busca do aperfeiçoamento. A ousadia do presidente Babá, em trocar tantos itens e executar tantas alternativas inovadoras, mostra que é possível mudar e aprimorar cada vez mais. Obrigado pela tocante homenagem, sexta-feira, a meu pai Zé Caiá, que representa, no humilde papel de auxiliar do irmão, Luiz Gonzaga, todos os anônimos que trabalharam pelo crescimento da nossa festa. “Lá vai Santarém, Porrotó/ Luiz Gonzaga, Pamim/ Zé Caiá/ Heróis do rio, do igapó/ História do meu bumbá.”
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