As dificuldades enfrentadas pelos profissionais de psicologia para atuar no Amazonas foram discutidas, hoje, em audiência pública de autoria dos deputados Luiz Castro (PPS) e Ricardo Nicolau (PP). A falta de integração dos profissionais nas políticas públicas do Estado e do Município, a pouca oferta de vagas para psicólogos nos concursos públicos e a baixa remuneração oferecida para a categoria foram alguns dos temas debatidos no encontro.
Para a presidente do Conselho Regional de Psicologia, Iolete Ribeiro da Silva, os governos estadual e municipal precisam integrar os profissionais de psicologia às políticas públicas implantadas no Estado. “Ainda é pequeno o número de psicólogos que atuam nas políticas de educação e assistência social. Infelizmente a maioria desses profissionais vem trabalhando em regime de contrato temporário, já que o número de vagas oferecidas para psicólogo nos concursos públicos quase sempre é irrisória”, revelou.
O presidente do Sindicato de Psicólogos do Amazonas, Alberto Jorge Silva, também criticou a pouca oferta de vagas para psicólogos nos concursos públicos realizados no Amazonas. “As vagas são poucas e os salários muito baixos. Isso prejudica o desenvolvimento de políticas públicas no Estado”, disse. Ele citou como exemplo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), que, devido ao número limitado de psicólogos (apenas 30 profissionais), não está conseguindo suprir a demanda de atendimentos psicológicos em Manaus.
Representando a Semsa, a coordenadora de saúde mental do município Efthimea Simões admitiu que o quadro pequeno de psicólogos da secretaria vem prejudicando o serviço de atendimento psicológico oferecido à população de Manaus. “A procura é grande, mas temos poucos profissionais”, afirmou. Ela destacou, no entanto, que a Semsa já tem a previsão de realizar um novo concurso público em 2012 para a contratação de mais profissionais.
Segundo o Secretário Adjunto de Assistência à Saúde da capital, da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Wagner William de Souza, o Amazonas possui atualmente 14 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) espalhados entre a capital e os municípios do interior. “A previsão é inaugurar mais 06 CAPS ao longo de ano de 2012, inclusive um CAPS Infantil e um CAPS-AD para o tratamento de usuários de álcool e drogas”, informou.
Saúde Mental
O abandono do sistema de saúde mental do Estado e do Município foi outro tema recorrente na audiência pública. O deputado estadual Luiz Castro destacou a importância de se melhorar o tratamento oferecido às pessoas com transtornos mentais e a necessidade do Governo planejar, em conjunto com a sociedade, usuários do sistema de saúde mental e profissionais da área, a desativação do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro.
Para a psicóloga Rosângela Aufiero, faltam CAPS e profissionais da área de saúde mental para atender a demanda de pacientes com transtornos mentais do Estado. “A situação vai ficar ainda pior após a desativação do hospital, já que atualmente existem apenas dois CAPS funcionando em Manaus”, disse, informando que o Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro realiza uma média de dois mil atendimentos todos os meses.
O psicólogo da Associação de Saúde Mental Leseira Baré, John Elton, destacou que o sistema de saúde mental do Estado é um dos piores do Brasil. Ele lembrou que, segundo dados do Ministério da Saúde, no Amazonas, são cerca de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para cada 100 mil habitantes. Ainda segundo ele, um dos maiores problemas é a falta de psiquiatras e psicólogos e de políticas públicas voltadas para o sistema.
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