O edital de licitação do corredor exclusivo de ônibus da Avenida das Torres só será lançado depois da realização de uma audiência pública que discutirá as questões ambientais do projeto. O anúncio foi feito, hoje, pelo secretário de Governo, George Tasso, em audiência pública de apresentação do projeto – após inúmeros questionamentos de representantes do bairro Cidade Nova, do Ministério Público (MPE) e da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, em relação aos impactos ambientais gerados pela obra, especialmente na área do Parque Estadual Sumaúma.
A ausência de estudos de impacto ambiental e de alternativas para evitar que o trecho II da obra passe pela área do Sumaúma foi bastante criticada. Para o presidente do Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (Iecam), Augusto Leite, o Governo deve garantir a preservação do parque, mesmo que isso eleve o custo da obra na Avenida das Torres. “O mais importante é preservar espécies da nossa flora e fauna amazônica, como o sauim de coleira”, ressaltou.
A promotora de Meio Ambiente do Ministério Público, Ana Cláudia Daou, alertou o Governo do Estado para a necessidade do detalhamento dos impactos ambientais e urbanísticos do projeto. “Nós sabemos que a obra afetará muitas comunidades, daí a importância de prevermos todos os problemas e possibilidades”, afirmou.
Presidindo a Comissão de Meio Ambiente da Assembléia, o deputado estadual Luiz Castro (PPS) defendeu o alargamento da Avenida Timbiras, como alternativa para evitar a degradação do parque Sumaúma. “Nós já havíamos cobrado do Governo estudos de alternativas para o trecho que passará pelo parque, mas só agora, com a pressão da sociedade, ele sinaliza que dará início a esse trabalho”, observou.
Castro também destacou a necessidade do Governo adotar o conceito de sustentabilidade em seus projetos. “Em obras dessa magnitude a visão ambiental deve ser muito mais ampla”, disse. Ainda segundo ele, é grande a preocupação da comunidade em preservar a única nascente preservada do igarapé do Mindú, localizada dentro da área do parque estadual.
A titular da Secretaria do Estado de Desenvolvimento Sustentável (SDS), Nádia Ferreira, informou que a audiência pública que discutirá as questões ambientais do projeto será realizada, no máximo, em 20 dias. “A partir de amanhã nós já estaremos enviando circulares para todas as instituições”, garantiu.
A secretária também se comprometeu em elaborar um estudo de impacto ambiental da nascente localizada no parque Sumaúma e agendou, para esta semana, reunião com os membros do Iecam, Ministério Público Estadual e Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, com o objetivo de discutir e aprofundar as questões ambientais do projeto.
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