27/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O Febeapá sobrevive

Publicado em 02 de outubro, 2014

Do doutor Mário Bezerra de Araújo recebi o texto que abaixo transcrevo, mantendo inclusive o título original. O autor é amazonense dos mais ilustres, economista aqui formado e com enfoque especial no estudo do setor primário. Sua opinião é sempre bem-vinda e enriquecedora. Vamos ao texto:

“Criação do genial Stanislaw Ponte Preta, o Festival de Besteiras que Assola o Pais, com mais de meio século, continua novinho entre nós.

Hoje, ouvi no rádio uma entrevista da senadora Vanessa Grazziotini (penso que é assim que se escreve) que versava sobre a tal Copa do Mundo no Brasil. Dizia ela que foi muito bom o legado deixado por aquele evento, inclusive que a Arena da Amazônia serviu para dar ao mundo visibilidade a Manaus e à própria Amazônia. Em outras palavras, apresentou à comunidade internacional nossa cidade e a nossa região. Disse ainda que o custo do estádio foi pequeno, tendo em vista que o custo de propaganda para dar ao mundo conhecimento desta região seria altíssimo, e a Arena o deu por módicos um bilhão de reais. Vale dizer, o custo benefício foi positivo, isto é, o gasto de um só bilhão foi pouco em relação ao conhecimento que proporcionou. Digo um bilhão porque temos que levar em conta o custo do nosso estádio que estava em perfeitas condições e foi derrubado, e mais a sua reforma, feita há pouco mais de dez anos, com um custo acima de cinquenta milhões de reais

A nossa cidade creio que apresentou, sim, primeiramente na orla do Rio Negro, um local onde se processa o embarque e o desembarque de passageiros que demandam o interior, não se podendo chamar aquela imundície de porto. Ainda na orla, um amontoado de casas penduradas nas barrancas, formando uma favela na sala de visitas. As favelas com nome de bairro estão às centenas no entorno de Manaus, entrecortadas por dezenas de quilômetros de esgotos a céu aberto, inclusive um que passa ao lado da tal Arena. Menos mal que essas favelas levam os nomes deles. Com efeito, o que tem de Mendes, Bragas e Nascimentos por aí, nas ruelas, becos e vielas da periferia de Manaus, é uma festa.

Em primeiro lugar, quero dizer: altíssimo custo em propaganda é o que um candidato a senador ou deputado federal dispõe para se eleger. E, segundo o seu Luís (aquele que nada sabe, aquele que não sabe ler) apenas para se tornar picareta no Congresso Nacional, com as devidas exceções para não fugir à regra.

Digo eu: o custo de uma campanha nem de longe é compensado pelos ganhos legais que um picareta (segundo o seu Luís) aufere durante um mandato. E o dinheiro ninguém sabe de onde vem, verdade?

Quanto a ter dado para o mundo visibilidade à Amazônia, penso eu não seria necessário. Senão, vejamos: segundo pesquisas internacionais, a nossa região é conhecida mundialmente, ficando em segundo lugar e perdendo apenas para a marca “coca-cola”. A Amazônia, todos sabem, é motivo de cobiça internacional, sendo certo que os sete países mais ricos do mundo insinuaram criar um consórcio para administrá-la.

A Amazônia foi, por décadas, alardeada por pseudo-cientistas e eco-idiotas como pulmão do mundo. Em um seminário de ecofisiologia tropical, nos anos 1970, o cientista brasileiro Paulo de Tarso Alvim desmistificou tal absurdo, dizendo simplesmente que a floresta havia atingido o seu ápice e que o oxigênio por ela consumido era igual,em quantidade, ao gás carbônico expelido, quando a reversão da fotossíntese.

A Amazônia, agora no século 21, foi novamente bombardeada por “estudiosos” e verdinhos, afirmando que não se pode criar gado vacum aqui, porque a flatulência e a eructação das vacas iria romper a camada de ozônio na atmosfera. O rebanho amazônico está atualmente em torno de três milhões de cabeças. O que isso significa diante do rebanho da Índia, que é de mais de duzentos milhões. Só podemos ponderar que lá, como as vacas são sagradas, não expelem flatos nem eructação.

A Amazônia é mais conhecida que o deserto de Sahara. São as pesquisas que afirmam. Por mim, nossa região seria conhecida por nós que aqui e dela vivemos, e, assim, não despertaria a cobiça de outros povos, nem ouviríamos certas opiniões estapafúrdias e invejosas. Com todo este “curriculum” precisávamos gastar mais de um bilhão de reais para a realização de apenas quatro jogos e dar conhecimento ao mundo de que nós existimos?

Um bilhão de reais seria o suficiente para pagar durante quarenta anos as bolsas inventadas pelo seu Luís (aquele que disse ser o Congresso Nacional repleto de picaretas) para três mil famílias. São duas gerações, pois não?

Resta-me fazer uma pergunta. Fomos apresentados ao mundo pela Arena. E agora: o quê fazer dela ou com ela? Pode Vossa Excelência me responder, Senadora?”

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Autor
Felix Valois

* Félix Valois é advogado, professor universitário e integrou a comissão de juristas instituída p...

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