
O 27 de agosto vai revelar o resultado do baralho jogado na política amazonense
O prefeito Arthur Virgílio parece mesmo ter fechado acordo, com o senador Omar Aziz, para apoiar o ex-governador Amazonino Mendes na eleição tampão. Isso significa rompimento com o senador Eduardo Braga, aliado do prefeito na eleição do ano passado e também candidato. Omar, em 2016, estava do outro lado, com Marcelo Ramos. E agora? É difícil entender a lógica por trás desses movimentos, mas o leitor pede e a gente tenta.
Ano passado, quando Arthur rompeu com Omar e se aliançou com Braga, também era difícil entender a lógica. A princípio todos pensavam que se tratava de pura birra do prefeito, depois que ficaram claros os movimentos do senador, estimulando candidaturas alternativas como as de Marcelo Ramos e Silas Câmara. Só ao final do processo, com Arthur reeleito, é que ficou claro: o prefeito havia lido pesquisas e sabia que o governador José Melo seria o pior aliado para qualquer candidato. Ao se aliar com Braga, que brigava na Justiça pelo mandato de Melo, ficava clara a separação. A bomba foi parar no colo do adversário, Marcelo Ramos.
O que houve agora?
Políticos que passaram pelo Executivo sabem que quanto mais concorrentes menores as chances deles. David Almeida chegou e, tendo como parâmetro o pior governador do Amazonas, Melo, logo ganhou destaque. Virou favorito na eleição tampão e, ganhando, também partiria na frente em 2018. Tomaria para si o comando dos próximos cinco anos na política amazonense. Omar cortou essa possibilidade, negando-lhe o partido.
Não adiantava, por outro lado, cortar o tiro longo do governador interino, de 48 anos de idade, apostando em qualquer outro que também representasse ameaça. Foi aí que surgiu a alternativa Amazonino Mendes.
Recolhido ao sítio do Tarumã e recém-saído de uma cirurgia, que precisou ser feita em São Paulo, no hospital Sírio-Libanês, o Negão parece ser o nome ideal para os interesses dos caciques, de olho na eleição do ano que vem. Tem experiência para reorganizar a máquina estadual. E não tem saúde nem disposição para uma eleição desgastante, como a de 2018, devendo ficar no governo e atuar como magistrado. Ou aliado, por exemplo, de alguém como o senador Omar, cujas pretensões de voltar ao governo são bem claras.
Eduardo Braga, por seu turno, está longe de ser a noiva abandonada no altar. Experiente, articulado e bem informado, certamente sabia das conversas entre Arthur e Omar. Teria até participado delas e estimulado o reatamento entre prefeito e senador. O problema é que, lançado candidato, parece ter deixado de lado os rituais de estímulo aos aliados e às alianças. Corre o risco de, novamente favorito, sofrer outra derrota para um azarão e se transformar num cavalo perdedor, daqueles que nenhum jóquei quer montar e que não recebem apostas. É só lembrar que José Melo entrou na corrida com 2% nas pesquisas. Mas se ganhar, ele sabe usar a máquina como poucos. Os adversários que se cuidem.
Arthur, por outro lado, se tornou especialista em embaralhar a política amazonense. Depois da vitória em 2016, que parecia bem mais difícil do que foi, todos se perguntam o que estará pensando. É um pensamento que vai além do senso comum. Estará certo, outra vez? O 27 de agosto dirá.
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