14/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

PF indicia cinco agentes públicos por corrupção e fraude eleitoral em Parintins

Publicado em 27 de agosto, 2025

PF indicia cinco agentes públicos por corrupção e fraude eleitoral em Parintins

Grupo teria usado estrutura do governo e apoio de policiais para coagir eleitores e monitorar adversários. (Foto: Divulgação)

A Polícia Federal concluiu, na manhã desta quarta-feira (27), o inquérito da Operação Tupinambarana Liberta, indiciando cinco agentes públicos por organização criminosa, corrupção eleitoral e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

De acordo com a investigação, o grupo utilizou parte da estrutura do governo estadual e contou com apoio de policiais para favorecer uma candidatura à Prefeitura de Parintins (AM), realizando compra de votos e tentativas de impedir o exercício do direito ao voto.

Os indiciados são:

Marcos Apollo, ex-secretário de Cultura

Fabrício Cyrino, ex-secretário de Administração

Armando Silva Do Valle, ex-presidente da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama)

Jackson Ribeiro, ex-comandante da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam)

Guilherme Navarro, ex-comandante do Comando de Operações Especiais (COE)

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, que analisará as provas e decidirá sobre as medidas judiciais. A pena total dos crimes pode chegar a 20 anos de prisão, conforme a legislação.

A investigação também apontou omissão intencional de agentes públicos para favorecer a candidatura investigada, além do monitoramento de adversários políticos e das equipes da PF, com a tentativa de dificultar o trabalho da corporação.

Investigação e origem do caso

O caso teve início em 16 de agosto de 2024, a partir de um vídeo gravado em 2 de agosto na casa de Adriane Cidade, prima e ex-assessora do deputado estadual e então candidato a prefeito de Manaus, Roberto Cidade (União Brasil), com apoio do governo do Amazonas.

O vídeo mostra uma reunião entre os ex-secretários e dois PMs, onde eles admitiram compra de votos em eleições passadas, monitoramento de viaturas da PF para cometer crimes sem serem flagrados e planos de trazer criminosos ligados a milícias à cidade para prisões “forjadas”.

A PF também identificou que líderes comunitários ligados a facções criminosas ameaçavam eleitores e dificultavam a circulação de candidatos em determinadas áreas.

O governo do Amazonas se pronunciou, informando a exoneração dos secretários para garantir a lisura das investigações e permitir que os citados se defendam de forma justa.

Operação Tupinambarana Liberta

Deflagrada em 3 de outubro de 2024, a operação contou com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar do Amazonas, que acompanhou o cumprimento das ordens judiciais contra os policiais envolvidos.

Cerca de 50 policiais federais participaram da ação, cumprindo cinco mandados de busca e apreensão em locais em Manaus, incluindo um apartamento na avenida Darcy Vargas, bairro Parque 10, e um condomínio no bairro Adrianópolis, ambos na Zona Centro-Sul. Ninguém foi preso.

Além disso, a Justiça Eleitoral determinou que os investigados não tenham acesso à cidade de Parintins e proibiu o contato entre eles e com coligações partidárias do município.

Os policiais envolvidos foram apresentados à sede da PF para esclarecimentos, e os indiciados prestaram depoimento por cerca de 1h30 antes de serem liberados.

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