Completa 50 anos a Fundação Universidade do Amazonas (FUA), sucessora da primeira escola superior do Brasil, a Escola Universitária Livre de Manaós. Minha família recebeu honroso convite da reitora Marcia Perales para participar da homenagem que, nessa ocasião, será prestada a meu pai, senador Arthur Virgílio Filho.
Foi ele o autor do projeto de lei que criou a FUA, a partir de ideia que nasceu de conversa com o governador Gilberto Mestrinho, na campanha eleitoral de 1958. Até hoje não sei como Arthur conseguiu o milagre de aprovar matéria desse porte, dentro de um único mandato de deputado federal, evitando emendas de colegas de outros estados que desejavam beneficiar também os seus estados.
Conseguiu. Em 12 de junho de 1962, o presidente João Goulart sancionou a lei 4069-A, com publicação no DOU de 27 do mesmo mês. O Amazonas dava, naquela hora, seu grande salto. Até então, a juventude tinha de escolher entre estudar direito e economia e permanecer em sua terra ou migrar para outros centros, em busca de cursos diversos e novos horizontes. Éramos exportadores de cérebros dinâmicos e braços fortes, lamentavelmente.
Por iniciativa do professor Clynio Brandão, com estímulo e aval do reitor Hidembergue Ordozgoith da Frota, o Conselho Universitário decidiu, à unanimidade, dar o nome de Arthur Virgílio Filho ao belo campus que nascera de projeto do arquiteto Severiano Porto. Meu pai saía de quatro décadas de uma clandestinidade que lhe fora imposta pelo regime ditatorial. Os alunos, talvez até os professores mais jovens, não sabiam que aquela obra imortal tinha a assinatura de Arthur.
Lendo documentos antigos da Universidade, relembrei benefícios que eu próprio tive a felicidade de a ela agregar. Eu era prefeito de Manaus e me procurou o reitor Marcus Barros, propondo o que viraria uma parceria profícua: a PMM asfaltou o campus, colocou ônibus ligando o campus ao mini-campus, fez convênios com faculdades, passou a custear toda a alimentação e energia elétrica, sem contar que o caos geral da falta de transportes, que prejudicava estudantes e trabalhadores, acabou, naqueles tempos.
Mais tarde, como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, recebi Hidembergue Frota e o professor José Russo, diretor da Faculdade de Direito, a vetusta “Jaqueira”. Reivindicavam recursos para levar o curso de direito para o campus. Respondi-lhes que não teria sentido eu estar ali, das oito da manhã às 23 horas, todos os dias, se não pudesse, de imediato, ordenar a liberação da verba solicitada. Meu pai, lá do céu, me puxaria às orelhas.
Pelo projeto de lei 10468, de autoria do senador Bernardo Cabral, sancionado pelo presidente Fernando Henrique, a FUA passava a se chamar Universidade Federal do Amazonas. Sem dúvida a denominação adequada e contemporânea.
Uma causa que vale a pena.
Veja mais notícias em Colunas
* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus