
A decisão marca um movimento estratégico da chefe de governo para transformar sua popularidade recente em maior força parlamentar. (Foto: Reprodução/Youtube)
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, dissolveu nesta sexta-feira (23) a Câmara dos Representantes, abrindo caminho para a realização de eleições legislativas antecipadas no dia 8 de fevereiro. A decisão marca um movimento estratégico da chefe de governo para transformar sua popularidade recente em maior força parlamentar.
A dissolução foi formalizada logo no início da sessão plenária, quando o presidente da Câmara Baixa, Fukushiro Nukaga, anunciou oficialmente o encerramento dos trabalhos, levando ao esvaziamento imediato do plenário.
A convocação do pleito havia sido anunciada na última segunda-feira (19) por Takaichi, que classificou a decisão como “difícil”, mas necessária diante do atual cenário político. Apesar dos bons índices de aprovação, a primeira-ministra conta com uma base apertada na Câmara Baixa e não possui maioria na Câmara Alta, o que tem limitado a governabilidade.
Com a medida, o Japão entra em uma campanha eleitoral curta, de apenas 16 dias, até a data marcada para a votação.
Takaichi busca garantir maioria para a coligação formada pelo Partido Liberal Democrático (PLD), que lidera, e o Partido da Inovação do Japão (Ishin). Ao todo, 465 cadeiras estarão em disputa na Câmara Baixa, sendo necessário que a aliança alcance ao menos 233 assentos para assegurar maioria simples.
O secretário-geral do PLD, Shunichi Suzuki, afirmou que o objetivo da legenda é consolidar estabilidade política e fortalecer o apoio ao programa econômico do governo, que prevê ampliação dos gastos públicos como forma de reaquecer a economia japonesa, estagnada há anos.
Segundo Suzuki, o pleito também funcionará como um teste direto à liderança de Takaichi, que tenta legitimar seu projeto político junto ao eleitorado.
Sanae Takaichi chegou ao poder após vencer as primárias do PLD em outubro do ano passado, após a renúncia de Shigeru Ishiba, enfraquecido por sucessivas derrotas eleitorais.
De perfil ultraconservador, a premiê terá pela frente uma oposição reorganizada. A principal adversária será a recém-formada Aliança Reformista Centrista, criada a partir da união do Partido Democrático Constitucional, principal força de oposição, com o partido budista Komeito, antigo aliado do PLD por mais de duas décadas, que rompeu com o governo após a ascensão de Takaichi ao comando da legenda.
A antecipação das eleições deverá redefinir o equilíbrio de forças no Parlamento japonês e testar a capacidade da primeira-ministra de consolidar sua liderança em um ambiente político cada vez mais competitivo.