05/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

A escuridão na ponte Rio Negro e a incompetência para manter o sistema de iluminação do cartão postal (veja fotos)

Publicado em 13 de setembro, 2016

ponte-escuro

Foto das 20h30 desta segunda (12/09). Atrás da ilha iluminada do Jardim das Américas aparece (num bom monitor) o vão central da ponte às escuras. Veja abaixo fotos denunciando o vandalismo que está chegando ao concreto. Foto: Marcos Santos

A ponte Rio Negro liga Manaus, no bairro da Compensa, à vila ou distrito do Cacau-Pirêra, no Município de Iranduba, sobre o rio Negro. Não é uma ponte longe demais, porém, devido à incapacidade do aparelho estadual para evitar o roubo dos fios de energia elétrica, está na escuridão.

Trata-se de um cartão postal, mas, por conta dessa escuridão, que dura meses e meses, Manaus recebeu os estrangeiros que vieram acompanhar os jogos do torneio de futebol da Olimpíada Rio/2016 e para Brasil 2 a 1 Colômbia, eliminatórias da Copa do Mundo 2018, sem oferecer o convidativo visual da ponte iluminada.

Parece pouco? Não há como alguém imaginar a Golden Gate, em San Francisco, ou a ponte do Brooklin, em New York, sem a famosa iluminação da parte estaiada. É um subproduto importante do turismo nesses locais, fator econômico fundamental em ambos.

Se ainda estivesse difícil de entender – e só a falta de entendimento da importância da iluminação pode explicar a escuridão – bastaria dizer que os aviões fazem a aproximação noturna do aeroporto de Manaus de maneira a permitir o visual da ponte. Ou, ainda mais importante, muitos moradores do Cacau-Pirêra trabalham do lado de cá e atravessam de bicicleta ou mesmo a pé para o lado de lá pela ponte. E lá se havia tornado convidativo local de corrida e caminhada, especialmente no fim da tarde, com o sol ameno e o visual esfuziante do rio e da cidade, na perspectiva da Ponta Negra e do Roadway.

O principal argumento para exigir a volta da iluminação, no entanto, é o custo. O Governo do Amazonas jogou para construir a ponte R$ 1 bilhão. E outros R$ 70 milhões só para iluminar e construir as balsas, à guisa de defensas, instaladas após a obra.

Nada de dinheiro a fundo perdido. Os recursos ou saíram dos cofres estaduais – leia-se impostos pagos pelos amazonenses – ou foram emprestados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Empréstimo regular, com juros, correção monetária e cronograma de pagamento pelo Governo do Amazonas – os amazonenses, leia-se.

Seria terrível para o Governo do Amazonas admitir que perdeu a batalha para os vândalos. O que dizer das instituições estaduais se tal acontecesse? Seria a falência da capacidade estadual de garantir o patrimônio público.

Não se trata de perseguição a governante, mas, para garantir um direito adquirido com o suor dos amazonenses, é preciso intervenção do Ministério Público Estadual (MPE) e do Ministério Público Federal (MPF). A ponte Rio Negro às escuras é prevaricação, improbidade administrativa e seja lá o que mais for.

Para que servem, indaga o cidadão, os policiais que ficam 24 horas de um lado e outro da ponte? Apenas para olhar os documentos dos motoristas que passam por lá e atrasar a volta no fim de semana, provocando engarrafamentos gigantescos?

Para arrancar fios da ponte, que são especiais, bem mais grossos que esses comuns, usados nas residências, é necessária uma especialização rara. Se alguém sem conhecimento tentar, corre o risco de morrer eletrocutado. E o transporte? O material é pesado. A retirada, como é óbvio, corta a iluminação, que pode ser vista muito longe e o desligamento seria um alerta mais que suficiente para que a polícia fechasse as saídas e cercasse os ladrões.

Roubaram os fios, os conectores e até as câmeras de segurança, que deveriam justamente fazer a vigilância eletrônica da ponte. Pior é que agora já estão quebrando concreto para retirar outros materiais, o que pode colocar em risco todo o complexo.

O Amazonas e os amazonenses não podem abrir mão de patrimônio público conquistado com tanta dificuldade. O governador José Melo está inerte? O Governo do Estado mostra-se incompetente para resolver questões graves? Nada disso é desculpa para que os setores encarregados da fiscalização do poder público cruzem os braços. Nem o cidadão, que não pode assistir impassível o descalabro contínuo.

A ponte Rio Negro é exemplo de inoperância, incompetência e pouco caso com o patrimônio público. Mas é também emblemática da necessidade de uma sacudida em José Melo e sua administração. Ele passa. O Estado fica.

ponte-vandalismo4

Você verá a seguir cenas que denunciam o vandalismo na ponte Rio Negro. São fotos do fim de semana passado. Esta mostra que a câmera de um dos estais foi roubada


ponte-vandalismo2

Outra câmera de vigilância teve os fios cortados


ponte-vandalismo

Os ladrões abrem, com instrumentos especiais, compartimentos que deveriam permanecer fechados e seguros, par retirar fios e outros equipamentos


ponte-concreto

Aqui fica evidente como os vândalos quebraram o concreto para roubar, numa demonstração de como a falta de segurança na ponte pode se tornar um perigo

Veja mais notícias em Opinião

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.