A ex-primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, fez hoje, durante o 3º Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus, um balanço das iniciativas mundiais recentes nas questões envolvendo meio ambiente e pobreza. “Nós tivemos avanços importantes motivados pelo trabalho de indivíduos, empresários e instituições que realmente fazem diferença”, disse. “Mas ainda há muito a ser feito: faltam direitos básicos de vida como acesso a serviços de energia, à água e a alimentos.”
Segundo ela, “os heróis das novas gerações serão os homens de negócios e as mulheres representam uma força vital para o desenvolvimento sustentável”. Ela defendeu investimentos em tecnologias sustentáveis e energias mais limpas para melhorar as desigualdades. “Em 2030, o mundo vai precisar de 50% a mais de alimentos, 40% a mais de energia e 30% a mais de água”, observou. Para a ex-primeira ministra, é necessário melhorar a governança global por meio de parcerias público-privadas. “Não apenas os políticos e governadores, mas todos nós precisamos aumentar e compartilhar as responsabilidades”, finalizou.
As declarações foram feiras durante o evento que ocorre até o dia 24 de março, promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais e com realização da XYZ LIVE. Cerca de 900 lideranças empresariais, políticas, pesquisadores e organizações socioambientais participam do Fórum, que tem como tema central “Economia Verde e Desenvolvimento Sustentável”.
Indagada sobre a Rio+20, Brundtland disse esperar um maior consenso do que o ocorrido na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de Copenhague, na Dinamarca, em 2009. “O desejo de cooperar é o que conta no Rio de Janeiro, mas a questão de energia também é crucial”, finalizou.
Na opinião de João Doria Jr., presidente do LIDE, a palestra da ministra foi uma verdadeira “aula de sustentabilidade”. Pouco antes, durante a abertura do Fórum, o governador do Estado do Amazonas, Omar Aziz, afirmou esperar que o evento “traga propostas para quem vive realmente na floresta e depende dela para sobreviver”. Em sua opinião, não há como discutir sustentabilidade “de cima para baixo”, sem envolver a população. “Sou a favor da preservação e do desenvolvimento sustentável, mas defendo, antes disso, o povo que me colocou aqui. Não somos diferentes e não queremos ser piores nem melhores que ninguém: somos iguais a qualquer brasileiro”, afirmou.
O primeiro dia de evento contou também com a presença de Brice Lalonde, diretor executivo da Rio+20. Para ele, há uma falta de liderança hoje em várias partes do mundo. “Eu acho que este é o momento de o Brasil, um país tão entusiasta, liderar essas discussões mundialmente”, sustentou.
Steve Bass, chefe do Grupo de Mercados Sustentáveis do IIED (Instituto Internacional para o Ambiente e Desenvolvimento), falou sobre PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), durante o painel que teve também a participação do senador Eduardo Braga e do deputado Arnaldo Jardim. O PSA é um mecanismo que estabelece pagamento àqueles que protegem as florestas nativas ou pratica iniciativas amigáveis ao meio ambiente, em benefício da sociedade.
Segundo Bass, a Costa Rica é pioneira no PSA, tendo conseguido consolidar a modalidade como política pública, através de legislação específica e um fundo público-privado. “O Brasil tem todas as cartas na manga para desenvolver um modelo de negócios nesse sentido, pois tem a Floresta Amazônica, com toda a sua biodiversidade. Por isso, precisamos muito da liderança mundial de vocês nesse sentido”, afirmou.
O Fórum tem ainda presença de nomes internacionais como o da ativista social e política, fundadora e presidente da Fundação Bianca Jagger pelos Direitos Humanos, Bianca Jagger; ao ex-primeiro ministro da França, Dominique de Villepin; o diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo e uma das mais conhecidas oceanógrafas do mundo, Sylvia Earle.
Entre os brasileiros estão o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso; o ex-ministro da Agricultura e presidente do LIDE Agronegócios, Roberto Rodrigues; o cacique e líder maior do povo Suruí, Almir Suruí; o superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável, Virgílio Viana; o diretor de estilo e criação da marca Osklen e fundador do Instituto-E, Oskar Metsavaht; o senador da República Eduardo Braga; o deputado federal (PPS/SP) Arnaldo Jardim; o presidente do SOS Mata Atlântica e do LIDE Sustentabilidade, Roberto Klabin; o diretor do programa marinho da Conservação Internacional (CI) no Brasil, Guilherme Dutra; o biólogo, docente do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, Alexander Turra; o deputado federal (PV/MA), José Sarney Filho; além de diversos especialistas na área.
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