Mesmo diante de dados apresentados pelos senadores, José Lauro Rocha da Silva negou qualquer envolvimento com a prática de turismo sexual no Amazonas. Ele foi ouvido, na manhã desta terça-feira (4/10), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico Nacional e Internacional de Pessoas do Senado. Além dele, a Comissão ouviu o delegado da Polícia Federal do Paraná, Reginaldo Gallan Batista, que dirigiu a investigação do caso à época.
Lauro Rocha, que é proprietário da empresa amazonense Turismo Ecológico Santana Safari, foi interrogado pelas senadoras Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), presidente da CPI, Marinor Brito (PSOL-PA), relatora, e pelo senador Paulo Davim (PV-RN). O empresário é acusado da prática de turismo sexual no processo criminal 6327-13.2011.4.01.3200 (Inquérito n.º 410, de 2007), no qual também estão envolvidos os irmãos Admilson Garcia da Silva e Adilson Garcia da Silva, e Richard Wayne Schair, Daniel Geraldo Lopes e Juscelino de Souza Motta. Os irmãos também foram convocados para depor na CPI, mas não compareceram.
A relatora colocou o empresário diante de informações como: a presença dele em busca feita pela Polícia Federal no barco de propriedade dele; a existência de mais de cem fotos que comprovam a prática de turismo sexual com a participação de menores nas embarcações dele; cerca de oito depoimentos de meninas que participaram confirmando a prática, entre outras. Mesmo assim, o empresário negou tudo, e disse que está se defendendo na justiça.
Para os números, fotos e depoimentos que os senadores disseram ter tido acesso no processo, e que foram reafirmados no depoimento do delegado Reginaldo Batista, Lauro Rocha respondeu que foram notícias plantadas por empresário concorrente do seu parceiro nos negócios (negou que fosse sócio) o empresário norte-americano Richard Wayne, proprietário da empresa norte-americana de turismo Wet-A-Line. Lauro Rocha ressaltou que a “briga” dos empresários norte-americanos gerou uma queda de 90% para o turismo ecológico no Amazonas.
A senadora Vanessa lembrou que o intuito desta audiência da CPI era também levantar elementos da forma de operar de empresas que, segundo ela, desvirtuam o turismo ecológico, “atividade de extrema importância para a região amazônica”. A senadora explicou que a prática do turismo sexual se encontra com o tráfico de pessoas no momento em que as vítimas são retiradas do seu habitat natural iludidas por uma justificativa que não é a verdadeira. “Muitas das meninas que estão nas fotos – inquérito policial – foram atraídas para trabalhar na rotina das embarcações e não para fazer sexo”, explicou.
A CPI tomou conhecimento do caso durante diligência à Manaus no início de julho. As denúncias foram citadas em matéria no jornal New York times, dando conta de quatro mulheres brasileiras indígenas da cidade de Autazes que processaram a Wet –A-Line por danos morais.
Os senadores consideraram a audiência positiva para os fins da CPI. Foi marcada reunião administrativa para análise de dados para esta quarta-feira (5/10).
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