04/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

A saída de Omar do Governo do Amazonas e as obras que ficarão no caminho, após quatro anos de administração

Publicado em 17 de março, 2014

O governador Omar Aziz está num pé e noutro entre sair e ficar no comando do Governo do Amazonas, pelos próximos dez meses. A alternativa é entregar a administração para o vice-governador José Melo e disputar, ele próprio, Omar, a única vaga disponível nesta eleição para o Senado da República.

Se Omar sair, deixará para trás obras que pretendia inaugurar até este fim de março e que não serão concluídas.

A rodovia Manoel Urbano (AM-070, Manaus-Manacapuru) é o principal exemplo. Deveria ter sido duplicada antes da inauguração da ponte Rio Negro, mas Omar se comprometeu a duplicá-la pelo menos até a entrada da sede municipal de Iranduba (mais ou menos 15 quilômetros). As obras foram muito interrompidas por causa dos sítios arqueológicos existentes no caminho e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem deficiência de arqueólogos para averiguar as ocorrências e para tudo.

Outra obra, igualmente anunciada com estardalhaço, foi a Cidade Universitária. Destinada a abrigar a Universidade Estadual do Amazonas (UEA), com direito a alojamento para estudantes e professores convidados e até um shopping, não chegou sequer a concluir o ramal de acesso ao canteiro de obras.

A avenida das Flores, continuação da avenida das Torres, também fica pelo caminho. É uma obra que vai desafogar o trânsito no sentido Norte-Sul, depois que a rodovia Torquato Tapajós se tornou insuficiente para a nova demanda provocada pela expansão da Zona Norte – em grande parte provocada pelo próprio Governo do Estado.

São três obras necessárias e urgentes, que poderiam marcar os quatro anos da gestão Omar Aziz, mas ficarão inacabadas e deixando a impressão de que não foram devidamente tocadas.

Omar teve problemas de percurso. Precisou pagar a ponte Rio Negro, por exemplo, uma vez que o antecessor dele, o hoje senador Eduardo Braga, deixou-lhe a conta em aberto. Ou pagava ou passaria recibo de incompetência, além de transformar o que já estava pronto da ponte em elefante branco. Ele também “herdou” a Arena da Amazônia, dois terços da qual teve que tocar sem nenhum recurso federal – só depois saiu o empréstimo da Caixa Econômica para a obra. Foi uma correria para fechar as contas de 2013.

As obras inacabadas estão entre as razões para a indecisão que tira o sono do governador nos últimos dias. Se ficar e concluir as obras, leva de bandeja o posto de principal eleitor de 2014 no Amazonas, mas pode virar vidraça, a partir de 2015, ficando sem mandato.

Até o começo de abril Omar decide. Porque o prazo eleitoral é fatal, isto é, improrrogável.

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