O povo foi às ruas domingo (13/03/2016), desafiado pelos grupos organizados que cercam o poder central, tornando a data um marco histórico na democracia brasileira. Fala-se dos comícios das Diretas Já, na Candelaria (RJ) e no Vale do Anhangabaú (SP), mas as manifestações do Fora Dilma foram maiores nas duas capitais. Reivindica-se público gigantesco nos Réveillons da Ponta Negra e nunca o espaço recebeu tanta gente como neste março. Mas, se “todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”, como diz o preâmbulo da Carta Magna, o que está faltando para Dilma Rousseff ser apeada do poder? Confiança nas alternativas.
Saindo Dilma assume em linha direta o vice-presidente Michel Temer, presidente do PMDB, justamente o partido que mais se beneficia do status quo. É a sigla de José Sarney que, por sua vez, saltou da Bossa Nova da UDN para o colo da base militar chamada Arena, depois foi para o idem PDS, passou pelo DEM e desaguou líder peemedebista.
A saída do semiparlamentarismo, com Dilma abrindo mão de parte dos poderes em favor do Congresso Nacional, entrega o comando da Nação a Renan Calheiros, presidente do Senado, e a Eduardo Cunha, presidente da Câmara, ambos envolvidos em problemas sérios.
Como dizem os marqueteiros, o povo pode não ser versado nas ciências sociais, políticas, hermenêutica, semiologia etc., mas sente. Esse feeling, no momento, denuncia que é preciso tirar Dilma, cuja saída se tornou pressuposto de esperança, alternativa econômica e necessidade política. Só a falta de opção segura, neste momento, impede a massa de marchar sobre o Palácio do Planalto.
O Governo, até então articulado a ponto de vencer a campanha da reeleição convencendo o País de que tudo estava muito bem, agora trabalha no varejo, apagando incêndios, tentando evitar o naufrágio eminente. Não há outra explicação para Lula buscar refúgio no ministério de Dilma. Você já ouviu falar num rabo que balançou o corpo? Pois se isso se confirmar, o que pode ocorrer nas próximas horas, será o líder sendo liderado pela liderada. Algo parecido com o que Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, chamou de “samba do crioulo doido”.
O deputado federal amazonense e líder do DEM na Câmara dos Deputados, Pauderney Avelino, afirma ter uma Ação Popular, remédio legal prescrito pelos especialistas, pronta para evitar a posse de Lula. O principal impacto, porém, deve atingir a estrutura da administração Dilma, ganhando a proporção de ato de desespero e contaminando de vez o governo com os crimes da Operação Lava Jato.
Lula articula a reação a Sérgio Moro, ao mesmo tempo que foge dele. Foge do quê? Daquela Justiça, com a tradicional venda nos olhos, que não se curva a pressões e é guiada apenas pela Lei.
A pergunta que não quer calar é: esse juiz, atuando em capital fora da esfera de poder Rio-São Paulo-Minas, tem peito para mandar prender o ex-presidente que um dia já foi o mais popular do País? É a resposta que move Lula e Dilma, neste momento: sim. Contando com o respaldo das massas que foram às ruas gritando manifestações de apoio à atuação dele na Operação Lava Jato, tem peito sim.
Como disse Alexandre Garcia, neste momento “a fraqueza de Lula é tentar ser mais forte que a Lei”.
O Brasil vive uma encruzilhada. O partido da ética falhou eticamente. A hora é de mudança profunda, que vai além da política. Veja a reflexão abaixo, que está circulando nas redes sociais:
“De onde vem tanta corrupção?
Reclamamos:
Do Lula?
Do FHC ?
Do Aécio ?
Do Cunha ?
Da Dilma?
Do Sarney?
Do Collor?
Do Renan?
Do Palocci?
Do Delúbio?
Da Roseanne Sarney?
Do Kassab?
Dos picaretas do Congresso?
Dos políticos de forma geral.
Mas Brasileiro é assim:
E quer que os políticos sejam honestos?
Escandaliza-se com a farra das passagens aéreas…
Esses políticos que aí estão, saíram do meio desse mesmo povo ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?
E é a mais pura verdade, isso que é o pior!
Então, sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!
Vamos dar o bom exemplo!”
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