Três vezes governador e três vezes prefeito de Manaus, o advogado e ex-empresário da construção civil Amazonino Mendes dá sinais de cansaço e mostra visível perda de apetite político. Diabético e cardíaco – recebeu três pontes de safena dia 27 de agosto, no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo –, ele compartimentou a Prefeitura entre o secretariado e pouco foi ao gabinete. Despachou mais de casa, no Tarumã, principalmente este ano. Abriu mão da disputa da reeleição. Votou em Arthur Virgílio, mas não pediu voto publicamente nem empunhou a máquina sob seu comando na campanha, como fez outras vezes.
É o fim da vida pública de Amazonino?
Claro que não. Ele mesmo anuncia que deseja disputar a Assembleia Legislativa. Às turras com seu vice-prefeito no mandato para o qual se elegeu em 1992 e seu candidato a governador eleito em 2002, o senador Eduardo Braga, deixou uma cunha para o caso de se ver “apoquentado” entre o momento de sua saída e a eleição de 2014. Essa possível candidatura é um recado do tipo: “Eduardo, me esquece ou eu saio candidato e formo uma bancada que, se você ganhar, fará oposição feroz na Assembleia”.
No atual sistema eleitoral brasileiro, um candidato com muito voto pode “puxar” outros, menos cotados, e formar uma bancada particular, como ocorreu com o humorista e dublê de cantor Tiririca, em São Paulo.
Não é por aí, porém, que Amazonino deve ressurgir na cena política. Com o governador Omar Aziz determinado a ficar no Governo e não disputar nenhum cargo em 2014, a vaga do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, no Senado, está mais que aberta. E o amazonense pode muito bem fazer com Amazonino o que fez com Gilberto Mestrinho, dando-lhe a vaga senatorial.
Há obstáculos separando o campeão de mandatos de uma volta ao Senado, para o qual se elegeu em 1990, mas onde ficou apenas em 1991 e 1992, cedendo os seis anos restantes para o empresário paulista Gilberto Miranda.
As cirurgias o atrapalharam na eleição deste ano, quando planejou eleger 20 prefeitos e uma penca de vereadores, no interior. Dizem que elegeu sete e mesmo estes ficaram insatisfeitos porque o apoio recebido ficou bem abaixo do que foi prometido. Como prefeito, ao mesmo tempo, sua popularidade andou baixa, melhorou um pouco no período das cirurgias – embora não o suficiente para que pudesse pedir votos para Arthur na TV – e deve chegar ao fim do mandato sem grande brilho. Contribuiu para isso, especialmente, a ausência nas ruas, algo que sempre foi uma marca dele.
Se não encontrar uma forma de cultivar os prefeitos e mergulhar ainda mais na casa do Tarumã, Amazonino pode comprometer até mesmo o “sonho” de concorrer à Assembleia e formar uma bancada expressiva, como puxador de votos. Quanto mais disputar uma vaga no Senado.
A roda do destino, entretando, está girando, para fazer uma analogia ao jingle que marcou os primeiros passos do “Negão” na política amazonense (“Vejo girar a roda do destino/ sei que vai voltar/ vai voltar Amazonino”). Pode apostar que, se houver uma coalisão de forças para enfrentar Eduardo Braga, em 2014, num “chapão”, ele volta a tirar o pijama.